Os dias são maus, mas as noites são angustiantes. Procuro e não encontro. Nenhuma solução. Que fazer da minha vida?
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Ai a escrita
Durante muito tempo pensei abrir um blogue, eu e uns quantos milhões por esse Planeta fora. De facto, há uma meia dúzia de anos até cheguei a ter um blogue, sem grandes aspirações, mas onde era mais um a criticar a sociedade e tudo o que achava que estava mal, embora o fizesse de forma cómica (ou parva, como melhor entenderem).
Descontinuei a coisa por pura falta de pachorra. E até estou admirado por ainda não ter mandado este blogue às urtigas. Mas acaba por ser o meu pequeno contacto com a língua portuguesa. E quer se goste ou não, é mesmo português sem acordos e outras fintas.
Até estou admirado por haver quem tenha paciência para ler esta merda. No fundo, é mais um gajo a vomitar as merdas que lhe vão dentro (da alma, não dos intestinos). São os altos e baixos da minha cabeça, dos meus sentimentos. Se bem que a moral anda um bocadinho mais em baixo. Mas a fé em dias melhores mantém-se lá em cima, porque caso contrário já me tinha posto era na casa do "alho", se bem que a vontade é mesmo muita (não do "alho", mas de me pirar). Restaria apenas a sorte de conseguir outro bilhete a 379,11.
Mas isto a coisa está mais é para gastar dinheiro. É só mandar comprar livros e outros materiais. Olha o menino hoje a comprar lápis de cor. Ui! Aos anos que não comprava uns. Agora é ver-me a fazer desenhos. Vai ser lindo.
Amanhã é o dia da apresentação dos alunos estrangeiros, dizem eles para se conhecerem. Com comida e bebida à borla. Mas isto do início das aulas tem sempre muito que se lhe diga, a malta é sempre envergonhada. Bom, mas um grupo já tenho, com um australiano com nome (e cara) de turco e, claro, uma chinesa. Vamos lá a ver se esta não faz como outras que por aí ouvi falar que meteram na bibliografia de um trabalho (além do tradicional Wikipedia) a Playboy. A puta que mencione uma vez que seja a Playboy que lhe enfio a revista pelo rego adentro.
Agora o que quero ver se faço é se escolho malta mais dinâmica, que estes dois não me parecem lá grande espingarda. Quero ver se me colo ao italiano, que o gajo tem ar de maluco, completamente janado dos cornos e é um bacano do caraças! E dizia a professora que a turma parece a ONU. Dasse! Magnífica descoberta! Mas ela dá aulas nesta Universidade desde ontem ou o quê? Bom, mas além de uma catrafiada de chineses, temos um tuga (não se iludam, o tuga sou mesmo eu!), um brasileiro, um cingalês (espectáculo é a puta de cultura com que vocês vão ficar à minha pala, por cingalês entende-se como um contribuinte do Sri Lanka), uma honkonguense (não se fiem nesta definição), dois italianos e dois franceses. Bom, o rapaz francês diz que é francês, mas olho para a cara dele e ia jurar que é paquistanês ou qualquer coisa do género. Ah! Também há australianos.
E isto é só a malta do meu tutorial de Professional Research & Evaluation, porque se contabilizarmos a Lecture, onde entra toda a malta do meu Mestrado, e de outros na área, a quantidade de gente é tanta que até desconfio que há lá gajos de outros Planetas. E de certeza que ganho a aposta, que o gajo que estava ao meu lado na Lecture é um bocadinho... esquisito.
Descontinuei a coisa por pura falta de pachorra. E até estou admirado por ainda não ter mandado este blogue às urtigas. Mas acaba por ser o meu pequeno contacto com a língua portuguesa. E quer se goste ou não, é mesmo português sem acordos e outras fintas.
Até estou admirado por haver quem tenha paciência para ler esta merda. No fundo, é mais um gajo a vomitar as merdas que lhe vão dentro (da alma, não dos intestinos). São os altos e baixos da minha cabeça, dos meus sentimentos. Se bem que a moral anda um bocadinho mais em baixo. Mas a fé em dias melhores mantém-se lá em cima, porque caso contrário já me tinha posto era na casa do "alho", se bem que a vontade é mesmo muita (não do "alho", mas de me pirar). Restaria apenas a sorte de conseguir outro bilhete a 379,11.
Mas isto a coisa está mais é para gastar dinheiro. É só mandar comprar livros e outros materiais. Olha o menino hoje a comprar lápis de cor. Ui! Aos anos que não comprava uns. Agora é ver-me a fazer desenhos. Vai ser lindo.
Amanhã é o dia da apresentação dos alunos estrangeiros, dizem eles para se conhecerem. Com comida e bebida à borla. Mas isto do início das aulas tem sempre muito que se lhe diga, a malta é sempre envergonhada. Bom, mas um grupo já tenho, com um australiano com nome (e cara) de turco e, claro, uma chinesa. Vamos lá a ver se esta não faz como outras que por aí ouvi falar que meteram na bibliografia de um trabalho (além do tradicional Wikipedia) a Playboy. A puta que mencione uma vez que seja a Playboy que lhe enfio a revista pelo rego adentro.
Agora o que quero ver se faço é se escolho malta mais dinâmica, que estes dois não me parecem lá grande espingarda. Quero ver se me colo ao italiano, que o gajo tem ar de maluco, completamente janado dos cornos e é um bacano do caraças! E dizia a professora que a turma parece a ONU. Dasse! Magnífica descoberta! Mas ela dá aulas nesta Universidade desde ontem ou o quê? Bom, mas além de uma catrafiada de chineses, temos um tuga (não se iludam, o tuga sou mesmo eu!), um brasileiro, um cingalês (espectáculo é a puta de cultura com que vocês vão ficar à minha pala, por cingalês entende-se como um contribuinte do Sri Lanka), uma honkonguense (não se fiem nesta definição), dois italianos e dois franceses. Bom, o rapaz francês diz que é francês, mas olho para a cara dele e ia jurar que é paquistanês ou qualquer coisa do género. Ah! Também há australianos.
E isto é só a malta do meu tutorial de Professional Research & Evaluation, porque se contabilizarmos a Lecture, onde entra toda a malta do meu Mestrado, e de outros na área, a quantidade de gente é tanta que até desconfio que há lá gajos de outros Planetas. E de certeza que ganho a aposta, que o gajo que estava ao meu lado na Lecture é um bocadinho... esquisito.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Universidade ou cidade?
Esta Universidade é impressionante. Pelo tamanho da coisa. E só vi o campus da cidade, que é o meu. É de tal ordem grande que até tem uma rua privada. Fica mesmo no centro de Melbourne, e tem uma série infindável de edifícios. Fui hoje arrotar quase 150 Dólares por um livro, e para tal pude escolher de entre as 3 livrarias que eles têm no centro. Escolhi a RMIT Business Bookshop. E qual não é o meu espanto quando lá chego e vejo que está dentro de um centro comercial. Sim, a minha Universidade até tem um centro comercial. Isto é que é saber fazer dinheiro. Tem a livraria, cafés à fartazana, nails (aqui são as chinocas que tratam disso) e outras cenas.
Ora se estes gajos até centro comercial têm (e ginásio), então não podiam cobrar um bocadinho menos? Eu já sei o que quero fazer quando for grande, quero abrir uma Universidade. Mas não pode ser para ex-Primeiro-Ministros, que esses iriam levar-me à falência. A não ser que eu cobrasse bem por diplomas domingueiros.
Uma coisa vos digo, ainda hoje as aulas começaram e já estou cansadíssimo. A juntar ao overload de informação que recebemos, a quantidade de trabalhos que já temos para fazer é absolutamente irreal! O que vale é que já estava à espera disso. Não tenho nada contra, o problema vai ser arranjar tempo para fazer tudo. É que convém arranjar trabalho, e isso vai ocupar metade do meu dia. A outra metade vai ser enfiado na Universidade. Isto vai ter de haver aqui uma grande gestão de tempo.
Hoje foi a estreia, com uma lecture. Só que o raio do australiano tem cá uma pronúncia! Fiquei com a sensação de ser o único europeu. Metade dos alunos são asiáticos (para quem não sabe, por asiático normalmente chama-se de chinoca, mas isso é um pouco redutor, e para reduzidos já lhes chega serem todos baixinhos), quase metade são australianos com cara de quem não lhes apetece levar com estrangeiros. Os outros, poucos, além de cara de poucos amigos, cheira-me que nem deste Planeta são. Isto vai ser bonito para arranjar grupo de trabalho. Ai vai vai!
Supostamente vim para aqui fazer um Mestrado em Communication (Advertising), mas estas excelências alteraram para Master in Advertising. Puta de pontaria que tenho que apanho sempre com alterações! O mal da coisa é que uma das cadeiras, Creativity in Advertinsing, vai obrigar-me a fazer desenhos! Foda-se! Tenho tanto jeito para fazer desenhos como o Miguel Sousa Tavares tem para falar. (Isto sim, foi uma analogia do car...!)
Voltando aos asiáticos, estes andam completamente perdidos na vida. Os que chegaram tarde, eram brindados com a brincadeira do professor "hi, welcome to quantic physics". Uns, voltavam para trás. Outros, tanto se lhes faz como fazia, não percebiam a coisa e sentavam-se. E os outros, nós, aqueles que tivemos que fazer a merda do exame de inglês para sermos "convidados" pela Universidade, sim, aqueles que de facto sabem falar inglês, e que arrotaram mais que os asiáticos que não pescam puto de inglês, lá nos íamos rindo. Só para satisfazer a curiosidade do leitor, a cadeira era Managing Advertising.
E depois a chuva! Grande sacana que hoje não nos largou. Todo o santo dia com o S. Pedro a largar a bexiga cá para baixo! Ainda bem que é Verão. E ui! Que já fui avisado que esta casa é fria no Inverno. E ui! Diz-se aqui por casa que os Invernos por estas bandas até não são muito frios, média de 5 graus. Fosga-se! Volta Lisboa no Inverno que estás perdoada!
Já vi duas baratas aqui, uma à porta do estádio, na Sexta-Feira passada, e outra há bocado, aqui à porta de casa, mas essa vi-a bem debaixo do chinelo, que a gaja nem deu por conta do 46 que lhe caiu nos cornos! Menos uma!
Ora se estes gajos até centro comercial têm (e ginásio), então não podiam cobrar um bocadinho menos? Eu já sei o que quero fazer quando for grande, quero abrir uma Universidade. Mas não pode ser para ex-Primeiro-Ministros, que esses iriam levar-me à falência. A não ser que eu cobrasse bem por diplomas domingueiros.
Uma coisa vos digo, ainda hoje as aulas começaram e já estou cansadíssimo. A juntar ao overload de informação que recebemos, a quantidade de trabalhos que já temos para fazer é absolutamente irreal! O que vale é que já estava à espera disso. Não tenho nada contra, o problema vai ser arranjar tempo para fazer tudo. É que convém arranjar trabalho, e isso vai ocupar metade do meu dia. A outra metade vai ser enfiado na Universidade. Isto vai ter de haver aqui uma grande gestão de tempo.
Hoje foi a estreia, com uma lecture. Só que o raio do australiano tem cá uma pronúncia! Fiquei com a sensação de ser o único europeu. Metade dos alunos são asiáticos (para quem não sabe, por asiático normalmente chama-se de chinoca, mas isso é um pouco redutor, e para reduzidos já lhes chega serem todos baixinhos), quase metade são australianos com cara de quem não lhes apetece levar com estrangeiros. Os outros, poucos, além de cara de poucos amigos, cheira-me que nem deste Planeta são. Isto vai ser bonito para arranjar grupo de trabalho. Ai vai vai!
Supostamente vim para aqui fazer um Mestrado em Communication (Advertising), mas estas excelências alteraram para Master in Advertising. Puta de pontaria que tenho que apanho sempre com alterações! O mal da coisa é que uma das cadeiras, Creativity in Advertinsing, vai obrigar-me a fazer desenhos! Foda-se! Tenho tanto jeito para fazer desenhos como o Miguel Sousa Tavares tem para falar. (Isto sim, foi uma analogia do car...!)
Voltando aos asiáticos, estes andam completamente perdidos na vida. Os que chegaram tarde, eram brindados com a brincadeira do professor "hi, welcome to quantic physics". Uns, voltavam para trás. Outros, tanto se lhes faz como fazia, não percebiam a coisa e sentavam-se. E os outros, nós, aqueles que tivemos que fazer a merda do exame de inglês para sermos "convidados" pela Universidade, sim, aqueles que de facto sabem falar inglês, e que arrotaram mais que os asiáticos que não pescam puto de inglês, lá nos íamos rindo. Só para satisfazer a curiosidade do leitor, a cadeira era Managing Advertising.
E depois a chuva! Grande sacana que hoje não nos largou. Todo o santo dia com o S. Pedro a largar a bexiga cá para baixo! Ainda bem que é Verão. E ui! Que já fui avisado que esta casa é fria no Inverno. E ui! Diz-se aqui por casa que os Invernos por estas bandas até não são muito frios, média de 5 graus. Fosga-se! Volta Lisboa no Inverno que estás perdoada!Já vi duas baratas aqui, uma à porta do estádio, na Sexta-Feira passada, e outra há bocado, aqui à porta de casa, mas essa vi-a bem debaixo do chinelo, que a gaja nem deu por conta do 46 que lhe caiu nos cornos! Menos uma!
