quarta-feira, 16 de maio de 2012

A eterna perseguição

A minha eterna perseguição é a barraca, coisa em que sou especialista, raios me partam. Já muitos sabem da barraca que dei em tempos idos de liceu, enquanto olhava para as pernocas de tal professora, verbalizando o meu pensamento de "que me perdia em tal paraíso", e suspiro verbalizado e devidamente ouvido pela professora a mesma responde que perdido já eu ando.
Pois que excelente visão teve a senhora de mim. Ando mesmo perdido. Prova disso foi a dado momento da vida, em que achando eu piada a crianças, em belo dia vejo uma coisa pequena na rua e decido fazer uma festa em dito petiz, que se veio a revelar não ser petiz, mas antes um anão. Ora porra!
Recente foi a leitura que alguém fez deste blogue e que gostou do dedicado elogio. E pensava eu que ninguém o lia. Mas agora que sabe que sou dedicado a estas coisas da barraca, fica já a saber o que penso. Mas descansada pode ficar que a cada dia 1 não falho.
Outra recente barraca aconteceu em visita a cliente. Cliente esse morto há 10 anos. Ora bolas, então é assim que a associação internacional que toma conta das companhias aéreas mantém actualizada a sua base de dados? Uma coisa que é suposto ser revista a cada ano que passa? E depois a malta vai à confiança falar com a pessoa X, e respondem-me que o único X que essa pessoa tem é uma cruz por cima. Ora porra!
E logo eu que queria vender, e estava com a pica toda, pois era cliente interessante. Bom, o cliente está lá, mas quem deveria ouvir a minha lenga lenga é que não, por isso outra vítima levou comigo. Bom, mas vendi bem o peixe. É como digo há tempo demasiado, vendo tudo, excepto duas coisas: a minha mãe, porque o meu pai não se quer desfazer dela (pese embora o rapaz já não tenha muito a dizer acerca do assunto) e a minha mulher, porque não quero enganar ninguém. E neste ponto sou honesto, porque gosto tenho, mas a pontaria é diametricalmente oposta. Mas pelo menos sou honesto.
E por falar em barraca e em progenitor, faz-me recordar que sendo especialista em dar barraca, atraio os mais próximos a dar a mesma. Pois que em belo dia, em Melbourne, jantarinho de grupo com a minha "família" colombiana (não, não é daquelas "famílias" da máfia), seguido de noite de conversa em casa alheia, bem regada com vinho tinto. Sentado eu no sofá, a conversa que se tinha era acerca dos malefícios do tabaco e do excesso de café. Comentei que o meu progenitor fumava 3 maços de tabaco* por dia e bebericava 15 expressos em idêntico período. E pergunta-me a Marta: "Ui que horror! Y como está tu pápá?", ao que prontamente e no imediato respondi: "está muerto!" Geral gargalhada e pobre Marta, vermelha como uma maçã vermelha (só porque odeio tomate), a desculpar-se milhar de vezes.
Com isto, de dar barraca e proporcionar bons momentos de vermelhidão e vontade de se enfiar em buracos por parte de terceiros, leva-me a concluir que sou de facto uma tragédia ambulante. Mas é como em muita coisa na vida, um gajo habitua-se! E não deixo de ser feliz por isso.

*Os malefícios do tabaco estão psicologicamente comprovados e eu fui cobaia de tal elucidado estudo, por mim próprio elaborado. Comecei a fumar quando comecei a trabalhar. Logo, trabalhar faz mal e, consequentemente, potencial cancerígeno, e não o tabaco.

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