sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Modernices

Cena espectacular vi hoje. Na próxima semana obrigações do trabalho enviam-me para Londres. E estava eu há bocado a comprar o bilhete de combóio de Gatwick para Victoria Station (é só carregar no cartão de crédito e coleccionar milhas) quando reparei que ao comprar o dito bilhete tenho direito a fazer um download de música com a duração de meia hora.
Ora que ideia fantástica tiveram estes meninos do Gatwick Express! Assim sempre vario um pouco das 900 horas de música que tenho no meu MP4 (sim, o que comprei em Singapura porque um filho da puta se lembrou de me roubar o outro MP4 em Melbourne). A isto se chama saber fazer as coisas, é uma ideia genial.
Agora resta é ver a trampa com que me vão espetar, até porque na confirmação de reserva diz que é uma seleção de músicas condicentes com a paisagem. Fosga-se! É que a avaliar pelo calibre da paisagem entre Gatwick e Londres, aquela merda deve ser de Manowar para cima! Mas não quero parecer pobre e mal agradecido, até porque a ideia é genial. Agora não me apetece fazer o download, como também não me apetece fazer muita coisa.
Aliás, a calanzice é um dos sinais dos tempos modernos. Antigamente tínhamos pouco e queríamos fazer tudo. Agora temos imenso e não queremos fazer nada. Sinais dos tempos. Ou do aumento de peso. Bom, o meu anda pelos 95 que ando a ser bem tratado, o feno é de elevadíssima qualidade, acompanhado de um belo exercício físico "escada acima, escada abaixo".
E por falar em calanzice, amanhã fondue lá em casa que a previsão aponta para preguiça de cozinhar. Este meu poder visionário é brutal! Há dias que ando a adivinhar que amanhã não me vai apetecer cozinhar. E não só, porque há meses que levo na cabeça por causa de fotografias que estão a "envelhecer em casco de carvalho". Se bem que neste caso particular tento fazer compreender que é uma questão de arte, o artista precisa de tempo. Há quem tenha esperado 2 anos pelas fotos. Aliás, pior, houve quem tivesse esperado 4 anos. Mas ainda foram a tempo.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

No meio do Atlântico

Esta cena de um gajo viajar em trabalho pode ter a sua piada, mas quando se tem os tomates apertados por não se fazer a mínima do que se veio fazer, mas principalmente porque se espera por 2 planos para apresentar aos clientes, que às 23.10 ainda não os recebi, e tendo em conta que a reunião começa às 09.00 é lixado! Já para não falar das merdas que tenho aqui para estudar.
Bom, essa parte até acaba por ter a sua piada. Principalmente porque num dado momento estou a debitar uma apresentação de uma companhia aérea, e hora e meia depois estou a fazer uma apresentação completamente diferente. Mas tem mais gosto quando me enviam uma apresentação às 22.00 e ter de a estudar na íntegra porque no dia seguinte às 10.00 já a estou a apresentar.
Pelo menos posso dizer que já completei todo o circuito espanhol, visto que me faltavam as Ilhas Canárias na coleção e pois que cá estou eu em Las Palmas, a congelar no quarto e sem me entender com o ar condicionado. Cheira-me que vou dormir na varanda, que está bem quente. Mas o que soube mesmo bem foi chafurdar nuns belos petiscos espanhóis, ainda para mais à borla. Bom, mesmo que não fossem à borla... seriam à borla, contando que não me esquecesse de pedir a factura.
E deve andar aí pessoal a pensar "ganda cabrão, foi trabalhar para as Canárias! Deve ser cá um trabalho..." Pois deixem lá, daqui a 15 dias vou trabalhar para Palma de Maiorca. Sim, eu sei, há viagens de trabalho que são mesmo muito lixadas. Se bem que esta até dispensava bem. Mas pronto, ficam a saber que se quiserem vir às Canárias, podem falar avec moi.
Agora vou mas é fazer um cócó daqueles bem grandes, que quando tenho o rabo cheio de merda, a cabeça fica bloqueada. Mas no fundo o que tenho mesmo é uma preguiça do car... para estudar.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

A dissertação do pipi

Veio-se-me esta à cabeça advinda de um velhinho adágio que diz que andamos 9 meses a tentar sair e uma vida inteira a tentar entrar. Falo-vos pois da patareca, caso não tenham percebido. Mas com um carago, andamos uma vida inteira a tentar entrar numa coisa que, na generalidade, é feia. O que me leva a concluir que o Ser Humano é, de facto, muito esquisito. E começa logo com a diversidade de nomes, porque dizer vagina deve parecer muito mal. Por isso é preferível dizer pachacha, patareca, pipi, senaita, fossa sumideira, parque de diversões, rata e não escrevo cona porque pode parecer má educação da minha parte.
Ao longo da minha vida vi milhares e milhares de patarecas, o que faz de mim um garanhão puro-sangue. E felizmente isso deve-se a ter uma conta no GMail, que tem uma gigantesca capacidade, que me permite receber dezenas de milhares de e-mails com patarecas. Sim, porque ao vivo a coisa pia diferente, qual peidinho de c... Se bem que o som deste último tem a sua dose de piada. E faz cócegas.
Bom, mas voltando à subjectiva beleza (ou não) da patareca, convenhamos, a maioria são feias. Mas vá lá, de vez em quando aparecem aquelas bonitinhas, que até nem dão vontade de estragar, qual peça de museu. Daí que quando essas surgem, me dá vontade de ser ourives e lapidar o diamante. É tudo uma questão psicológica. E de semântica. A semântica nada tem a ver, mas fica bem e dá um ar intelectual ao texto.
Mas muito me pergunto que raio de coisa terá a patareca assim de especial para que haja tanta gente a querer frequentar tão tropical espaço. Só se a fornicação for um acto desesperado de tentativa de homícidio a tão profundo e negro local. Vindo de mim, é normal que goste, pois a partir do momento em que devo ser o único gajo que gosta de ouvir Ban (e não tenho vergonha em afirmá-lo publicamente) é natural que goste de qualquer coisa. Mas anda por aí tanto enojado, que admiração me causa por quererem assumir papel de mineiro.
Imaginemos que se conhece um canhão (de preferência antes de beber muito álcool, porque aí qualquer chaimite parece um canhão), e um gajo fica logo de tenda armada (ou no caso feminino, em que se abre o Aquaparque) e bora lá para o Ibis da A5 ver se têm preços promocionais, pois mais vale sujar as camas deles do que o desgraçado do meu sofá, que apesar de mostrar uma incrível a resistente suspensão, já deve andar farto de cavalgadas (aqui uma nota muito positiva para o Ikea, que poderia explorar o segmento hípico). Partindo do princípio que o Ibis tem quartos disponíveis, é subir para o quarto e os preliminares do costume, vulgarmente designados de felatio (para quem não sabe, é o broche). E eis o momento de mostrar a arte e habilidade no sacanço do soutien (o meu recorde está bem abaixo de 1 segundo com uma mão) e de seguida a cuequinha. E ZAS! Um gajo pensa logo: "Foda-se, que coisa tão feia! A gaja não deve saber que tem um bicho feio entre as pernas, vou já dar cabo dele com o meu taco!" E toma de dar umas valentes vergastadas a ver se mata a coisa.
Mas vá lá, de quando em vez aparece uma daquelas patarecas em que dá mesmo vontade de chamar de pipi. Porque é tão fofinho e bonitinho, que apenas de pipi poderá ser apelidado. Que até vagina parece ofensivo. Daqueles em que até dá vontade de fazer o teste do cheiro (se assim o solicitarem posso explicar como se faz este teste e o intuito do mesmo). E no fim fica o peso na consciência do medo de ter estragado alguma coisa.
Com esta explicação espero que as mulheres deste planeta tenham percebido que a intenção dos homens é sempre a melhor, é eliminar as coisas feias que circulam por entre pares de pernas, sempre na procura do bem estar feminino, nada mais que isso. Fazemo-lo com sacrifício, mas fazemo-lo pela defesa da segurança feminina, sempre a pensar no bem-estar.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Ai a minha vida!