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Solidão
Gosto muito dos meus momentos, aqueles de mim para mim, só eu e o meu mundo. Mas da mesma forma gosto de me dar com gente. Nada como ter amigos com quem fazer qualquer coisa. Quanto mais não seja, para falar. E o que gosto de falar. Todos sabem que sou um tagarela. Mas dou comigo agora sem tema de conversa. A colombiana cá da casa bem comenta que ando muito calado. Fonix! Estou farto de falar espanhol da Colômbia.
Eles têm a vida deles, têm os seus temas de conversa. Isso sim, é uma questão cultural. E cada cultura tem as suas banalidades, e é de banalidades que se vão mantendo conversas. E eu não falo das mesmas banalidades que eles.
Sinto-me completamente isolado do Mundo, falta-me o apoio. Claro que por vezes o pessoal vai metendo conversa comigo no Gtalk, mas também ninguém tem a obrigação de me amamentar. Não há é propriamente um suporte, aquela pessoa a quem me possa agarrar. E a distância é fodida.
Raramente falo português, e quando o falo até acho estranho. Anteontem dois amigos meus lá meteram conversa "videofónica" comigo e deu para matar saudades da nossa língua. Mas tal como a distância, também a diferença horária lixa tudo.
Ainda não cheguei ao ponto de falar sozinho, para as paredes. Talvez quando esse momento chegar seja sinónimo de que realmente estou a dar em doido. Mas talvez nem isso consiga, falar para as paredes. Deixar-me-ia mais preocupado se arranjasse um amigo virtual, isso sim, seria preocupante.
Quando toca à vida social, tenho plena consciência de constituir um caso altamente contraditório. Ora gosto de estar com gente, ora gosto de estar sozinho. Mas se cada um pensar, provavelmente irão chegar à mesma conclusão. Não seremos todos assim? De facto, adoro estar envolto com gente, falar, rir, divertir, viver. Mas há aqueles momentos em que gosto de me fechar no meu mundo. O facto de ter ido viver sozinho constituiu um dos grandes objectivos da minha vida. Podia sair, ir jantar com os meus, divertir-me, viver, mas chegado a casa e fechar a porta, não tem preço. E dessa forma experimentava as duas sensações, viver com os outros e viver comigo.
Mas isto aqui ultrapassa todo e qualquer limite. A sensação é de total solidão. Não me venham com histórias de que o Ser Humano consegue "sobreviver sozinho", isso é tanga. Todos nós precisamos de um suporte. E neste momento não o tenho. E isso faz-me sentir só. Na vida não conseguimos a maior parte das coisas actuando sozinhos, para praticamente tudo precisamos sempre de alguém. Principalmente para viver.
Eles têm a vida deles, têm os seus temas de conversa. Isso sim, é uma questão cultural. E cada cultura tem as suas banalidades, e é de banalidades que se vão mantendo conversas. E eu não falo das mesmas banalidades que eles.
Sinto-me completamente isolado do Mundo, falta-me o apoio. Claro que por vezes o pessoal vai metendo conversa comigo no Gtalk, mas também ninguém tem a obrigação de me amamentar. Não há é propriamente um suporte, aquela pessoa a quem me possa agarrar. E a distância é fodida.
Raramente falo português, e quando o falo até acho estranho. Anteontem dois amigos meus lá meteram conversa "videofónica" comigo e deu para matar saudades da nossa língua. Mas tal como a distância, também a diferença horária lixa tudo.
Ainda não cheguei ao ponto de falar sozinho, para as paredes. Talvez quando esse momento chegar seja sinónimo de que realmente estou a dar em doido. Mas talvez nem isso consiga, falar para as paredes. Deixar-me-ia mais preocupado se arranjasse um amigo virtual, isso sim, seria preocupante.
Quando toca à vida social, tenho plena consciência de constituir um caso altamente contraditório. Ora gosto de estar com gente, ora gosto de estar sozinho. Mas se cada um pensar, provavelmente irão chegar à mesma conclusão. Não seremos todos assim? De facto, adoro estar envolto com gente, falar, rir, divertir, viver. Mas há aqueles momentos em que gosto de me fechar no meu mundo. O facto de ter ido viver sozinho constituiu um dos grandes objectivos da minha vida. Podia sair, ir jantar com os meus, divertir-me, viver, mas chegado a casa e fechar a porta, não tem preço. E dessa forma experimentava as duas sensações, viver com os outros e viver comigo.
Mas isto aqui ultrapassa todo e qualquer limite. A sensação é de total solidão. Não me venham com histórias de que o Ser Humano consegue "sobreviver sozinho", isso é tanga. Todos nós precisamos de um suporte. E neste momento não o tenho. E isso faz-me sentir só. Na vida não conseguimos a maior parte das coisas actuando sozinhos, para praticamente tudo precisamos sempre de alguém. Principalmente para viver.
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Paciência
Que sorte a minha ter limites tão elevados. Farto desta merda, farto de estar aqui. Não falo praticamente com ninguém, não há nada para fazer, isto é pior que o fim do Mundo. Mais uma vez experimentei a sensação que uma criança tem quando se lhe tira um doce. Tinha uma vida boa, não me queixava e nunca exigi demais. Mas parece que me rogaram uma puta de uma praga, pois quando finalmente estou bem, o bom acaba.
Vim enfiar-me num buraco. Sorte ter muita paciência. Vejo gente de papo para o ar e as coisas acontecem. Farto-me de lutar para conseguir alguma coisa de jeito na minha vida e nunca consigo nada. E falta-me aquele carisma! Muita gente pensa que não faço nada, dão-me conselhos e mais conselhos, como se estivesse parado à espera que as coisas aconteçam. O carisma que falta é as pessoas perceberem que luto, e que tenho o caralho de uma falta de sorte!
Sei muito bem que um curso superior não é o garante de uma profissão condizente, não preciso que me expliquem certas e determinadas coisas como se fosse muito burro. Só gostava de ter as hipóteses pelas quais luto, mas falta qualquer coisa para me vender a mim próprio.
Esta merda está a dar comigo em doido. Passo o dia calado, não se faz nada, vivo enfiado no quarto estupidamente quente. E o calor que tem estado! A temperatura mais baixa hoje foram 28 graus. Em plena noite.
E assim também vai a minha cabeça, quente, muito quente. E ninguém me diga para ter calma, porque se não a tivesse já me tinha pirado. E vontade não me falta. Ao menos que aqui consiga fazer o guito suficiente para pagar o bilhete para me ir embora.
De facto gostava que a vida voltasse para trás. E só pedia uma vez. Corrigia algumas coisas, sim. Quem nunca se enganou? Não sou minimamente apologista de que nunca nos devemos arrepender do que fazemos. Devemos fazê-lo, devemos assumir os erros, para não os repetirmos. Muita coisa que fazemos na vida, bem ou mal, mais tarde iremos desfrutar ou pagar.
Irrita-me que eu não tenha hipótese de desfrutar da correcção de alguns erros que fiz na vida. Não somos perfeitos, erramos, todos erramos. Tenho feito o máximo para compensar algumas coisas que não fiz, ou fiz do modo errado. Se serviu de alguma coisa? Népia! Dou comigo como migra sem qualquer esperança no futuro. "Ah e tal não sabes o dia de amanhã" Isto é o que muita gente pensará, mas essas palavras são um discurso feito, sem qualquer convicção. Sim, é pessimismo. Mas também não posso estar sempre a rir, também tenho direito à tristeza. Bem sei que quem se dá comigo (ou dava, que aqui não me dou com ninguém) está habituado a ver-me sempre rir, assumindo logo que sou sempre bem disposto. Sou, de facto, e considero-me optimista, mas também tenho direito a momentos de tristeza e de angústia.
Lá está, é sempre a merda da imagem que fica e se sobrepõe a tudo o resto. E aplica-se a processos de recrutamento, pelo menos aqueles que vão para além da cunha. Olham para o currículo de um gajo (aqueles que vêem mais que a data de nascimento) e traçam logo o perfil. Sem conhecer o candidato. Ainda por cima gente idiota sem qualquer carácter, que têm a mania que sabem muito. E como eu anda por aí muito boa gente aos caídos, sujeitos à primeira merda que lhes aparecer à frente. Isto para os mais novos, que os velhos (leia-se os que têm mais de 27 anos, que em Portugal são considerados idosos) bem podem ficar a chuchar no dedo, que nem num call center conseguem entrar. Fica-lhes pelo menos o poder de opção entre os diversos dedos para chuchar.
E aí é que está uma das minhas grandes falhas, fora do meu controlo: carisma. O carisma não se mede pela quantidade e qualidade de piadas, mede-se por uma certa aura existente à volta de uma pessoa, e ou se nasce com ela ou se nasce sem ela. Não é erro não ter carisma, é defeito. E impossível de corrigir. Resta lutar com outras armas. Mas para isso é preciso mais tempo de antena, e é preciso que quem esteja à nossa frente dê alguma hipótese, que acredite nas pessoas e tenha a coragem de ir além do "conheces alguém para aqui?" Prova disso é a primeira impressão que muita gente tem de mim, geralmente não gostam. Mas aprendem a gostar com o tempo.
E tudo relacionado com a imagem, com o que está por fora, sem se conhecer como a pessoa é verdadeiramente. Eu sei como sou, posso ser preguiçoso, mas quando é para se trabalhar, sou de arregaçar logo as mangas. Mas se me cortam constantemente as pernas, não consigo ficar à superfície. Olhar para mim e assumir que não sei fazer nada não me parece que seja uma atitude inteligente. Sou de vestir a camisola a 100% ou mais, se for preciso. E ver esses palhaços que andam por aí a recrutar, pejados de arrogância quando lidam com candidatos, mas a lamber cús à grande quando vão cantar músicas aos empregadores, mete dó. Tenho pena dessa gente. Mas quem se fode é o migra.
Vim enfiar-me num buraco. Sorte ter muita paciência. Vejo gente de papo para o ar e as coisas acontecem. Farto-me de lutar para conseguir alguma coisa de jeito na minha vida e nunca consigo nada. E falta-me aquele carisma! Muita gente pensa que não faço nada, dão-me conselhos e mais conselhos, como se estivesse parado à espera que as coisas aconteçam. O carisma que falta é as pessoas perceberem que luto, e que tenho o caralho de uma falta de sorte!
Sei muito bem que um curso superior não é o garante de uma profissão condizente, não preciso que me expliquem certas e determinadas coisas como se fosse muito burro. Só gostava de ter as hipóteses pelas quais luto, mas falta qualquer coisa para me vender a mim próprio.
Esta merda está a dar comigo em doido. Passo o dia calado, não se faz nada, vivo enfiado no quarto estupidamente quente. E o calor que tem estado! A temperatura mais baixa hoje foram 28 graus. Em plena noite.
E assim também vai a minha cabeça, quente, muito quente. E ninguém me diga para ter calma, porque se não a tivesse já me tinha pirado. E vontade não me falta. Ao menos que aqui consiga fazer o guito suficiente para pagar o bilhete para me ir embora.
De facto gostava que a vida voltasse para trás. E só pedia uma vez. Corrigia algumas coisas, sim. Quem nunca se enganou? Não sou minimamente apologista de que nunca nos devemos arrepender do que fazemos. Devemos fazê-lo, devemos assumir os erros, para não os repetirmos. Muita coisa que fazemos na vida, bem ou mal, mais tarde iremos desfrutar ou pagar.
Irrita-me que eu não tenha hipótese de desfrutar da correcção de alguns erros que fiz na vida. Não somos perfeitos, erramos, todos erramos. Tenho feito o máximo para compensar algumas coisas que não fiz, ou fiz do modo errado. Se serviu de alguma coisa? Népia! Dou comigo como migra sem qualquer esperança no futuro. "Ah e tal não sabes o dia de amanhã" Isto é o que muita gente pensará, mas essas palavras são um discurso feito, sem qualquer convicção. Sim, é pessimismo. Mas também não posso estar sempre a rir, também tenho direito à tristeza. Bem sei que quem se dá comigo (ou dava, que aqui não me dou com ninguém) está habituado a ver-me sempre rir, assumindo logo que sou sempre bem disposto. Sou, de facto, e considero-me optimista, mas também tenho direito a momentos de tristeza e de angústia.
Lá está, é sempre a merda da imagem que fica e se sobrepõe a tudo o resto. E aplica-se a processos de recrutamento, pelo menos aqueles que vão para além da cunha. Olham para o currículo de um gajo (aqueles que vêem mais que a data de nascimento) e traçam logo o perfil. Sem conhecer o candidato. Ainda por cima gente idiota sem qualquer carácter, que têm a mania que sabem muito. E como eu anda por aí muito boa gente aos caídos, sujeitos à primeira merda que lhes aparecer à frente. Isto para os mais novos, que os velhos (leia-se os que têm mais de 27 anos, que em Portugal são considerados idosos) bem podem ficar a chuchar no dedo, que nem num call center conseguem entrar. Fica-lhes pelo menos o poder de opção entre os diversos dedos para chuchar.
E aí é que está uma das minhas grandes falhas, fora do meu controlo: carisma. O carisma não se mede pela quantidade e qualidade de piadas, mede-se por uma certa aura existente à volta de uma pessoa, e ou se nasce com ela ou se nasce sem ela. Não é erro não ter carisma, é defeito. E impossível de corrigir. Resta lutar com outras armas. Mas para isso é preciso mais tempo de antena, e é preciso que quem esteja à nossa frente dê alguma hipótese, que acredite nas pessoas e tenha a coragem de ir além do "conheces alguém para aqui?" Prova disso é a primeira impressão que muita gente tem de mim, geralmente não gostam. Mas aprendem a gostar com o tempo.
E tudo relacionado com a imagem, com o que está por fora, sem se conhecer como a pessoa é verdadeiramente. Eu sei como sou, posso ser preguiçoso, mas quando é para se trabalhar, sou de arregaçar logo as mangas. Mas se me cortam constantemente as pernas, não consigo ficar à superfície. Olhar para mim e assumir que não sei fazer nada não me parece que seja uma atitude inteligente. Sou de vestir a camisola a 100% ou mais, se for preciso. E ver esses palhaços que andam por aí a recrutar, pejados de arrogância quando lidam com candidatos, mas a lamber cús à grande quando vão cantar músicas aos empregadores, mete dó. Tenho pena dessa gente. Mas quem se fode é o migra.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Fazer colheres de pau
Pois que é o que se faz quando nada de mais há para fazer. Pois lá fui eu ver um jogo de Footy, o famoso futebol australiano. Pensava eu que ia ver chapada da grossa! Pensava, pois bem! Mas não. Joga-se agora a Taça NAB, com regras próprias, mais pueris, onde o contacto físico (vulgo chapadona na fuça) não é permitido. Pois que não tem piada, parecem umas meninas a jogar. Mas continua a ser melhor que a javardeira da tourada. Quando começar o campeonato, talvez comece a chapada, mas para já só festinhas.Ainda agora cheguei e já tenho para aqui cartões sem fim. Bom, são só 3, mas é mesmo para dar um toque de exagero à coisa. Mas há-de vir um quarto cartão. Cartão multibanco, cartão da Universidade e cartão do Sindicato/Associação de Estudantes. Felizmente o cartão multibanco não tem foto, senão era ver-me a estragar multibancos por essa Austrália fora. É que a avaliar pelas fotos nos outros cartões... fonix que pareço a parte de trás de coisa nenhuma! Mas facto compensado pela minha beleza interior.
Quanto aos horários da Universidade, não disse que ia dar merda? Pois que deu! A sério, esta Universidade põe-me louco, e não é pouco.
Hoje esteve um calor do catano! Mas é que ferveu mesmo! Eram 8 da noite e estavam 35 graus. Espectáculo! Disto é que eu gosto, calorzinho bom! O problema é o bronzeado à parolo com que estou, do pescoço para cima e grande parte dos braços. No resto, um autêntico europeu.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Excesso de organização leva à desorganização
Finalmente fiz o meu "enrolment"! weeeeeeeeeee clap clap clap clap Lá fui à secretaria para receber ajuda. Recebi eu e recebeu a rapariga que me ajudou. De facto, ninguém pesca de "enrolments". Agora nova aventura se avizinha, o STS, que significa Student Timetabling System. Quer isto dizer que são os próprios alunos que estabelecem os seus horários.
Para já, tenho de esperar 48 horas, sendo que o mais provável é que apenas na segunda-feira consiga estabelecer os horários. Mas já sei de antemão que vou ter sérias dificuldades. Entretanto já tenho cartão de estudante, obviamente com uma fotografia de assassino. Validade até 28 de Fevereiro de 2014. Espero bem antes disso já me ter pirado daqui. E que fofos que foram, até uma agenda de aluno deram. Falta agora tratar da segurança, visto que os acessos às áreas interiores são feitos com código. E temos ainda uma conta de mail, mas bem gostaria que ela funcionasse.
Tanta organização! Que resulta em tanta desorganização!
Chego à universidade e mais parece que cheguei a um acampamento de "trance". O maior dos chavascais com tendas de feira e música aos altos dos gritos. Se a minha família sabe a universidade em que me meti... é bilhete de regresso na certa e ala para uma boa universidade tuga, onde gajos de barba feita e quarentões comandam os destinos das associações de estudantes.
Nunca passei tanto tempo numa cidade que não fosse Lisboa ou Porto. Por isso sinto-me já um Melbourniano. E vejo os turistas com outros olhos. Chinelinho, meia branca, mapa na mão e calo no dedo de tanto disparar a "fotografeira". Até já me perguntam indicações. E eu, claro, como bom Melbourniano que sou, lá ajudo no que puder. Mas não sem antes lhes foder o juízo com um belo sotaque australiano.
Mas falta contar essa de ver os turistas com outros olhos. É tanga! O que vejo é gente com vontade de conhecer, de descobrir novos lugares e novas gentes. Ou pelo menos aqueles que querem mesmo isso. Porque nota-se que anda por aí muito bom turista que para eles estar aqui ou estar na casa do caralho é uma e a mesma coisa.
Lá está, sempre a eterna discussão entre o turista e o viajante. Mas um viajante só vem a esta cidade é para apanhar o avião. Gosto da cidade e não me imaginaria a viver noutra cidade deste país, mas isto não é para viajantes. E mesmo os turistas são capazes de ficar um pouco tristes. Esta cidade não é para "turismar", é para viver. Muita vida (excepto nesta merda de subúrbio, ou qualquer outro subúrbio daqui), muito cosmopolita, muitas actividades. Aqui preza-se a vida. E ainda se fica grato.
Em Fitzroy, St. Kilda, Brighton, é onde a vida acontece. Restaurantes a dar com pau, bares e montes de merdas para se fazer. De tal modo que se sente um overload de informação. Tal e qual como a puta da minha universidade, que até ginásio tem. Mas o que podia mesmo ter era um pouco de sentido.
Para já, tenho de esperar 48 horas, sendo que o mais provável é que apenas na segunda-feira consiga estabelecer os horários. Mas já sei de antemão que vou ter sérias dificuldades. Entretanto já tenho cartão de estudante, obviamente com uma fotografia de assassino. Validade até 28 de Fevereiro de 2014. Espero bem antes disso já me ter pirado daqui. E que fofos que foram, até uma agenda de aluno deram. Falta agora tratar da segurança, visto que os acessos às áreas interiores são feitos com código. E temos ainda uma conta de mail, mas bem gostaria que ela funcionasse.
Tanta organização! Que resulta em tanta desorganização!
Chego à universidade e mais parece que cheguei a um acampamento de "trance". O maior dos chavascais com tendas de feira e música aos altos dos gritos. Se a minha família sabe a universidade em que me meti... é bilhete de regresso na certa e ala para uma boa universidade tuga, onde gajos de barba feita e quarentões comandam os destinos das associações de estudantes.
Nunca passei tanto tempo numa cidade que não fosse Lisboa ou Porto. Por isso sinto-me já um Melbourniano. E vejo os turistas com outros olhos. Chinelinho, meia branca, mapa na mão e calo no dedo de tanto disparar a "fotografeira". Até já me perguntam indicações. E eu, claro, como bom Melbourniano que sou, lá ajudo no que puder. Mas não sem antes lhes foder o juízo com um belo sotaque australiano.
Mas falta contar essa de ver os turistas com outros olhos. É tanga! O que vejo é gente com vontade de conhecer, de descobrir novos lugares e novas gentes. Ou pelo menos aqueles que querem mesmo isso. Porque nota-se que anda por aí muito bom turista que para eles estar aqui ou estar na casa do caralho é uma e a mesma coisa.
Lá está, sempre a eterna discussão entre o turista e o viajante. Mas um viajante só vem a esta cidade é para apanhar o avião. Gosto da cidade e não me imaginaria a viver noutra cidade deste país, mas isto não é para viajantes. E mesmo os turistas são capazes de ficar um pouco tristes. Esta cidade não é para "turismar", é para viver. Muita vida (excepto nesta merda de subúrbio, ou qualquer outro subúrbio daqui), muito cosmopolita, muitas actividades. Aqui preza-se a vida. E ainda se fica grato.
Em Fitzroy, St. Kilda, Brighton, é onde a vida acontece. Restaurantes a dar com pau, bares e montes de merdas para se fazer. De tal modo que se sente um overload de informação. Tal e qual como a puta da minha universidade, que até ginásio tem. Mas o que podia mesmo ter era um pouco de sentido.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Hoje vi pinguins!!!
Bom, não terá sido a primeira vez, já que os vi por diversas vezes na Nova Zelândia, mas é sempre simpático ver tão antipáticos animais. São fofos e dá vontade de apertar. Com força!
De entre muita coisa que se vê por aqui, esta foi uma boa visão. Mas também é da diversidade que gosto, principalmente daqueles que se vestem conforme lhes dá na gana, e ninguém tem nada a ver com isso. Cá para mim cada um pode ser perfeitamente o que quiser, contando com que não prejudique terceiros, faz parte das liberdades individuais. Agora andar tudo aos saltinhos, feitos pinguins, para observar bem como os outros andam vestidos, não faz parte de mim.
De facto já vi umas figuraças do catano, e gabo-lhes os tomates. É que alguns são mesmo extravagantes. Mas isso dá alegria à rua e fica sempre bem um pouco de variedade.
Amanhã vou à faculdade, já combinei com a rapariga da secretaria. Ela vai explicar-me o processo de "enrolment" como se eu fosse muito burro. Mas não o sou, ou então somos todos. É que ninguém percebe da coisa, nem mesmo o pessoal da secretaria. Mas a rapariga também não deve estar a entender bem o que digo. Poderia eu desabafar que estaria a falar chinês, mas caso assim fosse, ela entenderia, visto ser chinesa.
Já numa das quase 300 páginas do O'Book, da RUSU, o sindicato dos estudantes do RMIT, se goza com a situação. Este livro é um manual de sobrevivência para quem frequenta tão singelo instituto. E de facto, numa dessas páginas é prestado apoio moral aos alunos, face a este tão penoso processo de "enrol... ò car..."
Mas pasme-se! O Nuno meteu-se num sindicato! Quem diria! Sim, meti-me, mas se fosse um sindicato como os tugas, onde se pratica o chulismo do mais alto gabarito e se procura poleiro, cagava bem de alto. Contudo, uma das mensagens do RUSU é "booze". Fosga-se que estes gajos sonham com álcool. É que a própria Universidade faz menção a isso! Mas vim parar a uma Universidade de bêbedos ou de complicadinhos?
Olha, o que sei é que os pinguins é que são espertos, passam a noite escondidos nas rochas e de dia vão a banhos. E eu vou mas é para a cama.
De entre muita coisa que se vê por aqui, esta foi uma boa visão. Mas também é da diversidade que gosto, principalmente daqueles que se vestem conforme lhes dá na gana, e ninguém tem nada a ver com isso. Cá para mim cada um pode ser perfeitamente o que quiser, contando com que não prejudique terceiros, faz parte das liberdades individuais. Agora andar tudo aos saltinhos, feitos pinguins, para observar bem como os outros andam vestidos, não faz parte de mim.
De facto já vi umas figuraças do catano, e gabo-lhes os tomates. É que alguns são mesmo extravagantes. Mas isso dá alegria à rua e fica sempre bem um pouco de variedade.
Amanhã vou à faculdade, já combinei com a rapariga da secretaria. Ela vai explicar-me o processo de "enrolment" como se eu fosse muito burro. Mas não o sou, ou então somos todos. É que ninguém percebe da coisa, nem mesmo o pessoal da secretaria. Mas a rapariga também não deve estar a entender bem o que digo. Poderia eu desabafar que estaria a falar chinês, mas caso assim fosse, ela entenderia, visto ser chinesa.
Já numa das quase 300 páginas do O'Book, da RUSU, o sindicato dos estudantes do RMIT, se goza com a situação. Este livro é um manual de sobrevivência para quem frequenta tão singelo instituto. E de facto, numa dessas páginas é prestado apoio moral aos alunos, face a este tão penoso processo de "enrol... ò car..."
Mas pasme-se! O Nuno meteu-se num sindicato! Quem diria! Sim, meti-me, mas se fosse um sindicato como os tugas, onde se pratica o chulismo do mais alto gabarito e se procura poleiro, cagava bem de alto. Contudo, uma das mensagens do RUSU é "booze". Fosga-se que estes gajos sonham com álcool. É que a própria Universidade faz menção a isso! Mas vim parar a uma Universidade de bêbedos ou de complicadinhos?
Olha, o que sei é que os pinguins é que são espertos, passam a noite escondidos nas rochas e de dia vão a banhos. E eu vou mas é para a cama.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Linguagem
Pois que só tenho praticamente falado espanhol. Inglês quase nicles. Português muito menos. Vicissitudes de as únicas pessoas com quem praticamente me dou serem colombianas. Vejo as placas toponímicas, e ao invés de as ler na língua de Shakespeare, leio na língua de Cervantes (que excelente nível cultural para um nativo da língua de Camões).