TRIIIIM TRIIIIM 
- Yesssssssss?
- Nokas, não eras tu que querias ver o Morrissey?
- Ui se era!
- És um homem com muita sorte. Não te chega conhecer moi meme, ainda vais ver o rapaz. Tenho 2 bilhetes, caso querias ir.
- Onde e a que horas?

Parte da conversa de ontem à noite, via tijolo. E a pensar contente da vida que esperei anos para ver este marmanjo ao vivo, e estava a menos de 24 horas de ver o dito.
Bom, mas o único dito que vi foi mesmo a minha pichota a mijar, mas essa já a vejo há quase 40 anos, várias vezes ao dia, porque o outro dito, vê-lo mesmo, só se for no Youtube.
Fosga-se que isto é sina! Então não é que o cabrão cancelou o concerto? Conforme disse no "Livro das Fronhas", o marmelo deve ter-se baldado para ver se a "Florência" está melhor da sua saudinha. Ou querem ver que este também lixou as cordas vocais? Olha, para os dois só vos digo: "Foda-se, gritem menos!"
E nada mais restou do que a consolação de uma belíssima pizza Pimentinha no Brisa de Mar, que além de serem cada vez melhores, ficam mesmo em conta. E mais baratas que o bilhete para o concerto. Mas fonix, não deixa de parecer perseguição. Ou praga. Quero ver um concerto há que tempos anunciado, e cancelam. Vou mas é ficar caladinho que é para os gajos não cancelarem.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Amar vs. mamar

Ocorreu-me este tema decorrente de diversas conversas mantidas nos últimos tempos, em que se tenta apurar que sai mais barato mamar (ou no caso, ser mamado), do que amar.
Começando por "amar", palavra cara, demasiadas (muito demasiadas) vezes utilizada como se barata fosse. Ou porque é mais barato dizer do que sentir. Palavra cara não poucas vezes referida, mas muitas vezes esquecida. E que muitas vezes vem tarde demais. Ou pura e simplesmente para atirar à cara, só porque sim, porque apetece, porque dá jeito.
Mamar. Fosga-se, não é que tenha alguma apetência por sexo profissional, mas um facto é que sai mais barata esta categoria de sexo do que ter alguém. Não há jantares, não há presentes, não há discussões (negociações à parte), não há a palavra "amar". Atenção que isto não é apenas a minha opinião, esta é generalizada.
Mas claro que amar é sempre bem melhor, faça a outra pessoa por isso, da mesma forma como temos nós de fazer por isso. E de preferência com verdade, e em seu tempo.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Estes gajos são mesmo do contra!

Os jornalistas, pois claro! Se o público gosta de um concerto, pois que os jornalistas não gostam. Se o público não gosta, os jornalistas já gostam. Tudo bem que cada um tem direito à sua opinião, mas há coisas que são óbvias. 50.000 marmanjos aplaudiram até mais não a actuação dos Cure no Optimus Alive. Mas meia dúzia de jornalistas não gostaram. Ou um, porque as notícias que vi eram iguais, o que me leva a pensar que só um jornalista é que foi ao concerto e os outros esperaram para fazer copy paste.
Por muito que goste dos Sétima Legião, o concerto no Coliseu foi uma banhada, embora estes tenham pouca culpa. Os jornalistas adoraram. O público foi simpático, mas notou-se alguma tristeza. Soube a pouco, muito pouco.
Mas voltando aos Cure. Foi um concerto absolutamente magistral, do melhor que já se viu. Queixam-se os jornalistas que foi muito longo. Foi? Nem dei pelas 3 horas passarem. Pelo menos tocam por prazer e não para fazer render cachés. Se são longos é porque são longos, se são curtos é porque são curtos. Fonix! Não sabem o que querem! Os gajos apresentaram um alinhamento de 36 músicas. Uma banda com o historial destes gajos tem direito a isso e muito mais. Por alguma razão eram os cabeças de cartaz do dia. Ou será que os jornalistas preferiam que os The Cure fossem para ali cumprir horários? Dasse, adorei e delirei e aguentava ver os Cure mais tempo, porque agarraram o público de forma soberba, e souberam deixar-se agarrar.
Depois da desilusão (mais que esperada) do cancelamento dos Florence + The Machine, que está mais que visto que ao vivo não os vejo, temi que nos impigissem os Xutos. Felizmente o bom gosto revelou-se e mandaram vir os Morcheeba. A estes as minhas desculpas, pois esqueci-me de vos ver. Era a chamada hora da Coca-Cola holandesa.
Boa surpresa revelaram-se os tugas (tripeiros, claaaaaaaaro!!!!!!!!!!!!!!!!) We Trust. Um belíssimo som, e coube-lhes a árdua tarefa de agarrarem o público. E agarraram, homessa! Cantarolem Time (Better Don't Stop) e logo verão a quem me refiro. Bom gosto têm estes meninos. Ainda do palco principal ficaram boas notas para Noah And The Whale e sobretudo para Mumford & Sons.
Fui cedinho para ver o primeiro concerto do dia, Lisa Hannigan. A boa escola irlandesa, num registo perfeito para uma tarde solarenga. Muita garra tem esta rapariga. Ainda no Palco Heineken vi os fantásticos The Antlers, que em nada defraudaram. Disse-me o meu primão que a música é deprimente-suicida. Vou mais longe ao catalogar a dita de depreimente-suicido-depressiva. Mas é uma som do car...! Cá para mim o homem estava com uma bebedeira do caralho, mas aguentou-se, e bem, à bomboca! Geniais. Awolnation surpreendeu e Tricky voltou em grande (e grande era a gaja que estava a cantar com ele, e grandes coisas faria eu, deixasse ela!). E após o delírio "Cureano" nada melhor que acabar a sessão com um concerto de arrasar dos Blasted Mechanism. Electrizante.
E assim foi um dia maravilhoso, recheado do que mais gosto: boa música! E a vida é tão boa! E depois foi fazer piscinas na Linha de Cascais.