Quando falo inglês até acho estranho. Há pouco ligou-me uma pessoa daqui, de quem me foi concedido (muito simpaticamente) o contacto. Pude ouvir um doce e suave inglês, podendo responder da mesma forma. Mas suave é coisa que o rapaz não me vai arranjar, que o mais certo é ir parar às obras. Mas enfim, deu para desenferrujar o inglês. E mal ou bem aqui nas obras ganha-se muito bem. E por isso caga na dignidade, que esta também tem preço. Quem não gostar de ter um conhecido como trolha, paciência! Temos pena.
Do que tenho saudades mesmo é de contar uma bela anedota, daquelas bem ordinárias e com direito a uma expressiva e clara linguagem bem gestual. Bem posso tentar contar anedotas aos meus parceiros de casa, mas isso da anedota tem muito a ver com a cultura. Poder até posso, mas mais vale fechar-me no meu mundo e sonhar com o meu regresso e desatar a arrotar anedotas do mais recauchetado humor.
Se for para as obras, infelizmente não poderei recorrer ao tão fino vernáculo de trolha. Se gritar lá de cima "Ò ESTRELA, QUERES COMETA?", o mais certo é acharem-me... diferente. Por isso, e antes de começar a partir pedra, mais vale começar em traduções credíveis das mais ordinárias bocas, dignas de um qualquer trolha. E nem pensar na tão velhinha "Ò filha, deves trabalhar na TMN, é que tens um cú que é um mimo", que aqui as operadoras são a Yes Optus, Vodafone, Telstra, Virgin e outras.
E por falar em linguagem, que vontade de a baixar aos mais baixos índices de qualidade quando penso na minha Universidade. Que imensa vontade tenho eu de os mandar para um grande e grosso mangalho, que lhes rompa o mais fino dos esfíncteres. Sim, estou a falar do "enrolment", que se está a provar herculeana tarefa, que não mais tem fim. Pois se a merda do programa foi alterado, por que raio na merda de uma semana ainda não alteraram o sistema informático? Obrigam-nos a fazer o "enrolment" sob o programa antigo para quê? Gostam de confusão? A sério, um "go to dick" não funciona, caso contrário muita anedota contaria aqui, mas tarda nada levam é com um bom "fuck you".
Quando falo inglês até acho estranho. Há pouco ligou-me uma pessoa daqui, de quem me foi concedido (muito simpaticamente) o contacto. Pude ouvir um doce e suave inglês, podendo responder da mesma forma. Mas suave é coisa que o rapaz não me vai arranjar, que o mais certo é ir parar às obras. Mas enfim, deu para desenferrujar o inglês. E mal ou bem aqui nas obras ganha-se muito bem. E por isso caga na dignidade, que esta também tem preço. Quem não gostar de ter um conhecido como trolha, paciência! Temos pena.
Do que tenho saudades mesmo é de contar uma bela anedota, daquelas bem ordinárias e com direito a uma expressiva e clara linguagem bem gestual. Bem posso tentar contar anedotas aos meus parceiros de casa, mas isso da anedota tem muito a ver com a cultura. Poder até posso, mas mais vale fechar-me no meu mundo e sonhar com o meu regresso e desatar a arrotar anedotas do mais recauchetado humor.
Se for para as obras, infelizmente não poderei recorrer ao tão fino vernáculo de trolha. Se gritar lá de cima "Ò ESTRELA, QUERES COMETA?", o mais certo é acharem-me... diferente. Por isso, e antes de começar a partir pedra, mais vale começar em traduções credíveis das mais ordinárias bocas, dignas de um qualquer trolha. E nem pensar na tão velhinha "Ò filha, deves trabalhar na TMN, é que tens um cú que é um mimo", que aqui as operadoras são a Yes Optus, Vodafone, Telstra, Virgin e outras.
E por falar em linguagem, que vontade de a baixar aos mais baixos índices de qualidade quando penso na minha Universidade. Que imensa vontade tenho eu de os mandar para um grande e grosso mangalho, que lhes rompa o mais fino dos esfíncteres. Sim, estou a falar do "enrolment", que se está a provar herculeana tarefa, que não mais tem fim. Pois se a merda do programa foi alterado, por que raio na merda de uma semana ainda não alteraram o sistema informático? Obrigam-nos a fazer o "enrolment" sob o programa antigo para quê? Gostam de confusão? A sério, um "go to dick" não funciona, caso contrário muita anedota contaria aqui, mas tarda nada levam é com um bom "fuck you".
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
A tecla do "o" já cá canta
Finalmente já tenho a tecla do "o" que tanta falta me fazia e tanta concentração me tirava. Na Quinta-Feira fui a uma loja de reparação de computadores aqui perto. Imagine-se, neste ermo existe uma loja de reparação de computadores! O rapaz disse que teria de substituir o teclado inteiro, coisa para 100 Dólares. Pediu depósito mas eu para não me chatear dei logo os 100 Dólares. Para não ficar sem computador por tempo indefinido ficou então combinado que me ligariam a dizer quando chegasse o teclado.
Pois que hoje lá recebi a mensagem e lá fui eu com o meu menino, a pensar já na desgraça que iriam ser 2 ou 3 dias sem computador. Se o tempo já anda devagar com computador, imagine-se sem. Estava lá outro rapaz, que ao pegar no novo teclado verifica que a tecla do F4 estava partida. Oh cum caneco! 'Tá tudo marado ou quê? O rapaz acabou então por dizer que iria substituir a tecla do "o" no meu teclado e ainda me devolvia 50 Dólares.
Devo dizer que doeu tanta falta de jeito junta. O rapaz parecia entender tanto de reparação de computadores como eu. Bom, mas ao fim de meia hora lá recebi o meu amado computador. E melhor, tendo apenas substituído a dita tecla, continuo com o meu belo teclado tuga.
A seguir fui à Universidade para entregar a nova Letter of Acceptance, assinada, conforme me foi solicitado. Também lá tive a sensação de que percebem tanto da coisa como eu. A trabalheira que um gajo tem para fazer uma coisa que à partida deveria ser simples, além de garantidamente dar merda da grossa, provavelmente acabará após o fim do Mestrado.
Hoje dei comigo em sites de imobiliárias para ver as casas de Carcavelos. Como que para matar saudades dos tempos que me deram enorme felicidade. De facto, a Linha de Cascais tem uma qualquer magia. Sempre teve. É muito especial. Se há dois cantinhos em Portugal onde me sinto verdadeiramente bem são na Linha e na minha linda cidade do Porto. Num dos sites encontrei o 1º B do meu prédio, a anunciar o seu arrendamento. Esta malta mete anúncios e depois esquecem-se de os tirar, isto porque a casa já se encontra arrendada há algum tempo. Mas deu para matar saudades da minha casinha.
E por falar no prédio onde vivia lembrei-me da puta da chinesa que se mudou para o andar por cima do meu. A gaja agora até de skis deve andar. A cabra fazia um chavascal tal que levava qualquer um à loucura. Felizmente parou com o barulho ao segundo aviso que lhe fiz. Deve ter sido do chapadão que levou na porta. Ou é burra ou é estúpida. Ou ambas! Parecia um cavalo a andar. No (infeliz) dia em que fui entregar a chave à imobiliária contaram-me que lhes ligou uma senhora, com sotaque achinesado, a perguntar quando é que o 2º C ficava vago. Pois às senhoras da imobiliária tanta precisão soou-lhes estranha, pois só quem vive no prédio é que sabe a arrumação dos apartamentos. Pois a puta da chinesa (que cá para mim está é com falta de ser fumada) viu o autocolante colado na porta da lavandaria (sim, a minha casa tinha lavandaria), onde anuncia o arrendamento do apartamento, pegou no telefone e pimba de saber se o incomodativo vizinho de baixo demora muito a sair pois sua excelentíssima putéfia deseja caminhar qual besta cavalar.
Era bem feito que eu voltasse!
Pois que hoje lá recebi a mensagem e lá fui eu com o meu menino, a pensar já na desgraça que iriam ser 2 ou 3 dias sem computador. Se o tempo já anda devagar com computador, imagine-se sem. Estava lá outro rapaz, que ao pegar no novo teclado verifica que a tecla do F4 estava partida. Oh cum caneco! 'Tá tudo marado ou quê? O rapaz acabou então por dizer que iria substituir a tecla do "o" no meu teclado e ainda me devolvia 50 Dólares.
Devo dizer que doeu tanta falta de jeito junta. O rapaz parecia entender tanto de reparação de computadores como eu. Bom, mas ao fim de meia hora lá recebi o meu amado computador. E melhor, tendo apenas substituído a dita tecla, continuo com o meu belo teclado tuga.
A seguir fui à Universidade para entregar a nova Letter of Acceptance, assinada, conforme me foi solicitado. Também lá tive a sensação de que percebem tanto da coisa como eu. A trabalheira que um gajo tem para fazer uma coisa que à partida deveria ser simples, além de garantidamente dar merda da grossa, provavelmente acabará após o fim do Mestrado.
Hoje dei comigo em sites de imobiliárias para ver as casas de Carcavelos. Como que para matar saudades dos tempos que me deram enorme felicidade. De facto, a Linha de Cascais tem uma qualquer magia. Sempre teve. É muito especial. Se há dois cantinhos em Portugal onde me sinto verdadeiramente bem são na Linha e na minha linda cidade do Porto. Num dos sites encontrei o 1º B do meu prédio, a anunciar o seu arrendamento. Esta malta mete anúncios e depois esquecem-se de os tirar, isto porque a casa já se encontra arrendada há algum tempo. Mas deu para matar saudades da minha casinha.
E por falar no prédio onde vivia lembrei-me da puta da chinesa que se mudou para o andar por cima do meu. A gaja agora até de skis deve andar. A cabra fazia um chavascal tal que levava qualquer um à loucura. Felizmente parou com o barulho ao segundo aviso que lhe fiz. Deve ter sido do chapadão que levou na porta. Ou é burra ou é estúpida. Ou ambas! Parecia um cavalo a andar. No (infeliz) dia em que fui entregar a chave à imobiliária contaram-me que lhes ligou uma senhora, com sotaque achinesado, a perguntar quando é que o 2º C ficava vago. Pois às senhoras da imobiliária tanta precisão soou-lhes estranha, pois só quem vive no prédio é que sabe a arrumação dos apartamentos. Pois a puta da chinesa (que cá para mim está é com falta de ser fumada) viu o autocolante colado na porta da lavandaria (sim, a minha casa tinha lavandaria), onde anuncia o arrendamento do apartamento, pegou no telefone e pimba de saber se o incomodativo vizinho de baixo demora muito a sair pois sua excelentíssima putéfia deseja caminhar qual besta cavalar.
Era bem feito que eu voltasse!
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Eternidade
Eternidade é o que parece o tempo que estou aqui. Nunca mais passa. Ou passa. Mas muito devagar. Anseio para que passe depressa, mas quanto mais anseio pela sua rapidez, mais lento ele passa. Cheguei há 11 dias e parece que já estou aqui há 11 anos. O tempo está a passar tão devagar que daqui a nada a Imigração ainda me vem chatear a moleirinha que já cá estou há muito tempo.
Neste ermo onde estou enfiado nada se passa. Muito menos o tempo. E tira-me a vontade de sair daqui. Mas também não convém abusar dos passeios, porque é urgente procurar trabalho. Mas este subúrbio é mesmo um fim de Mundo.
Ontem ainda tive direito a um pouco de globalização. Os colombianos aqui da casa convidaram-me para jantar com outros conterrâneos. Num restaurante tailandês. Com direito a sobremesa num café italiano. Depois fomos para casa de um deles deitar abaixo umas quantas garrafas de tintol australiano e falar e ouvir música dos anos 80. A pdl foi conseguir chegar a casa depois das 2. Loucura mesmo!
Aqui deita-se tudo com as galinhas. Mas aqui no subúrbio, quando as galinhas se deitam já as gentes se deitaram há muito. Só não se deita o cabrão do grilo do jardim, que não se cala toda a santa noite. O histérico devia ir galar grilas para outro lado, já devia ter percebido que aqui não há quem o satisfaça sexualmente e assim deixava-me em paz.
E aqui ouve-se tudo. Há bocado, na palmeira da casa em frente, estavam uns cabrões de uns pássaros enormes a chapada. Que chavascal que fizeram! Não deixam ninguém dormir às 9 da noite. Resta-me a emoção de cada combóio que passa desata num chorrilho de apitos e contra-apitos. O gajo passa a 500 metros de casa, mas com o sossego que isto é, ouve-se daqui. Sim, à 1 da matina também apita como um louco.
Salva-se a Internet, essa excelente invenção que me aproxima dos meus. O fuso horário é que não ajuda muito. E o mail. E este blogue onde este marmelo lá vai vomitando e verborreando o que lhe vai na alma, ao mesmo tempo que ouve televisão portuguesa.