domingo, 8 de julho de 2012

Expressões

Há expressões do catano! Normalmente malcriadas, mas com um misto de piada e "que raio quererá isto dizer?" Do tipo o velhinho "cona de sabão". Mas o que será cona de sabão? Essa porcaria não será venenosa? E até indigesta? OK que não há nada como uma patareca bem lavadinha e cheirosa, mas talvez fosse melhor passar água na dita para perder o sabor a sabão. Principalmente se for sabão azul que deve saber muito mal.
E o "cara de cú à paizana"? Fosga-se, querem ver que até os cús pertencem aos serviços secretos? De facto gostaria de saber como é que será um cú à paizana. De que será que o orelho se disfarça? Ou pelo menos alguém que me explicite o que é uma pessoa com cara de bufa à paizana. Bom, é capaz de haver por aí gente com caras bem bonitas, a avaliar pelos rabiosques que por aí deambulam, mas outros há que andam cheios de celulite na tromba.
"Eh pá, esta gaja parece a parte de trás de um esquentador!" Esta é uma expressão de uso recorrente e facilmente compreensível. Mas convenhamos que por vezes se torna perjurativa... para alguns esquentadores. Mal o menos se a analogia for feita a um Junkers inteligente. Do mal o menos. Mas que é o raio de uma comparação, lá isso é.
Mas piorzinho é dizer que a pessoa X parece a "parte de trás de coisa nenhuma". De facto, há muito boa gente que não tem mesmo classificação, sendo essa tão baixa que não cabe na categoria de "mais feia que uma noite de trovoada".

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Olha-me este!

Estava eu o outro dia a falar com um amigo e ao fim de uns quantos litros de cerveja começa o rapaz a lamentar-se que quer namorada. Fonix! É assustador quando se chega a essa conclusão, o mais certo é ficar com o errado. Essas cenas não se procuram, aparecem. Quanto mais se procura, mais depressa se erra. Quanto a mim, estou em paz, o último namoro que tive acabou há mais de 4 anos e não morro por isso.
Juntar malta para os copos é sempre porreiro e somos todos amigos, mas quando se partilha uma vida, a coisa muda de figura. Remédio para isso é os casais apanharem bebedeiras quando se juntam, pode ser que resulte. Porque sóbrios são mais intragáveis e o orgulho esmorece à medida que os copos vão esvaziando. Excepção feita aos que têm "mau álcool", esses revelam toda a sua "cavalarice" e nem vale a pena perder tempo a dissertar acerca dos mesmos.
A vida torna-se mais feliz se soubermos aproveitar o que ela tem de bom, e que mesmo assim são muitas coisas. Temos de estabelecer objectivos mas não os devemos perseguir à risca, há que ser flexível. E não ficar desesperado se esses mesmos objectivos não forem atingidos. O segredo é não "stressar", uma coisa não dá, passa-se para o plano B. E daí por diante. Interessa é que lutemos. Porra, tanta coisa na vida que quis e não consegui e não me deixei ir abaixo. Qualquer um consegue isso.
Bom, mas voltando ao rapaz. Devia era aproveitar o momento para desanuviar a cabeça. A namorada trocou-o por outro, coisa mais que comum nos dias que correm. Sei que dói, a mim já aconteceu, mas o tempo cura. E acreditem, cura mesmo. E torna-nos a visão mais clara. E acabo por dar razão a quem o fez, ela estava à espera de uma coisa, a qual não cumpri. Tudo bem que a atitude dela foi a puxar para o cobarde, mas amor com amor se paga. Encostei-me e não dei o passo em frente, ela fez o que tinha a fazer. Podia ter sido pior, podia ter inventado estratagemas para me pôr as culpas em cima, para ficar bem vista dentro da sua capa de anjinho. E há pessoas que fazem isso.
As razões que levaram a que o meu amigo fosse trocado não me interessam, são privadas dos dois. Ainda por cima conheci-os já eles namoravam. Gosto dos dois, embora, claro, a ela a tenha conhecido por arrasto. Mas continuará a ser minha amiga. Posso não gostar da atitude, até porque a cobardia é das coisas que mais desprezo, mas o que se passou entre os dois, entre os dois fica e se ambos souberem ser adultos, tanto melhor.
Compreendo a dor dele e não me vou pôr a meter "mezinhas", esta merda dói e tento dar-lhe apoio. E esse apoio é ouvi-lo e estar com ele. Se bem que a minha vida agora está um bocado complicada porque os dias são muito curtos. Mas tempo arranja-se. Essa treta que o tempo cura tudo é uma estrondosa verdade, mas para quem se encontra numa situação destas é coisa que não se deve dizer, só faz pior.
Mas lá está, ela terá as suas razões e o que vou dizer a seguir é meter-me no meio, meter a minha colher de pau, ainda para mais num assunto que apenas aos dois diz respeito, mas dá-me a entender que a rapariga armou uma cilada e à primeira coisa atirou com isso à cara do rapaz, apoiando-se nisso como desculpa para acabar. Lá fica o rapaz sem entender o que de errado fez, de assim tão grave que tenha servido para pôr fim a anos de namoro. Mas passam os dias e as peças do puzzle começam a compor-se e a história a perceber-se. E pronto, lá se descobriu a "suposta verdade", anda a rapariga enamorada por outro.
Mas anda muita gente a brincar com trocas, sempre na esperança de que estão a sair para melhor. Mas esquecem-se de uma coisa, vão levar na mesma os "fantasmas" da relação anterior. Ou bem que são pessoas que se estão pouco a marimbar na forma como se sentem dentro de qualquer relação, que desde que estejam com alguém tanto se lhes faz como se lhes fez, ou então meus amigos, não dou mais que 1 mês para começarem a ver no seu interior que se calhar deveriam ter agido de outra forma.
Quanto mais não seja porque a terceira pessoa envolvida, a que motivou a troca, nada mais faz que puro marketing, do género "deixa lá o/a teu/ua namorado/a que sou muito melhor", mas depois da conquista afinal verifica-se que essa pessoa não é aquilo que diz ser. Agravado pelo facto de que a pessoa que fez a troca vem fresquinha de uma relação de anos, onde se criam hábitos e um mundo em comum com outra pessoa, do qual é difícil desligar-se. Ou então é um/a grande filho/a da puta.
Afinal isto nada mais é do que a velha história de que o Ser Humano nunca está satisfeito com o que tem, e acha sempre que os outros são melhores do que aqueles que temos.
Puto, um grande e forte abraço e força nisso, estou cá para o que precisares! (menos sexo contigo, foda-se!)