O outro puto que cá está em casa, bom rapaz, perdoando-lhe por isso o facto de não saber quem são os Pink Floyd, lá vai aprendendo umas coisas comigo. Daí haver uma mamã colombiana muito agradecida à minha pessoa, por lhe estar a tomar conta do petiz. À parte de andar a ensinar o rapaz a cozinhar comida que se coma, ainda hoje, e valendo-me dos meus conhecimentos de aeroporto, o ensinei a abrir uma mala fechada a cadeado. Com a chave lá dentro. Sim sim, continuem descansados a meter um sem número de cadeados nas vossas malas, convencidos que ninguém toca no que está lá dentro.
Fonix, o tempo é que podia ajudar e passar mais depressa, mesmo que fosse só para mim. De facto, quando uma pessoa está feliz, o tempo passa bem depressa.
Neste ermo onde estou enfiado nada se passa. Muito menos o tempo. E tira-me a vontade de sair daqui. Mas também não convém abusar dos passeios, porque é urgente procurar trabalho. Mas este subúrbio é mesmo um fim de Mundo.
Ontem ainda tive direito a um pouco de globalização. Os colombianos aqui da casa convidaram-me para jantar com outros conterrâneos. Num restaurante tailandês. Com direito a sobremesa num café italiano. Depois fomos para casa de um deles deitar abaixo umas quantas garrafas de tintol australiano e falar e ouvir música dos anos 80. A pdl foi conseguir chegar a casa depois das 2. Loucura mesmo!
Aqui deita-se tudo com as galinhas. Mas aqui no subúrbio, quando as galinhas se deitam já as gentes se deitaram há muito. Só não se deita o cabrão do grilo do jardim, que não se cala toda a santa noite. O histérico devia ir galar grilas para outro lado, já devia ter percebido que aqui não há quem o satisfaça sexualmente e assim deixava-me em paz.
E aqui ouve-se tudo. Há bocado, na palmeira da casa em frente, estavam uns cabrões de uns pássaros enormes a chapada. Que chavascal que fizeram! Não deixam ninguém dormir às 9 da noite. Resta-me a emoção de cada combóio que passa desata num chorrilho de apitos e contra-apitos. O gajo passa a 500 metros de casa, mas com o sossego que isto é, ouve-se daqui. Sim, à 1 da matina também apita como um louco.
Salva-se a Internet, essa excelente invenção que me aproxima dos meus. O fuso horário é que não ajuda muito. E o mail. E este blogue onde este marmelo lá vai vomitando e verborreando o que lhe vai na alma, ao mesmo tempo que ouve televisão portuguesa.
O outro puto que cá está em casa, bom rapaz, perdoando-lhe por isso o facto de não saber quem são os Pink Floyd, lá vai aprendendo umas coisas comigo. Daí haver uma mamã colombiana muito agradecida à minha pessoa, por lhe estar a tomar conta do petiz. À parte de andar a ensinar o rapaz a cozinhar comida que se coma, ainda hoje, e valendo-me dos meus conhecimentos de aeroporto, o ensinei a abrir uma mala fechada a cadeado. Com a chave lá dentro. Sim sim, continuem descansados a meter um sem número de cadeados nas vossas malas, convencidos que ninguém toca no que está lá dentro.
Fonix, o tempo é que podia ajudar e passar mais depressa, mesmo que fosse só para mim. De facto, quando uma pessoa está feliz, o tempo passa bem depressa.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
E os valores pá?
Pois é meus amigos, vi agora um vídeo que, além de me rever inteiramente nele, como português, assenta que nem uma luva em muitos povos.
E fala-se no vídeo de uma crise pior que a financeira, a crise de valores. Explica o rapaz, colombiano de origem japonesa, que o Japão é um país pobre. Se pararmos um pouco para pensar, o rapaz não deixa de ter razão. O Japão não tem petróleo, não tem café e não tem muita coisa, a não ser espírito de união e de trabalho. Mas tem uma Economia avassaladora, porque lá poupa-se. E trabalha-se. Diz o rapaz que a Colômbia é um pais riquíssimo. Paramos outra vez para pensar, e chegamos à conclusão que é verdade. Este país tem petróleo e café a magotes. É riquíssimo. Mas socialmente muito pobre. E por isso mesmo não é uma Economia forte no panorama mundial.
No Rectângulo, de facto, não temos nada disso, mas no Luxemburgo também não mas entretanto têm uma Economia fortíssima. E têm união e espírito de luta. E isso leva à prosperidade. No Rectângulo queremos subsídios para tudo, como se de uma dependência se tratasse, como se o Estado tivesse obrigação de subsidiar tudo e todos.
Mas trabalhar não, que doem as cruzes. Na hora de trabalhar dói tudo a todos, mas passar noites ao relento e ao frio para comprar bilhetes para qualquer coisa, e ainda fazer gala disso, já não dói nada. E qualquer dia começa alguém a exigir subsídio ao Estado para se passar uma noite ao relento para comprar um bilhete para ver os U2 ou a Madonna.
Em boa hora vi este vídeo, faz tanto lembrar o nosso Portugal. É que até o "- Olá como vais? - Vamos mal" é mencionado. Está sempre tudo mal. Faz falta pensar positivo. Sim, bem sei que a vida não sorri para todos, bem sei que passamos tempos difíceis, mas o pensamento é sempre o mesmo. Há que lutar para as coisas melhorarem, não podemos ficar parados.
Temos que admitir, o discurso do vídeo enfia-nos a carapuça, à grande! A cultura vigente é a do "mamismo" à sombra da bananeira. E é ver barracas com plasmas lá dentro, mas entretanto barrigas vazias. É ver pessoas a chorarem-se na televisão que não têm dinheiro para pagar as despesas, vulgo luz, água, gás, televisão. Televisão? Mas se não têm dinheiro para quê que têm televisão por cabo? E a renda da casa. Pois, há que comprar casa, e nova. Ui! Falta o carro. Ah pois, é um bem de primeira necessidade. Assim como o telemóvel de última geração, comprado a prestações.
Vivi em casa arrendada (sim, arrendada, que alugar alugam-se bens móveis. Uma casa arrenda-se, não se aluga), não havia televisão por cabo e despesas bem controladas. E não morri por isso ou fui menos feliz. "Ah e tal, se estavas tão bem então porque emigraste?" A resposta é simples: porque não tenho perfil de subsídio-mamão. Quem tinha que me sustentar em devido tempo fê-lo no seu devido tempo. O Estado não é o meu papá ou a minha mamã.
A riqueza de um país, de um povo, faz-se do seu espírito de união e de trabalho. É chavão, mas também nós nos devemos interessar pelo que podemos dar ao País, para que este nos possa dar algo. O dinheiro não cai do céu e o Estado não o inventa.
A sério que sonho com um Portugal próspero, mas se nos prendemos à ofensa fácil aos governantes, que só eles é que têm a culpa, tudo não passará mesmo do sonho. Se os políticos são maus, o povo que se una e se imponha. Agora não "regatear" uma atitude menos positiva do Governo porque parece mal ou porque isto está bom é para a praia... Sorte dos povos do Norte da Europa não terem praia. Mas têm um Governo que está sob permanente escrutínio do povo, e se este não gosta de alguma coisa não precisam de partir tudo. Apenas se unem e exigem mudanças. Então acabemos com as praias em Portugal.
E fala-se no vídeo de uma crise pior que a financeira, a crise de valores. Explica o rapaz, colombiano de origem japonesa, que o Japão é um país pobre. Se pararmos um pouco para pensar, o rapaz não deixa de ter razão. O Japão não tem petróleo, não tem café e não tem muita coisa, a não ser espírito de união e de trabalho. Mas tem uma Economia avassaladora, porque lá poupa-se. E trabalha-se. Diz o rapaz que a Colômbia é um pais riquíssimo. Paramos outra vez para pensar, e chegamos à conclusão que é verdade. Este país tem petróleo e café a magotes. É riquíssimo. Mas socialmente muito pobre. E por isso mesmo não é uma Economia forte no panorama mundial.
No Rectângulo, de facto, não temos nada disso, mas no Luxemburgo também não mas entretanto têm uma Economia fortíssima. E têm união e espírito de luta. E isso leva à prosperidade. No Rectângulo queremos subsídios para tudo, como se de uma dependência se tratasse, como se o Estado tivesse obrigação de subsidiar tudo e todos.
Mas trabalhar não, que doem as cruzes. Na hora de trabalhar dói tudo a todos, mas passar noites ao relento e ao frio para comprar bilhetes para qualquer coisa, e ainda fazer gala disso, já não dói nada. E qualquer dia começa alguém a exigir subsídio ao Estado para se passar uma noite ao relento para comprar um bilhete para ver os U2 ou a Madonna.
Em boa hora vi este vídeo, faz tanto lembrar o nosso Portugal. É que até o "- Olá como vais? - Vamos mal" é mencionado. Está sempre tudo mal. Faz falta pensar positivo. Sim, bem sei que a vida não sorri para todos, bem sei que passamos tempos difíceis, mas o pensamento é sempre o mesmo. Há que lutar para as coisas melhorarem, não podemos ficar parados.
Temos que admitir, o discurso do vídeo enfia-nos a carapuça, à grande! A cultura vigente é a do "mamismo" à sombra da bananeira. E é ver barracas com plasmas lá dentro, mas entretanto barrigas vazias. É ver pessoas a chorarem-se na televisão que não têm dinheiro para pagar as despesas, vulgo luz, água, gás, televisão. Televisão? Mas se não têm dinheiro para quê que têm televisão por cabo? E a renda da casa. Pois, há que comprar casa, e nova. Ui! Falta o carro. Ah pois, é um bem de primeira necessidade. Assim como o telemóvel de última geração, comprado a prestações.
Vivi em casa arrendada (sim, arrendada, que alugar alugam-se bens móveis. Uma casa arrenda-se, não se aluga), não havia televisão por cabo e despesas bem controladas. E não morri por isso ou fui menos feliz. "Ah e tal, se estavas tão bem então porque emigraste?" A resposta é simples: porque não tenho perfil de subsídio-mamão. Quem tinha que me sustentar em devido tempo fê-lo no seu devido tempo. O Estado não é o meu papá ou a minha mamã.
A riqueza de um país, de um povo, faz-se do seu espírito de união e de trabalho. É chavão, mas também nós nos devemos interessar pelo que podemos dar ao País, para que este nos possa dar algo. O dinheiro não cai do céu e o Estado não o inventa.
A sério que sonho com um Portugal próspero, mas se nos prendemos à ofensa fácil aos governantes, que só eles é que têm a culpa, tudo não passará mesmo do sonho. Se os políticos são maus, o povo que se una e se imponha. Agora não "regatear" uma atitude menos positiva do Governo porque parece mal ou porque isto está bom é para a praia... Sorte dos povos do Norte da Europa não terem praia. Mas têm um Governo que está sob permanente escrutínio do povo, e se este não gosta de alguma coisa não precisam de partir tudo. Apenas se unem e exigem mudanças. Então acabemos com as praias em Portugal.
Alguém me disse "vê lá não leves a crise lá para baixo"
E não é que é mesmo verdade? Fonix! Aqui não se fala noutra coisa. Lojas a fecharem, empresas a despedirem. Ora porra! Querem ver que fui eu que trouxe a crise comigo? É que não me lembro mesmo nada de a ter posto nas minhas malas. A sério, conferi tudo e trouxe roupa e o material fotográfico. E claro, o belo do portátil mais a puta da tecla do "o" que me continua a enervar.
Pois hoje fui jantar ao restaurante Madeira, do simpático casal Luís e Maria. Fui muito bem recebido e ainda insistiram para que ficasse a fazer companhia durante o seu jantar. Mais tempo teria ficado não fosse nesta terra tudo fechar cedo. Nomeadamente os combóios. Não esquecendo o facto de eu estar a morar num desterro, que me dá a sensação de ser por aqui o seu único residente.
Disse-me o Luís que se nota menos gente nos restaurantes, e dos que vão, que gastam menos. Se a SIC descobre isto fica um mês inteiro a falar do mesmo, com direito a intermináveis directos.
Eu até gostaria de visitar a Associação Portuguesa de Victoria (aka Portuguese Association of Victoria) mas aquilo é para lá de onde o maluco do Judas perdeu as botas. Ouvir música pimba hard core seria altamente recompensado com umas Super Bocks e um Delta. Mas fonix, só se me quisesse penitenciar é que iria àquele desterro, que até para lá ir de carro dá para um gajo penar.
Voltando ao casal Luís e Maria, ele madeirense, ela sul-africana de origem tuga. Ele bazou do Rectângulo em 1975. Raízes? Só se for para meter no chá. Foi-se para a Venezuela e depois para a Cidade do Cabo, na África do Sul, mudando-se para aqui há 3 anos e meio. Quando se lembra vai a Portugal, sabe bem utilizar a desculpa da distância para visitar uma terra com a qual perdeu toda e qualquer ligação. Longe vão as lágrimas e a dor da separação. As distâncias criam defesas. No fundo, são lições de vida. Mas não lhe retiram qualquer humanidade. Quando fecharam o restaurante era vê-los encher os pratos dos funcionários, bem atafulhados de comida. E se quiserem levem mais para casa. E vejam se comem. Tratados como filhos.
Mas queixam-se do costume, desta desunião que tanto caracteriza os tugas. Porra, somos 7.000 aqui no Estado de Victoria, mas união "tá quieto"! Cada um por si. E dos poucos com quem se fala, mais valia ficar calado. Nota-se bem no casal o que se nota em mim, um desejo de ter uma comunidade unida, um local de encontro para as conversas e passar o tempo. De que adianta ter grupos e associações se ninguém quer saber? Quanto mais não fosse, fizessem-no pelo negócio, mas nem isso.
Os chineses juntam-se em comunidades fortes, os árabes, turcos, espanhóis, e por aí fora. Nós juntamo-nos em comunidades unitárias, isoladas do Mundo, isoladas de nós próprios. E isto nada mais é do que o espelho do nosso Portugal, estamos de rastos porque união é coisa que não existe, parece mal falar dela e interessa é o meu umbigo e o dos outros que se f...
Pois hoje fui jantar ao restaurante Madeira, do simpático casal Luís e Maria. Fui muito bem recebido e ainda insistiram para que ficasse a fazer companhia durante o seu jantar. Mais tempo teria ficado não fosse nesta terra tudo fechar cedo. Nomeadamente os combóios. Não esquecendo o facto de eu estar a morar num desterro, que me dá a sensação de ser por aqui o seu único residente.
Disse-me o Luís que se nota menos gente nos restaurantes, e dos que vão, que gastam menos. Se a SIC descobre isto fica um mês inteiro a falar do mesmo, com direito a intermináveis directos.
Eu até gostaria de visitar a Associação Portuguesa de Victoria (aka Portuguese Association of Victoria) mas aquilo é para lá de onde o maluco do Judas perdeu as botas. Ouvir música pimba hard core seria altamente recompensado com umas Super Bocks e um Delta. Mas fonix, só se me quisesse penitenciar é que iria àquele desterro, que até para lá ir de carro dá para um gajo penar.
Voltando ao casal Luís e Maria, ele madeirense, ela sul-africana de origem tuga. Ele bazou do Rectângulo em 1975. Raízes? Só se for para meter no chá. Foi-se para a Venezuela e depois para a Cidade do Cabo, na África do Sul, mudando-se para aqui há 3 anos e meio. Quando se lembra vai a Portugal, sabe bem utilizar a desculpa da distância para visitar uma terra com a qual perdeu toda e qualquer ligação. Longe vão as lágrimas e a dor da separação. As distâncias criam defesas. No fundo, são lições de vida. Mas não lhe retiram qualquer humanidade. Quando fecharam o restaurante era vê-los encher os pratos dos funcionários, bem atafulhados de comida. E se quiserem levem mais para casa. E vejam se comem. Tratados como filhos.
Mas queixam-se do costume, desta desunião que tanto caracteriza os tugas. Porra, somos 7.000 aqui no Estado de Victoria, mas união "tá quieto"! Cada um por si. E dos poucos com quem se fala, mais valia ficar calado. Nota-se bem no casal o que se nota em mim, um desejo de ter uma comunidade unida, um local de encontro para as conversas e passar o tempo. De que adianta ter grupos e associações se ninguém quer saber? Quanto mais não fosse, fizessem-no pelo negócio, mas nem isso.
Os chineses juntam-se em comunidades fortes, os árabes, turcos, espanhóis, e por aí fora. Nós juntamo-nos em comunidades unitárias, isoladas do Mundo, isoladas de nós próprios. E isto nada mais é do que o espelho do nosso Portugal, estamos de rastos porque união é coisa que não existe, parece mal falar dela e interessa é o meu umbigo e o dos outros que se f...
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Da crise e outras histórias
Desengane-se quem pense que o Brasil, Canadá, Angola, Dubai e Austrália são mananciais de felicidade, dinheiro e prosperidade. Uma das primeiras notícias com que fui brindado após a minha chegada foi a do Banco ANZ (o segundo maior banco aqui do bairro) despedir cerca de 1.000 funcionários. Fiquei a pensar na rapariga que me trocou Euros por Dólares Australianos, coitada, tão simpática e prestável.
Hoje, notícia do dia, a Qantas (por favor ler "cantas" e não "cuantas") vai despedir cerca de 1.200 funcionários, 600 dos quais já este mês. E a seguir uma lista das empresas que vão despedir em breve. Sim, já sei, a taxa de desemprego é baixa, 5,1%. Mas nem este, nem os países acima mencionados são propriamente paraísos.
Existe o velho hábito de pensar que estes países não conhecem a palavra crise e que as pessoas se devem mudar para os respectivos. Sinceramente, é um sentimento um pouco redutor que leva a crer num certo facilitismo. Não acreditem em tudo o que vêm por aí, aqui a vida também custa e já vi muito boa loja fechada.
Agora o que não compreendo (ou finjo não compreender) é por que raio estes gajos trabalham das 09.00 às 17.00, centros comerciais a fechar às 18.00, trabalhar ao sábado só se forem os otários, já para não falar dos que trabalham das 11.00 às 17.00, entre outras preciosidades, e produzem e o raio do país tem guito. No nosso Rectângulo o Governo, ansioso por satisfazer os caprichos dos seus amantes, põe tudo a trabalhar debaixo de porrada. E será que resulta? Sim, aquela meia hora a mais deve resultar à brava. E o corte dos feriados. Ah! E por falar em feriados, desenganem-se os incautos, Portugal tem menos feriados que muitos países e, pior, se um feriado calha num fim-de-semana, o mesmo não passa para segunda-feira. Por isso, antes de se criticar seja o que for, que se cultive primeiro.
Mas como se não bastasse a trampa de cobardes que temos na nossa política, o Zé também não ajuda. Uns só querem saber do fim do mês, outros só querem saber de greves. E falando por mim, que visto sempre a camisola, fico sempre a chuchar no dedo, ou porque sou velho, ou porque sou novo, ou porque tenho muita experiência, ou porque tenho pouca experiência, ou porque tenho muita formação académica, ou porque tenho pouca formação académica. No fundo, o que não tenho mesmo é a cunha certa. Posso mencionar o caso de Outubro de 2010, altura da minha última entrevista de emprego, mas anterior à continuação de envio de diversos currículos, entrevista essa para uma daquelas empresas de aviões, uns que são muito branquinhos. A entrevista foi apenas para fazer vista. E a gaja era, de facto, uma cabra armada em boa. Que se foda! Não sabe o que perdeu! Só tenho pena que os patrões não vejam (e nem se interessem) a merda que têm a contratar.
E antes que me moam o juízo por causa das candidaturas e tal, para que saibam já tentei vender-me de 1001 maneiras. Mas não vale a pena, a cobardia no recrutamento é tanta que nem que se conheça o patrão se consegue a posição. E não me venham com a história daquele marmelo de Braga, que tem aquela pronúncia fajuta e nojenta, armado em gajo com piada. O gajo é um fanfarrão que não sabe de nada. O gajo é patrão e aposto com quem quiser como ele nunca teve uma abordagem daquelas fosse com quem fosse. Mas se for preciso fazer de palhaço, lá por isso faço.
Hoje, notícia do dia, a Qantas (por favor ler "cantas" e não "cuantas") vai despedir cerca de 1.200 funcionários, 600 dos quais já este mês. E a seguir uma lista das empresas que vão despedir em breve. Sim, já sei, a taxa de desemprego é baixa, 5,1%. Mas nem este, nem os países acima mencionados são propriamente paraísos.
Existe o velho hábito de pensar que estes países não conhecem a palavra crise e que as pessoas se devem mudar para os respectivos. Sinceramente, é um sentimento um pouco redutor que leva a crer num certo facilitismo. Não acreditem em tudo o que vêm por aí, aqui a vida também custa e já vi muito boa loja fechada.
Agora o que não compreendo (ou finjo não compreender) é por que raio estes gajos trabalham das 09.00 às 17.00, centros comerciais a fechar às 18.00, trabalhar ao sábado só se forem os otários, já para não falar dos que trabalham das 11.00 às 17.00, entre outras preciosidades, e produzem e o raio do país tem guito. No nosso Rectângulo o Governo, ansioso por satisfazer os caprichos dos seus amantes, põe tudo a trabalhar debaixo de porrada. E será que resulta? Sim, aquela meia hora a mais deve resultar à brava. E o corte dos feriados. Ah! E por falar em feriados, desenganem-se os incautos, Portugal tem menos feriados que muitos países e, pior, se um feriado calha num fim-de-semana, o mesmo não passa para segunda-feira. Por isso, antes de se criticar seja o que for, que se cultive primeiro.
Mas como se não bastasse a trampa de cobardes que temos na nossa política, o Zé também não ajuda. Uns só querem saber do fim do mês, outros só querem saber de greves. E falando por mim, que visto sempre a camisola, fico sempre a chuchar no dedo, ou porque sou velho, ou porque sou novo, ou porque tenho muita experiência, ou porque tenho pouca experiência, ou porque tenho muita formação académica, ou porque tenho pouca formação académica. No fundo, o que não tenho mesmo é a cunha certa. Posso mencionar o caso de Outubro de 2010, altura da minha última entrevista de emprego, mas anterior à continuação de envio de diversos currículos, entrevista essa para uma daquelas empresas de aviões, uns que são muito branquinhos. A entrevista foi apenas para fazer vista. E a gaja era, de facto, uma cabra armada em boa. Que se foda! Não sabe o que perdeu! Só tenho pena que os patrões não vejam (e nem se interessem) a merda que têm a contratar.
E antes que me moam o juízo por causa das candidaturas e tal, para que saibam já tentei vender-me de 1001 maneiras. Mas não vale a pena, a cobardia no recrutamento é tanta que nem que se conheça o patrão se consegue a posição. E não me venham com a história daquele marmelo de Braga, que tem aquela pronúncia fajuta e nojenta, armado em gajo com piada. O gajo é um fanfarrão que não sabe de nada. O gajo é patrão e aposto com quem quiser como ele nunca teve uma abordagem daquelas fosse com quem fosse. Mas se for preciso fazer de palhaço, lá por isso faço.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Histórias de desorganização
Hoje matei saudades do nosso Portugal. Fui à sessão de informação do Mestrado, onde somos guiados pelo processo de "enrolment" no dito. Ia a sessão começar e aparece uma senhora da secretaria a pedir imensas desculpas, que o programa do Mestrado foi alterado e esqueceram-se de avisar os alunos. Só esta manhã é que deram pelo erro. Por isso, aconselharam-nos a não fazermos já o "enrolment" porque só irá criar confusão, pelo que nos vão enviar novos convites (um gajo paga balúrdios para aqui estar e sujeita-se a n provas e ainda é dado como convidado) e na próxima semana poderemos então fazer o "enrolment". Mas espera lá! Então a Austrália não é um país muito à frente? Sim, é! Mas entretanto aqui também existe desorganização e falta de atenção. Afinal Portugal é um país muito à frente. Mas até temos escolas onde existe organização (se bem que de todas por onde passei, só uma é que passa com nota 10).
Já falei 3 vezes do "enrolment" (agora 4). Sim, vou explicar o que é isso (e não repeti a palavra "enrolment" por pura preguiça). Isso é o processo pelo qual nos inscrevemos nas disciplinas que queremos fazer. Mas fonix, somos obrigados a fazê-las todas! A mim parece-me mais uma cena para chatear do que outra coisa qualquer. Eh pá, tudo bem, até nos podem pôr a fazer essa cena, mas que fosse uma cena fácil. Ficámos todos a olhar como bois para um palácio. É que é preciso um Doutoramento para um gajo saber fazer um "enrolment". Ou seja, vai dar merda! Ou transpondo para aqui o que a rapariga de Hong Kong que estava ao meu lado disse: "I'm all fucked up with this, I don't understand a shit!"
Pelo menos, na próxima semana vamos ter o cocktail de apresentação professores, staff e alunos. E, frisado pela professora que deu a sessão, vai haver álcool. Deve ser alguma coisa importante para ter merecido tal destaque. A não ser que seja a forma de atrair os alunos. Eu cá preferia que fizessem o "enrolment" por mim, mas pronto, pode vir um Bombay.
PS: hoje matei a barriga de misérias no que toca a aviões, era vê-los passar todos por cima do meu claustro. E soube bem não ver qualquer easyJet.
Já falei 3 vezes do "enrolment" (agora 4). Sim, vou explicar o que é isso (e não repeti a palavra "enrolment" por pura preguiça). Isso é o processo pelo qual nos inscrevemos nas disciplinas que queremos fazer. Mas fonix, somos obrigados a fazê-las todas! A mim parece-me mais uma cena para chatear do que outra coisa qualquer. Eh pá, tudo bem, até nos podem pôr a fazer essa cena, mas que fosse uma cena fácil. Ficámos todos a olhar como bois para um palácio. É que é preciso um Doutoramento para um gajo saber fazer um "enrolment". Ou seja, vai dar merda! Ou transpondo para aqui o que a rapariga de Hong Kong que estava ao meu lado disse: "I'm all fucked up with this, I don't understand a shit!"
Pelo menos, na próxima semana vamos ter o cocktail de apresentação professores, staff e alunos. E, frisado pela professora que deu a sessão, vai haver álcool. Deve ser alguma coisa importante para ter merecido tal destaque. A não ser que seja a forma de atrair os alunos. Eu cá preferia que fizessem o "enrolment" por mim, mas pronto, pode vir um Bombay.