quarta-feira, 16 de maio de 2012

A eterna perseguição

A minha eterna perseguição é a barraca, coisa em que sou especialista, raios me partam. Já muitos sabem da barraca que dei em tempos idos de liceu, enquanto olhava para as pernocas de tal professora, verbalizando o meu pensamento de "que me perdia em tal paraíso", e suspiro verbalizado e devidamente ouvido pela professora a mesma responde que perdido já eu ando.
Pois que excelente visão teve a senhora de mim. Ando mesmo perdido. Prova disso foi a dado momento da vida, em que achando eu piada a crianças, em belo dia vejo uma coisa pequena na rua e decido fazer uma festa em dito petiz, que se veio a revelar não ser petiz, mas antes um anão. Ora porra!
Recente foi a leitura que alguém fez deste blogue e que gostou do dedicado elogio. E pensava eu que ninguém o lia. Mas agora que sabe que sou dedicado a estas coisas da barraca, fica já a saber o que penso. Mas descansada pode ficar que a cada dia 1 não falho.
Outra recente barraca aconteceu em visita a cliente. Cliente esse morto há 10 anos. Ora bolas, então é assim que a associação internacional que toma conta das companhias aéreas mantém actualizada a sua base de dados? Uma coisa que é suposto ser revista a cada ano que passa? E depois a malta vai à confiança falar com a pessoa X, e respondem-me que o único X que essa pessoa tem é uma cruz por cima. Ora porra!
E logo eu que queria vender, e estava com a pica toda, pois era cliente interessante. Bom, o cliente está lá, mas quem deveria ouvir a minha lenga lenga é que não, por isso outra vítima levou comigo. Bom, mas vendi bem o peixe. É como digo há tempo demasiado, vendo tudo, excepto duas coisas: a minha mãe, porque o meu pai não se quer desfazer dela (pese embora o rapaz já não tenha muito a dizer acerca do assunto) e a minha mulher, porque não quero enganar ninguém. E neste ponto sou honesto, porque gosto tenho, mas a pontaria é diametricalmente oposta. Mas pelo menos sou honesto.
E por falar em barraca e em progenitor, faz-me recordar que sendo especialista em dar barraca, atraio os mais próximos a dar a mesma. Pois que em belo dia, em Melbourne, jantarinho de grupo com a minha "família" colombiana (não, não é daquelas "famílias" da máfia), seguido de noite de conversa em casa alheia, bem regada com vinho tinto. Sentado eu no sofá, a conversa que se tinha era acerca dos malefícios do tabaco e do excesso de café. Comentei que o meu progenitor fumava 3 maços de tabaco* por dia e bebericava 15 expressos em idêntico período. E pergunta-me a Marta: "Ui que horror! Y como está tu pápá?", ao que prontamente e no imediato respondi: "está muerto!" Geral gargalhada e pobre Marta, vermelha como uma maçã vermelha (só porque odeio tomate), a desculpar-se milhar de vezes.
Com isto, de dar barraca e proporcionar bons momentos de vermelhidão e vontade de se enfiar em buracos por parte de terceiros, leva-me a concluir que sou de facto uma tragédia ambulante. Mas é como em muita coisa na vida, um gajo habitua-se! E não deixo de ser feliz por isso.

*Os malefícios do tabaco estão psicologicamente comprovados e eu fui cobaia de tal elucidado estudo, por mim próprio elaborado. Comecei a fumar quando comecei a trabalhar. Logo, trabalhar faz mal e, consequentemente, potencial cancerígeno, e não o tabaco.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Da cobardia ou do subtefúrgio

Sem a mínima pretensão a qualquer definição científica, e numa lógica de senso comum, podemos admitir o acto de cobardia como a falta de tomates de fazer algo, muitas vezes de quem se gaba (ou pelo menos pensa) de ser a perfeição encarnada. Por subtefúrgio, e dentro da mesma lógica, considera-se como utilizar meios ou pessoas terceiras em proveito próprio, a maior parte das vezes para fazer recair nos referidos toda a culpa.
Perante estas definições podemos então concluir que uma e outra são perfeitas aliadas, complementando-se mutuamente. Utiliza-se um subtefúrgio, porque se pretende determinada coisa, mas antes de a conquistar encontra-se uma miríade de motivos pelos quais podemos despejar a culpa em terceiros ou em coisa qualquer, mas de preferência em terceiros para mantermos o nossos status. A cobardia vem ao subtefúrgio agarrada, pois há a coragem de agir mas falta a mesma para dar a cara.
E tudo serve para encontrar a desculpa, sendo qualquer "tudo" suficiente, no crer do "cobarde subtefúrgico", geralmente partindo para um espectáculo de vitimização, destruindo muito e muitos, não olhando a qualquer meio para atingir os seus fins.
Mais a mais, pensamento comum do "cobarde subtefúrgico", é sempre o mesmo, que tudo à volta é parvo. Problema dos problemas, pois as coisas, além de inanimadas, pouco lhes interessa acerca do que lhe fazem, muito menos têm sentimentos. Mas os supostos "errados", dos de carne e osso, de parvo poderão até não ter, e quem vê o espectáculo de fora deixa-se levar, arrastados na sua inocência de quem está de fora e se deixa levar por cantigas.
Responder na mesma moeda poderá, e certamente o será, arma de guerra. Mas isso significaria rebaixar ao mais baixo nível a que pertencem os membros da "cobardia subtefúrgica". Tempo e paciência revelarão as "carecas" e os podres.
Por vezes sinto pena de quem assim age, sinto pena porque no fundo não passam de pessoas infelizes, tanto se deixam embrenhar num triste espectáculo de vítima, vivendo num mundo de mentira, mentindo inclusivamente a si mesmos, achando que ao fazê-lo estarão a enganar os outros. E essa mentira revela um outro mundo sinistro, uma outra vivência, repleta de segredos, que mais afectam quem mais próximo está. Partilhar a vida com alguém e ao mesmo tempo viver uma vida dupla, escondendo dos seus mais próximos a sordidez da sua mentira, é triste e faz triste quem de duplicidade vive, arrastando consigo os seus mais próximos. E dá um tremendo problema de consciência.
Situação piorada quando vivemos tempos modernos, em que a informação está em todo o lado e facilmente se consegue, bastando para tal uma meia dúzia de cliques num computador com ligação ao Universo. Vivemos tempos de intenso voyeurismo, tudo se sabe e tudo se descobre. Mas continuamos a viver rodeados de mentirosos e de cobardes, auto-elevados a deuses de sapiência e de perfeição, que se acham no direito de espezinhar tudo e todos, mas que no fundo têm uma tremenda falta de coragem para dar a cara.
Daí ser necessário fazer uma limpeza pontual, temos de nos limpar desses micróbios que nos infectam a vida.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

A revolução

Nada mais apropriado do que falar de revolução, em dia de revolução. E esta tem de começar dentro de nós, e temos de acreditar nela, mas depois de acreditarmos em nós. Não vou por-me para aqui com as lamúrias do costume acerca da revolução de Abril do Século XX, que dessa se fala muito e pouco se sabe.
Podemos é aproveitar o momento para pensar na revolução que temos de fazer dentro de nós. E muito haverá a fazer, sendo por isso uma revolução permanente. Mas como em muita coisa na vida, há que ponderar bem as consequências. Essa revolução diz respeito ao nosso modo de pensar, de viver, de fazer as coisas. E descobrir onde podemos (e devemos) melhorar.
Muita merda fazemos na vida, mas por muitos pontapés que levemos, insistimos em repetir alguns erros. E assim será daí por diante, mas sempre a justificar terceiras causas ou pessoas e que da próxima será melhor ou diferente. Bom, se de facto fizemos merda, então da próxima tem mesmo de ser melhor. Mas talvez o que nos destrua (e ainda fico aqui a pensar porque escrevi a palavra "talvez") seja um orgulho estúpido que nos teima destruir por dentro e destruir os outros.
Mas então por que raio esse orgulho se sobrepõe sempre? Serão sinais dos tempos? O Ser Humano evolui, mas acredito que evolui na mesma medida em inteligência e estupidez. O Mundo avança e a mesquinhez vai ao seu lado. Mas a revolução fica. Os outros que revolucionem, mas de preferência em nosso proveito.
No fundo são estas merdas que nos deixam sempre de pernas para o ar. E não precisamos estar no Hemisfério Sul para que isso aconteça, basta teimarmos contra nós próprios. Mas muitas vezes não queremos dar o braço a torcer, por muito que isso nos doa, parece que temos medo que nos caia algum bocado do corpo.
A teimosia e o orgulho são perfeitos aliados na destruição e desconstrução do nosso Eu, e dos nossos. E a auto-desculpabilização a isso está inerente. Qualquer merda que façamos, tem sempre uma desculpa associada, nunca é inteiramente a nossa culpa. Mas que ficam a roer, lá isso ficam.
E fica o pensamento que num futuro breve isso será passado. E ficamos à espera a pensar nos "ses". E a vida continua. Mas ficam marcas, ficam sempre. E o eterno pensamento "e SE eu tivesse agido de outra forma?"
Mas e coragem para fazer a revolução? Seja ela para corrigir eventuais erros, seja ela para seguir em frente. Precisamos constantemente uns dos outros, mas acabamos sempre por nos agredir mutuamente. E a coisa tende a piorar, o egoísmo sobrepõe-se cada vez mais. E é preciso atentar que não é apenas um que erra, todos erram. Uns por ataque, outros por defesa. E aí pode residir um dos problemas, aumentarmos as nossas auto-defesas, não só por medo de nos magoarmos, mas principalmente porque não queremos ficar por baixo.
A mim está a apetecer-me fazer a puta de uma revolução, pese embora a minha vida esteja a passar por uma, e felizmente que das boas. Mas gostava de limar umas arestas, eliminar alguns fantasmas. E esses temos nós sempre muitos, o que vem a seguir vive sempre com a sombra dos fantasmas do passado. E ainda bem recentemente vivi uma dessas experiências, pese embora de baixo grau, devendo-se essa experiência quando andei a ver casas e a anterior casa onde fui tremendamente feliz vivia os fantasmas dentro de mim.
Mas claro que esta é um bocado fútil, afinal de contas tenho casa. A revolução que quero fazer é outra, e sei o que fazer, mas tenho de pensar nas consequências, com algumas a serem óbvias, outras logo se verão, pois por muito que pensemos, por muitas previsões que se prevejam, muita merda inesperada acontece.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