PS: hoje matei a barriga de misérias no que toca a aviões, era vê-los passar todos por cima do meu claustro. E soube bem não ver qualquer easyJet.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
E a cultura pá?
De entre muita coisa escabrosa que ouvi no sábado, uma delas foi a da diferença cultural. Porquê? Porque comentei que aqui é mais chato carregar um telemóvel do que em Portugal. No Rectângulo basta-nos ir a qualquer multibanco, digitar os dados necessários e carregamento efectuado no momento. Aqui temos de ir a uma loja de conveniência, pagar e depois informar a operadora dos dados do pagamento e do telemóvel e só depois é que podemos falar. Hum! Onde é que há aqui uma diferença cultural? A mim cheira-me mais a uma questão prática. A primeira operadora móvel na Austrália que experimente o carregamento por multibanco e vai ver o sucesso que vai ter. Se fosse ao contrário, aí sim, é que os portugueses seriam uns anormais. Entretanto levei com o velhinho chavão de "é a cultura deles pá!" Onde é que isso é cultura, volto eu a perguntar.
Irrita-me solenemente esta gente que acha que é fino falar das diferenças culturais, achando-se intelectualóides esquesitóides. Raios vos partam! Acordem para a vida. Nem fazem ideia do que falam, principalmente quando dizem que o povo da República Dominicana é muito simpático. Experimentem vocês trabalhar num resort e vão ver como também têm de ser simpáticos.
Felizmente nunca precisei de lições de cultura de um povo. Felizmente sempre soube respeitar as diferenças e não precisei andar pelo Mundo a conhecê-las. Bastou-me para tal não me limitar a novelas e futebol, nem à Maria ou à Caras. De determinado tipo de pessoas é que não admito que venham com a história "é a cultural deles pá!" A cultural deles é o que vou investigando durante a minha estada aqui, e não é certamente o facto de irem carregar o telemóvel a um supermercado que se torna um factor cultural.
Mas adiante. Quem me conhece sabe que fervo quando alguém se põe com a história de que "Portugal é isto, Portugal é aquilo". Fonix, Portugal é mais um país, com as suas virtudes e os seus defeitos, como outro país. "Ah e tal aqui não se pratica desporto". Ai não? Vão a Belém em Lisboa ou à Foz no Porto! São aos magotes! "Que irritante uma pessoa a querer sair do metro e as pessoas que vão entrar não deixam ninguém sair". De facto sim, é irritante, mas se a Austrália é considerado um país muito à frente e essa situação acontece em todo o lado, então leva-me a concluir que Portugal é também um país muito à frente. "Que nojo, os cães cagam em todo o lado!" O último cão que vi a fazer isso foi ontem, estava atrelado ao dono, este riu-se e continuou como se nada fosse, e eu estou aqui desde quinta-feira.
Uma coisa que me põe fora de mim são os pseudo-grafitis. Autêntica poluição aos mais variados níveis. Fantástico! Aqui também há! Hum! Mas só Portugal é que é retardado, aos olhos dos seus próprios filhos. Mas a Austrália, ainda sob os mesmos olhos é muito à frente. Bom, aqui uma palavra especial para os pobres coitados que gostam de riscar tudo o que têm pela frente: façam sexo, muito mesmo. Sim, compreendo que por não o conseguirem com terceiros vos leva a sujar paredes e a estragar propriedade pública. Usem as vossas próprias mãos e fechem os olhos, isso também vos dará prazer e aliviará a vossa solidão e frustração. E usem e abusem dessa técnica. Até ficarem com os vossos instrumentos em ferida. Ao menos assim ficam de cama, de perna aberta, e não vão para a rua estragar propriedade pública que serve para o dia-a-dia do povo.
Voltando à cultura, e à cantiga de que o povo português é mauzinho. Acreditem, somos tão mauzinhos como outro qualquer. O que se passa aqui, passa-se aí e passa-se em qualquer lugar, salvo algumas nuances. Não podemos ser tão derrotistas e estar sempre a falar mal do nosso umbigo. O nosso maior problema é mesmo não nos valorizarmos. Estes gajos valorizam-se e melhor, não se gabam. São felizes mas entretanto não se andam a cagar ao Mundo inteiro. Sabem que o são e aproveitam o bom que têm (mas as nossas praias são melhores! E do vinho nem se fala!)
Há por aí tanto intelectualóide a criticar tudo e todos sem sequer parar para pensar um pouco. Alguns até me deixam atónito, pois já passaram para além da rua onde moram e por isso teriam obrigação de medir as palavras e fazer uma análise mais cuidada.
Irrita-me solenemente esta gente que acha que é fino falar das diferenças culturais, achando-se intelectualóides esquesitóides. Raios vos partam! Acordem para a vida. Nem fazem ideia do que falam, principalmente quando dizem que o povo da República Dominicana é muito simpático. Experimentem vocês trabalhar num resort e vão ver como também têm de ser simpáticos.
Felizmente nunca precisei de lições de cultura de um povo. Felizmente sempre soube respeitar as diferenças e não precisei andar pelo Mundo a conhecê-las. Bastou-me para tal não me limitar a novelas e futebol, nem à Maria ou à Caras. De determinado tipo de pessoas é que não admito que venham com a história "é a cultural deles pá!" A cultural deles é o que vou investigando durante a minha estada aqui, e não é certamente o facto de irem carregar o telemóvel a um supermercado que se torna um factor cultural.
Mas adiante. Quem me conhece sabe que fervo quando alguém se põe com a história de que "Portugal é isto, Portugal é aquilo". Fonix, Portugal é mais um país, com as suas virtudes e os seus defeitos, como outro país. "Ah e tal aqui não se pratica desporto". Ai não? Vão a Belém em Lisboa ou à Foz no Porto! São aos magotes! "Que irritante uma pessoa a querer sair do metro e as pessoas que vão entrar não deixam ninguém sair". De facto sim, é irritante, mas se a Austrália é considerado um país muito à frente e essa situação acontece em todo o lado, então leva-me a concluir que Portugal é também um país muito à frente. "Que nojo, os cães cagam em todo o lado!" O último cão que vi a fazer isso foi ontem, estava atrelado ao dono, este riu-se e continuou como se nada fosse, e eu estou aqui desde quinta-feira.
Uma coisa que me põe fora de mim são os pseudo-grafitis. Autêntica poluição aos mais variados níveis. Fantástico! Aqui também há! Hum! Mas só Portugal é que é retardado, aos olhos dos seus próprios filhos. Mas a Austrália, ainda sob os mesmos olhos é muito à frente. Bom, aqui uma palavra especial para os pobres coitados que gostam de riscar tudo o que têm pela frente: façam sexo, muito mesmo. Sim, compreendo que por não o conseguirem com terceiros vos leva a sujar paredes e a estragar propriedade pública. Usem as vossas próprias mãos e fechem os olhos, isso também vos dará prazer e aliviará a vossa solidão e frustração. E usem e abusem dessa técnica. Até ficarem com os vossos instrumentos em ferida. Ao menos assim ficam de cama, de perna aberta, e não vão para a rua estragar propriedade pública que serve para o dia-a-dia do povo.
Voltando à cultura, e à cantiga de que o povo português é mauzinho. Acreditem, somos tão mauzinhos como outro qualquer. O que se passa aqui, passa-se aí e passa-se em qualquer lugar, salvo algumas nuances. Não podemos ser tão derrotistas e estar sempre a falar mal do nosso umbigo. O nosso maior problema é mesmo não nos valorizarmos. Estes gajos valorizam-se e melhor, não se gabam. São felizes mas entretanto não se andam a cagar ao Mundo inteiro. Sabem que o são e aproveitam o bom que têm (mas as nossas praias são melhores! E do vinho nem se fala!)
Há por aí tanto intelectualóide a criticar tudo e todos sem sequer parar para pensar um pouco. Alguns até me deixam atónito, pois já passaram para além da rua onde moram e por isso teriam obrigação de medir as palavras e fazer uma análise mais cuidada.
Saltou-me a tecla do "o"
Já alguns sabem que me saltou a tecla. A do "o", do meu portátil. É tudo a ajudar. E logo a do "o" que tanta falta faz na língua portuguesa. E isto porque queria limpar o pó ao teclado. Um gajo quer ser cuidadoso e descuida-se.
Até parece uma analogia. É o que quiserem. De facto, saltou-me uma tecla qualquer e tive de me fazer à vida, numa fase em que devia estar a estabilizar profissionalmente. Agora estou mais perto de servir às mesas ou de partir pedra.
Pouco mais de 4 meses após ter tido a ideia de vir para aqui, e pois que cá estou eu. Após assinaturas, estudo, exames de inglês, exames médicos (após algumas noites de copos ò para mim a fazer xixi num copinho e a entregar um raio-x ao tórax de um fumador de 2 maços diários, directamente para a Embaixada da Austrália). No fim, o choro, os abraços, as dúvidas.
Dúvidas, muitas. Se é disparatado o que fiz? Umas vezes acho que sim, outras que não. Outras em que não tenho qualquer opinião, mas normalmente nessas estou a dormir. Mas se em 10 anos a tentar mudar o rumo à minha vida me cortaram as pernas, não seria agora que como por milagre o conseguiria fazer no nosso Rectângulo. Mas bem que gostaria de contribuir para o nosso IRS. Percebem agora as dúvidas?
A princípio a raiva interior, quero bazar e não mais voltar. O dia aproxima-se, a raiva esvanece, a dor começa. A dor da despedida. E foda-se, dói! Ver uma pessoa da minha família, extremamente especial para mim, a chorar às escondidas, é uma puta de uma imagem que nesta fase da vida me marcou. O raio da mulher nunca na vida chorou. Sempre impávida e serena. E se há pessoa que tem todas as razões do Mundo para chorar é ela, pois está só.
A minha dor de deixar o meu coração em Lisboa. Por muitas turras que déssemos, valiam os momentos a lamber cornetos e a espetá-los no meio da testa. Aquela disfuncionalidade era o nosso momento, o nosso mundo. E se gostava! E se gosto!
A dor de deixar amigos que amo. A maior riqueza que podemos ter. Pensar permanentemente nisto tudo deixa-me lá em baixo. Dava jeito inventarem Viagra para a moral. Ou que a moral tivesse também a velhinha tesão do mijo. Sim, já sei, tanto marmelo por esse Mundo fora que deixa tudo para trás. Pois é, e perguntem lá se não lhes custa? Pois claro que custa, ou não posso deitar isso tudo cá para fora?
Os últimos dias foram lixados pá! Sessões contínuas da facadinhas no coração. Começou pela maravilhosa casa onde fui incalculavelmente feliz, acabando em despedidas consecutivas dos meus. E deixar para trás as lambidelas de cornetos.
Valeu pela viagem, foi um intervalo na encavadela geral. Cockpit no voo para Frankfurt e ainda um saquinho com surpresas (uma das surpresas a ser uma latinha de conserva com ar do Porto) e ainda upgrade para classe executiva no último voo. Voar 14 horas com este coiro deitadinho foi outra coisa. Obrigado primão!
Abu Dhabi. Quer ser Dubai. Vale pela praia. Mas ali não me apanhavam. Muito menos para comprar material fotográfico que para isso ficava aí e ia comprar o material à Colorfoto, que até estes conseguem fazer preços mais baratos. Telemóveis sim, que comprei um Nokia E5, desbloqueado, por 95 USD. E vem com letras árabes. Quando me lixarem a cabeça já sabem, vão levar com resposta em árabe. Pode ser que quem me moa o juízo leve com uma bomba no meio do totiço.
Voltando à tecla, está a enervar-me ao máximo, parece que o "o" é a letra mais utilizada em português. Levo que tempos a carregar na maldita tecla. E corta-me o pensamento. E este está a passar por uma revolução.
Até parece uma analogia. É o que quiserem. De facto, saltou-me uma tecla qualquer e tive de me fazer à vida, numa fase em que devia estar a estabilizar profissionalmente. Agora estou mais perto de servir às mesas ou de partir pedra.
Pouco mais de 4 meses após ter tido a ideia de vir para aqui, e pois que cá estou eu. Após assinaturas, estudo, exames de inglês, exames médicos (após algumas noites de copos ò para mim a fazer xixi num copinho e a entregar um raio-x ao tórax de um fumador de 2 maços diários, directamente para a Embaixada da Austrália). No fim, o choro, os abraços, as dúvidas.
Dúvidas, muitas. Se é disparatado o que fiz? Umas vezes acho que sim, outras que não. Outras em que não tenho qualquer opinião, mas normalmente nessas estou a dormir. Mas se em 10 anos a tentar mudar o rumo à minha vida me cortaram as pernas, não seria agora que como por milagre o conseguiria fazer no nosso Rectângulo. Mas bem que gostaria de contribuir para o nosso IRS. Percebem agora as dúvidas?
A princípio a raiva interior, quero bazar e não mais voltar. O dia aproxima-se, a raiva esvanece, a dor começa. A dor da despedida. E foda-se, dói! Ver uma pessoa da minha família, extremamente especial para mim, a chorar às escondidas, é uma puta de uma imagem que nesta fase da vida me marcou. O raio da mulher nunca na vida chorou. Sempre impávida e serena. E se há pessoa que tem todas as razões do Mundo para chorar é ela, pois está só.