E a novela australiana está quase no fim

Pouco falta para a minha novela por Terras Australis acabar. Depois de o mais importante estar, desde hoje, nas minhas mãos, já só falta o reembolso do dinheiro que dei pelo Mestrado, que há-de estar a caminho.Mas o mais importante mesmo para recuperar era o equipamento fotográfico, que já está nas minhas mãos. Nem queria pensar na coisa, só para não me chatear. O equipamento não vinha, cagava de alto para a fotografia, porque de onde aquele veio, já mais nenhum vem. Mas pronto, está cá e é o que interessa.
Recebi ontem uma cartinha dos CTT, e quando estes enviam semelhante coisa, é sinal que a coisa pode dar para o torto. E o dar para o torto é sinal que um gajo tem de arrotar o belo do guito e leva com uma inspecção na alfândega e tal. Pois claro, a cartinha pedia para me dirigir aos serviços alfandegários dos CTT, como se eu (ou seja quem for) tivesse todo o tempo do Mundo para estas coisas.
Nem fui com duas pedras na mão, fui com várias, a imaginar todos os filmes. Aquela gente a mandar vir comigo, eu a mandar vir com eles. A imaginar onde iria eu encontrar um pau para partir aquela merda toda. Mas principalmente partir o meu equipamento, pois se me exigissem uma fortuna para pagar o que é meu, fodia o equipamento todo à paulada, pois se não mo devolvessem, para os leilões deles é que as minhas meninas não iam. Mas lá me ia chorando ao dinheiro que eventualmente me iriam cravar.
Mas pronto, sou um puto excessivamente simpático, e lá fui simpático para a senhora que me atendeu. Explicou o porquê da coisa, sabendo perfeitamente a razão de tal coisa. Blá blá blá, encomendas extra espaço europeu e tal, tem que pagar e blá blá blá. Pois sei muito bem como é que a coisa funciona e muito chouriço mandei tirar das malas dos meus antigos passageiros. Mas esta merda não é nenhum chouriço. Posso ser um chouriço a fotografar, mas o equipamento é meu e gosto muito dele.
A senhora simpaticamente lá pediu para abrir a mala. Livros à vista e parafernália de coisas do sindicato de estudantes e outras papeladas que tal. Ia abrir o mais importante, a mala com as minhas meninas, mas a senhora, mais uma vez simpaticamente, disse que estava tudo bem e que não tinha nada a pagar. E eu a segurar a alegria!
E lá peguei na puta da mala mal amanhada comprada no chinês, o tal de onde me "bifaram" os óculos e o MP4, e saio no preciso momento em que começa a chover. Chuva e uma puta de uma mala, que além de (obviamente) partida, deve ter sido algum mineiro a desenhar, e não um designer, que aquela merda a rolar na porcaria da calçada portuguesa, debaixo de chuva, dá mau resultado e provoca a libertação de um bom rol de palavrões e praguejamentos.
Chegado ao ecritório, hora de testar o material. Vá lá, aparentemente está em condições, excepção feita a uma das caixas de filtro, partida. E o respectivo filtro riscado. Mas pronto, o que interessa é que já tenho o meu equipamento todinho junto de mim, que é onde ele está bem. E assim, faltando chegar o dinheiro, nada mais haverá a recuperar depois da novela. Se bem que a minha antiga casinha ainda está no goto.

sábado, 14 de abril de 2012

Nova vida

Ah pois! Nova vida, mas é que ficou mesmo nova. E uma bela confusão. Mas pelos melhores motivos. Mudança de casa num Domingo e começar novo trabalho no dia a seguir. Mas cheguei a um ponto em que pensei "porra, mas estou numa casa ou numa barraca?" É mesmo daquelas cenas, achamos que temos pouca coisa até fazermos uma mudança de casa, então aí achamos que somos uns grandes coleccionadores de merda. A trampa nesta casa era tanta que para ir daqui para ali quase que fazia uns 5 quilómetros.
Mas como agora sou muito ocupado, tempo para arrumar a lixarada é mínimo. E ainda ter de cortar a juba de leão que se tornou o meu cabelo, foi outro pincel, pois tive de esperar por hoje para o fazer. O homem até teve de receber massagem nos braços tal foi o cansaço.
E de facto foi mesmo semana de coisas novas, em que os fatos estão incluídos. E como se não bastassem as despesas que uma casa nova dá, toma lá mais despesa a comprar fatos. Para os foder logo a seguir. Pois que ontem, ao sentar-me na minha cadeira, o bolso das calças encaixou-se no apoio de braços da cadeira e lá se foi a costura das calças e fiquei de pernoca e cuecas à mostra. Depois foi o lindo aspecto de ir no combóio para casa de casaco na mão, debaixo de frio e chuva. Foda-se, é mesmo a tragédia que sou e que me define! E isto já para não falar na gravata que estreei esta semana e levou logo com um risco de caneta em jeito de baptismo.
Voltando à casa, confesso que me estava a deixar deprimido, não só por ser pequena, mas por não ter a porra de arrumação nenhuma. De facto, desta casa só se safa mesmo a senhoria. Mas hoje já lhe dei uma voltita (à casa, que a senhoria é mais difícil), e já consigo fazer algumas linhas rectas. E isto sem televisão? Era lindo! Os meninos das televisões por cabo são muito simplistas e chegam aos prédios e toca de cortar cabos das antenas para instalarem os seus cabos. Mas lá fui eu buscar um bocado de fita-cola e juntar as duas partes do cabo da antena e melhor, acertei em cheio no cabo certo e já tenho televisão. Odeio o silêncio, preciso de som e limitar-me ao som das minhas bufas é muito pouco, pese embora me proporcione diversos e divertidos momentos de bom humor. Mas isto está quase, mais uns 2 anos e tenho a casa toda arrumada.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

História da carochinha

Pois é o que vos vou contar hoje, na falta de melhor ter. À tarde, tempo de matar saudades da Linha de Cascais, que por muitas Linhas que conheça por esse Mundo fora, continua a exercer, ou cada vez mais exerce, uma enorme força de atracção. E levar a tia a matar saudades da mesma. A rapariga já não se lembrava de metade das coisas, e novas coisas viu, tantos foram os anos sem por ali deambular.
E lá fomos para o Monte Estoril assinar o contrato de arrendamento do meu novo poiso. Ela como fiadora, eu como o gajo cheio de sorte. E chega igualmente o momento de conhecer a senhoria. E muito tive eu que me conter quando conheci tal personagem. Conter o desabafo de ao invés de dizer "boa tarde, muito gosto em conhecê-la" (que de facto tive), dizer "foda-se, você é linda!" E de facto é! É uma daquelas senhorias que dá vontade de não pagar a renda só para ela lá ir a casa exigir o pagamento.
Quanto à casa. Nada de especial. Só mesmo a dona. Havendo algumas coisas no recheio, fui perguntando se eram para ficar ou não, às quais aquela beleza com um par de pernas me ia respondendo "isso não é meu, herdei da anterior inquilina". Baril, mamei uma Sony gigante e uma liquidificadora novinha em folha. E mais umas merdices. Incluindo a merda de um sapo (?) em porcelana. Que vai aprender a voar de um 4º andar.
Quanto à anterior vizinha, reza-se que a rapariga "atendia" em casa. E vocês ao lerem isto irão logo pensar: "ai a gaja era puta? Foda-se, agora vai para lá uma puta ainda maior!" Sim, até porque comentários houve de que vou continuar a linha de negócio da casa. Pois deixá-lo ser, mas ao menos eu não cobro nada, sou um fofo. E com sorte ainda ofereço jantar. E um suminho da liquidificadora nova.
De facto sinto-me feliz e o que mais me apetece é afastar os maus olhados, aqueles que não se sentem bem com a minha presença. Mas como estou em altura de mudanças, pois que muita coisa vai mudar. Os conhecimentos também mudam ao longo dos tempos, conhecemos alguém agora, mais para a frente vai-se. E não fica qualquer razão para segurar seja o que for. Gosto muito de me dar com os meus amigos, os meus, os que amo, mas gosto também da minha privacidade. E por isso vai chegar o momento de conservar os meus, de quem eu gosto, com quem me identifico e deixar para trás o que passou.
E continuando esta história da carochinha, apetece-me contar outra. Pois na quinta-feira passada, uma grande amiga minha (atenção que a definição "grande" é meramente uma figura de estilo, considerando que a rapariga poupou na altura, mas é enorme amiga) veio a Alvalade tratar de alguns assuntos, e picou-me para o cafézinho. E eu claro, vamos a isso. E a seguir beber cafézinho com outra amiga (depois admiram-se que sou nervoso, pudera, com tanto café!). E sentamo-nos em agradável esplanada na Avenida de Roma. Mas pelo caminho iam aparecendo amigos e conhecidos, ao que a rapariga me diz "foda-se pá! Conheces bué pessoal!", levando com a resposta "foda-se, ainda se me dessem trabalho!" E bom, sentámo-nos na referida esplanada e nisto outro amigo que passa. "Então Nuno, tudo bem contigo? Já tens emprego?", e pela enésima vez lá respondi que não. E o rapaz relata o que anda a fazer, e confere o meu número de telemóvel. E o rapaz liga ontem para ir ter com ele hoje. E segunda-feira começo a trabalhar.
Toda esta lenga lenga foi só mesmo para dizer que mais feliz... é impossível. Pese embora o final do dia tenha sido preenchido com um assunto triste, foi de facto um dia demasiado feliz e que em tudo altera a minha vida. E como em muita coisa na vida, as coisas demoram a aparecer, mas quando aparecem é a dobrar. Mas a escolha está feita. E sou feliz! Muito!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

A descoberta

Na vida vamos descobrindo muita coisa. Novos mundos, novas coisas, a morte da bezerra e, acima de tudo, a nossa própria parvoíce. Mas lá está, isso faz sempre parte do nosso crescimento intelectual. Mas porra, muitas vezes bem que gostaria de ter nascido inteligente para evitar passar por certas situações. Mas saí burro que nem uma porta!
Ocorre-me este devaneio por uma frase que vi em Singapura, "roubada" a um escritor francês, e segue na fotografia anexa ao dito verborreio (isto se não me esquecer da a colocar).
Mas toda a burrice que leva à descoberta, e como refere André Gidé, é como o necessário afastamento de um barco do seu porto, se quer ir mais além e descobrir o Mundo. E olho para um povo português, que de corajosos aventureiros, se revela ele um caso altamente paradoxal, transcrito no seu fado, malfadando a desgraça, trancando-se na sua pequenez, julgando conhecer o que está lá fora. Por um lado, reza a História que este povo teve de se desenrascar para chegar ao outro lado do Mundo e ganhar uns cobres e ir espalhando uns calhaus pelo caminho, por outro lado, prova-nos a História um povo caguinchas e não poucas vezes invejoso.
Naturalmente que a aventura que me levou a ficar de pernas para o ar, teve de ser um desenrascanço. E, como tal, pus-me a milhas da costa para levar o barco para bem longe. Só que, porra, devo ter levado um bote de borracha que o gajo não aguentou. Mas pronto, fui para além da linha do horizonte. E após ter voltado ao porto de abrigo, recebem-me alguns velhos do Restelo, uns indignados, outros sarcásticos.
Mas quem mais me tocou foram os que, admitindo o seu "egoísmo" (neste caso, positivo), ficaram satisfeitos pelo meu regresso, tendo a necessária sensibilidade que cada um tem o barco da sua vida para levar a bom porto. Os outros, não passam de jangadas rançosas. Estes, gostariam de ir mais além, e vivem e sentem quem gostam. E gosto de quem gostou que eu voltasse, mas acima de tudo receberam-me de braços abertos e com vontade de dar um forte abraço.
Nova vida se avizinha, com aprendizagem feita. Positivismo acima de tudo e rir. Rir muito. É das coisas que mais gosto de fazer. E felizmente tenho bons amigos que me fazem rir. E cago bem de alto de que isso me faz rugas. A vida tem muita coisa boa, e é isso que temos de viver. Há que acabar com o paradoxo de querer partir à descoberta mas ao mesmo tempo não querer tirar o barco da zona de segurança.

quarta-feira, 28 de março de 2012

De volta ao princípio

E pronto, em Alvalade City. Após mais uma experiência que não deveria ter acontecido. Mas aconteceu, pronto, arrisquei, não quis ficar parado.
Agora nova etapa da vida, com novos ensinamentos adquiridos de forma parva. E que sirvam de exemplo para outrém.
Soube bem o regresso, com o primeiro dia passado em amena cavaqueira pelas esplanadas da Linha (sim, não se desiludam, também houve caralhadas, vou ser sempre o Nuno).
E agora olha, tratar do subsídio de desemprego, para ser mais um a viver à conta de um Estado, que com a ânsia de satisfazer os amigos, acaba ele próprio por se enterrar. E provavelmente esperar mais uns meses para receber o subsídio, por os vendedores de feira/traficantes de droga encardidos têm prioridade.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Aos saltinhos pela Ásia