A minha dor de deixar o meu coração em Lisboa. Por muitas turras que déssemos, valiam os momentos a lamber cornetos e a espetá-los no meio da testa. Aquela disfuncionalidade era o nosso momento, o nosso mundo. E se gostava! E se gosto!
A dor de deixar amigos que amo. A maior riqueza que podemos ter. Pensar permanentemente nisto tudo deixa-me lá em baixo. Dava jeito inventarem Viagra para a moral. Ou que a moral tivesse também a velhinha tesão do mijo. Sim, já sei, tanto marmelo por esse Mundo fora que deixa tudo para trás. Pois é, e perguntem lá se não lhes custa? Pois claro que custa, ou não posso deitar isso tudo cá para fora?
Os últimos dias foram lixados pá! Sessões contínuas da facadinhas no coração. Começou pela maravilhosa casa onde fui incalculavelmente feliz, acabando em despedidas consecutivas dos meus. E deixar para trás as lambidelas de cornetos.
Valeu pela viagem, foi um intervalo na encavadela geral. Cockpit no voo para Frankfurt e ainda um saquinho com surpresas (uma das surpresas a ser uma latinha de conserva com ar do Porto) e ainda upgrade para classe executiva no último voo. Voar 14 horas com este coiro deitadinho foi outra coisa. Obrigado primão!
Abu Dhabi. Quer ser Dubai. Vale pela praia. Mas ali não me apanhavam. Muito menos para comprar material fotográfico que para isso ficava aí e ia comprar o material à Colorfoto, que até estes conseguem fazer preços mais baratos. Telemóveis sim, que comprei um Nokia E5, desbloqueado, por 95 USD. E vem com letras árabes. Quando me lixarem a cabeça já sabem, vão levar com resposta em árabe. Pode ser que quem me moa o juízo leve com uma bomba no meio do totiço.
Voltando à tecla, está a enervar-me ao máximo, parece que o "o" é a letra mais utilizada em português. Levo que tempos a carregar na maldita tecla. E corta-me o pensamento. E este está a passar por uma revolução.
domingo, 12 de fevereiro de 2012
E a história começa
E a história começa com um gajo qualificado, num país desqualificado, com a crise e tal, é preciso sair. E bla bla bla. Mais um entre muitos e antes que o outro me chame de piegas (invejoso!) é melhor avançar.
E nem sequer vou começar pelo princípio, ou seja, pelo tão tradicional choro da despedida e afins. Comecemos antes pelo que me traz aqui.
A coisa em Portugal ficou difícil, o emprego foi-se. Ora como sou um cota do caraças, na altura em que a empresa se finou estava eu com 38 anos, não há cá de contratar este velho que há-de vir cheio de vícios e pedir mundos e fundos. Mas senhores recrutadores, longe de mim querer incomodá-los, na vossa douta e superior sapiência, que cunhas para vocês só mesmo as dos sapatos.
Ou seja, a utilidade para os meus diplomas e certificados de habilitações é a mesma do papel higiénico, com a diferença que este último arranha menos.
Ora após anos de envio de candidaturas a empregos (sim, em diversas áreas, não sou assim tão chapadinho) e sem receber respostas (lá está, as minhas sinceras desculpas aos senhores recrutadores pelo tempo que vos fiz perder a procurar a minha idade nos currículos), presumo então ser uma persona non grata no mercado de trabalho do nosso Rectângulo. Solução? Ala para fora.
E eis-me na Austrália. Lá está, percebem agora a minha prova de inteligência ao dar o nome que dei ao blogue? Fantástico!
Mas como a Austrália é muito grande, há que localizar melhor a coisa. E a coisa é Melbourne. Cidade cosmopolita e beca beca beca, que não sou pago para fazer publicidade à cidade. Sim, centro muito bonito, mas os subúrbios... parece que estou numa qualquer cidade americana.
Aos pontos ganha este povo pela simpatia. Há 2 dias fui comprar o passe para os transportes, o homem tinha ar de mal encarado. "Hi! How are you today?" Uff! Que simpático! Fui brindado com o tradicional cumprimento Wallabie. Antipáticos aqui? Aos magotes! Mas não falam inglês.
Agora a p... da saudade é que me mata. Em Setembro, quando iniciei o processo para ser migra, era só raiva, e que bazava de Portugal e não voltava e o diabo à quatro! Agora? Tenho saudades, claro! No Rectângulo era feliz. Muito feliz! Muito mesmo. E não precisava de viver num palácio, ter criados, vários carros, aviões, barcos, meninas de programa apaixonadas pelo meu dinheiro. Tinha o dinheiro necessário para viver a vida, e nunca pedi mais que isso. A minha família, os meus amigos, a minha vida, tudo isso me fazia feliz. E o coração (apesar do tabaco que lhe atirava às trombas!)
Mas como não tenho perfil de subsídio-mamão (nota-se, por isso é que levei 4 meses para receber o subsídio de desemprego, nas vésperas de sair. Se fosse vendedor de feira e traficante encardido era logo), tive de me virar. A Austrália é um grande país, em muita coisa, mas não vale a pena ficar cegamente apaixonado. Tem defeitos como os outros.
Esta gente tem um modus vivendi muito deles, são descomplexados (fonix, metade das figurinhas que aqui vi em 3 dias davam para parar o Rectângulo, ficava tudo a olhar), são felizes, levam tudo na desportiva. Ah! E educados. Que bom estar numa fila e ninguém passar à frente, que bom ver o respeito que se tem pelos velhos e pelos animais. Eh pá, essas merdas! A sério que dá gosto.
Contudo, e por muito que goste e respeite este país, não é propriamente a minha praia. Sim, já sei, sou um "ganda" estúpido! Mal agradecido é que não porque para estar aqui a viver arrotei o belo do guito, por isso se for mal agradecido é a mim mesmo (e aí teria de amuar com o meu Eu). Sim, também sei que é muito cedo. Mas já vim para aqui sem grande moral. "Ouve lá ò palhaço, se foste (e não "fostes") para aí sem moral, para quê que foste?" Ora carago, porque foi a única solução que tive.
Agora o que me f... o juízo é ter de começar tudo de novo. Diziam-me ontem "ah que disparate, então e começas, qual é o problema? Isto aqui é a terra das oportunidades" Ai santíssimo sexo que faz tanta falta a tanta gente! Excesso de falta de sexo leva a dizer baboseiras cinderelescas, como se este país fosse um maná de empregos e oportunidades. Que há muitas oportunidades sei eu, se fosse para ir para uma cópia do nosso país, tinha aí ficado ora porra! Agora acho que um gajo tem direito a desabafar e a sentir-se fornicado por à porta dos 40 anos voltar tudo atrás na carreira, depois de ter estudado para trabalhar e não para limpar o rêgo a diplomas de Direito. Resta apenas mencionar que quem teve esta tirada veio para aqui com trabalho na mão e não teve nenhum downgrade na carreira. Pois, com a vida facilitada é fácil falar.
A esta hora estão os pseudo-positivistas a chamar-me de negativista e o car...! Olhem, é mesmo esse que podem enfiar num sítio que cá sei. Sou eu mais positivista que muitos cretinos que por aí andam a ofender tudo e todos, com a mania que são intelectuais. Se fosse negativista ficava com o rabo em casa. E não, o povo tuga não é todo negativista, e sim, negativistas há por todo o lado. O que faz falta a muita gente é andarem por esse mundo fora, aquele mundo para além da República Dominicana, Cancún e Varadero.
Bom, o que interessa é que já aqui estou, e pontapé para a frente. Mas hei-de voltar. Sim, ao blogue também.
PS: nhec! Já sinto saudades de ouvir um bom motor a jacto. Até podia ser da easyJet.
E nem sequer vou começar pelo princípio, ou seja, pelo tão tradicional choro da despedida e afins. Comecemos antes pelo que me traz aqui.
A coisa em Portugal ficou difícil, o emprego foi-se. Ora como sou um cota do caraças, na altura em que a empresa se finou estava eu com 38 anos, não há cá de contratar este velho que há-de vir cheio de vícios e pedir mundos e fundos. Mas senhores recrutadores, longe de mim querer incomodá-los, na vossa douta e superior sapiência, que cunhas para vocês só mesmo as dos sapatos.
Ou seja, a utilidade para os meus diplomas e certificados de habilitações é a mesma do papel higiénico, com a diferença que este último arranha menos.
Ora após anos de envio de candidaturas a empregos (sim, em diversas áreas, não sou assim tão chapadinho) e sem receber respostas (lá está, as minhas sinceras desculpas aos senhores recrutadores pelo tempo que vos fiz perder a procurar a minha idade nos currículos), presumo então ser uma persona non grata no mercado de trabalho do nosso Rectângulo. Solução? Ala para fora.
E eis-me na Austrália. Lá está, percebem agora a minha prova de inteligência ao dar o nome que dei ao blogue? Fantástico!
Mas como a Austrália é muito grande, há que localizar melhor a coisa. E a coisa é Melbourne. Cidade cosmopolita e beca beca beca, que não sou pago para fazer publicidade à cidade. Sim, centro muito bonito, mas os subúrbios... parece que estou numa qualquer cidade americana.
Aos pontos ganha este povo pela simpatia. Há 2 dias fui comprar o passe para os transportes, o homem tinha ar de mal encarado. "Hi! How are you today?" Uff! Que simpático! Fui brindado com o tradicional cumprimento Wallabie. Antipáticos aqui? Aos magotes! Mas não falam inglês.
Agora a p... da saudade é que me mata. Em Setembro, quando iniciei o processo para ser migra, era só raiva, e que bazava de Portugal e não voltava e o diabo à quatro! Agora? Tenho saudades, claro! No Rectângulo era feliz. Muito feliz! Muito mesmo. E não precisava de viver num palácio, ter criados, vários carros, aviões, barcos, meninas de programa apaixonadas pelo meu dinheiro. Tinha o dinheiro necessário para viver a vida, e nunca pedi mais que isso. A minha família, os meus amigos, a minha vida, tudo isso me fazia feliz. E o coração (apesar do tabaco que lhe atirava às trombas!)
Mas como não tenho perfil de subsídio-mamão (nota-se, por isso é que levei 4 meses para receber o subsídio de desemprego, nas vésperas de sair. Se fosse vendedor de feira e traficante encardido era logo), tive de me virar. A Austrália é um grande país, em muita coisa, mas não vale a pena ficar cegamente apaixonado. Tem defeitos como os outros.
Esta gente tem um modus vivendi muito deles, são descomplexados (fonix, metade das figurinhas que aqui vi em 3 dias davam para parar o Rectângulo, ficava tudo a olhar), são felizes, levam tudo na desportiva. Ah! E educados. Que bom estar numa fila e ninguém passar à frente, que bom ver o respeito que se tem pelos velhos e pelos animais. Eh pá, essas merdas! A sério que dá gosto.
Contudo, e por muito que goste e respeite este país, não é propriamente a minha praia. Sim, já sei, sou um "ganda" estúpido! Mal agradecido é que não porque para estar aqui a viver arrotei o belo do guito, por isso se for mal agradecido é a mim mesmo (e aí teria de amuar com o meu Eu). Sim, também sei que é muito cedo. Mas já vim para aqui sem grande moral. "Ouve lá ò palhaço, se foste (e não "fostes") para aí sem moral, para quê que foste?" Ora carago, porque foi a única solução que tive.
Agora o que me f... o juízo é ter de começar tudo de novo. Diziam-me ontem "ah que disparate, então e começas, qual é o problema? Isto aqui é a terra das oportunidades" Ai santíssimo sexo que faz tanta falta a tanta gente! Excesso de falta de sexo leva a dizer baboseiras cinderelescas, como se este país fosse um maná de empregos e oportunidades. Que há muitas oportunidades sei eu, se fosse para ir para uma cópia do nosso país, tinha aí ficado ora porra! Agora acho que um gajo tem direito a desabafar e a sentir-se fornicado por à porta dos 40 anos voltar tudo atrás na carreira, depois de ter estudado para trabalhar e não para limpar o rêgo a diplomas de Direito. Resta apenas mencionar que quem teve esta tirada veio para aqui com trabalho na mão e não teve nenhum downgrade na carreira. Pois, com a vida facilitada é fácil falar.
A esta hora estão os pseudo-positivistas a chamar-me de negativista e o car...! Olhem, é mesmo esse que podem enfiar num sítio que cá sei. Sou eu mais positivista que muitos cretinos que por aí andam a ofender tudo e todos, com a mania que são intelectuais. Se fosse negativista ficava com o rabo em casa. E não, o povo tuga não é todo negativista, e sim, negativistas há por todo o lado. O que faz falta a muita gente é andarem por esse mundo fora, aquele mundo para além da República Dominicana, Cancún e Varadero.
Bom, o que interessa é que já aqui estou, e pontapé para a frente. Mas hei-de voltar. Sim, ao blogue também.
PS: nhec! Já sinto saudades de ouvir um bom motor a jacto. Até podia ser da easyJet.
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