Pois é como eu ando, aos saltinhos de um lado para o outro. Dois voos já foram, faltam outros tantos. As coisas que um gajo faz para poupar uns cobres. Mas podia gastar menos não fosse algum filho da puta abarbatar-se ao meu MP4. E agora tive de comprar outro. Mas vá lá, ficou por 99 Euros, mais coisa menos coisa. Em Singapura, claro! E ainda uma lente bué manhosa, que faz macro, infravermelhos (que me vai ser extremamente útil) e grande angular. Por 280 Dólares de Singapura. E mais, passei o controlo do cartão de embarque, sento-me confortavelmente numa cadeira (ler "sentei-me à patrão") e então lembro-me: "onde é que está o caralho do saco do free shop?" Fosga-se para a puta da minha cabeça que entrou antes de mim no avião. Pois então após o habitual strip tease a que me sujeito nos controlos de raio-x, deixo o saco do free shop para lá esquecido. E com o MP4 lá dentro. Porra, que a praga que me rogaram envolve MP4's. Mas pronto, fui com uma rapariga da Qatar Airways de volta ao raio-x para recuperar o saco e lá estava ele sozinho e abandonado. Porque nenhum filho da puta se lembrou de o roubar.
E em Singapura comi muito bem, que nem um animal. Mas também pudera, aquela comida não puxa carroças. Daí ter sido a obrigado, em média, a almoçar duas vezes e a jantar três. E mais umas coisas pelos entremeios. Bom, tudo bem que a comida de facto não puxa carroças, mas gosto daquilo. É boa chafurdeira e além disso comer naqueles pardieiros dá um certo gozo, com lagartixas a baratas a passear por todo o lado. E para aumentar a adrenalina imaginar como será a cozinha. Aliás, basta apenas um ligeiro olhar para os utensílios utilizados e o resto deixa-se à imaginação.
E o estupor da mala que está pesadíssima. Mas vá lá, o rapazinho da Qatar Airways em Singapura foi simpático e fechou os olhos aos 5 quilos a mais. Com o recado "para a próxima tenha atenção ao peso". E pensei "que queres caralho? Sou migra, e migra que se preze enche as malas com tudo o que se lembra". E não pesou o rapaz a minha mala de mão. Se o fizesse até me dava um tiro. E mesmo assim trouxe um casaco na mão (que aliás é uma coisa muito bonita de se fazer em Singapura, arrastar malas pela rua com um casaco pendurado na mão, a avaliar pelo calorão). Mas o casaco tinha um motivo. Chegado ao aeroporto toca a meter as lentes que trouxe comigo e o carregador de pilhas, por si só grandes contribuintes do peso da mala de mão, tudo nos bolsos do casaco. Assim, se me pesassem a bagagem de mão talvez esta não pesasse tanto. Passou tudo. Agora de certeza que não escapo é em Madrid, que os gajos adoram foder tugas.
E estou para aqui enfiado no aeroporto de Doha, capital do Qatar. E que bela merda de aeroporto, fosga-se! Valeu pelo momento de boa disposição ao observar a sala de fumo, que de facto faz juz ao nome. Cheguei a ter dúvidas se se tratava da sala de fumadores ou se era alguma recreação da batalha de Alcácer Quibir, com El Rei D. "Bastas" a reaparecer no denso nevoeiro. E porque não, isto aqui não é terra de mouros?
Quanto à Qatar Airways, nota bastante positiva. Os únicos aspectos negativos foram mesmo a lentidão no check in e o entretenimento a bordo que é uma bela bosta, mas de resto tudo excelente. Até o facto de terem atirado com o avião para um poço de ar, momento esse que adorei. E a avaliar pelos gritos, a coisa deve ter sido boa, só tenho pena de estar quase a adormecer quando tal sucedeu, mas fosga-se, esta gente grita logo por um poçozinho de ar tão inofensivo. Gostei da tripulação, não têm nem aquele ar de quem tem um pau banhado em picante enfiado pelo cú acima, que lhes dá aqueles ares presos (como na Etihad e afins) e nem o rei na barriga como em muitas outras. Ou quase todas. Porque como esta só conheço a Air New Zealand. Pessoal natural e solto. Quando fui à casa de banho até se meteram comigo. Pensei ainda em contar a piada da tri-sacudidela da pila, mas talvez fosse ir longe de mais e não entenderem. Eh pá, mas até agora gostei.

sábado, 24 de março de 2012

Singapore Sling

Sim, eu sei, é uma analogia parva, mas cansado como estou não me apetece fugir a clichés. Cheguei ontem a Singapura, voado na merdice da Jetstar. Bela merda! Ainda por cima atrasado. Valeu ter vindo na fila de emergência e assim voar com os presuntos esticados.
Que dizer de Singapura? Que putaria! Isto é que gosto, gente aos magotes, prédios altos, muito calor, poluição, comida "desigiénica", enfim, um maranhal. E barato. Só por causa disso ontem jantei 3 vezes! E nos piores pardieiros que consegui encontrar, mas daqueles bem nojentos em que higiene nem sequer figura de estilo é. Dessa merda é que eu gosto. O que esses paneleiros da ASAE iriam facturar aqui! Sim, a esses gajos apenas lhes interessa o lucro.
Hoje andei como a porra! Como há muito tempo não andava. O pardieiro onde estou instalado fica junto à Little India. Fui a pé por aí abaixo, passei (claro!) pelo Hotel Raffles, fui ao Esplanade e ainda a uma das maiores aberrações que alguma vez vi na vida: Sands Towers. São três torres gigantes, unidas no topo por uma coisa que se quer parecer com um barco. Naturalmente que a primeira impressão que tive ao ver semelhante coisa foi um "foooooooooooda-se". E com sotaque à Porto, com toda aquela musicalidade tão característica de um bom "fuoda-se" nortenho. Acho até que devia ser elevado a uma das sete maravilhas de qualquer coisa de Portugal.
E por ali deambulei, atravessa o rio para lá, atravessa o rio para cá, fui ao Civic Center, a Chinatown, Orchard Road. Basicamente andei feito besta cavalar, os pés a assar e os estupores das boxers a roçarem-me nas coxas, que vou ter de dormir de perna aberta para refrescar, que amanhã vai ser outra caminhada. Para quem conhece Singapura, tem consciência do que andei a pé, mas para quem não conhece, andei para caralho.

quinta-feira, 22 de março de 2012

E acabou!

Pois é, e cá estamos na minha última noite de pernas para o ar. As próximas três serão com as pernas de lado, sim, que Singapura ainda não está bem direitinha. E depois de volta.
Tenho pena de deixar Melbourne. Esquecendo a parte de nada ter corrido bem, confirmou-se que ia gostar muito da cidade. Hum! Se calhar até sou um gajo positivista. Mas enfim, continuando. Vou ter saudades do movimento da Swanston e da Elizabeth, sempre cheias de gente, de dia e de noite, todos os dias. Sentir-me parte da multidão, totalmente anónimo. Deste ermo onde estive enfiado este tempo todo é que nicles, saudades nada.
Não fosse o facto de não ter experiência como trolha, daria para arriscar pedir o visto de trabalho, isto porque o boss ofereceu o sponsorship. E há aqui gente que matava por ter uma coisa dessas. Mas sem experiência não há visto. E a Imigração confere mesmo se há ou não experiência. Outras formas existem, mas não há tempo nem dinheiro.
Se valeu pela experiência? Sei lá! Mas deu para aprender uma lição muito, mas mesmo muito básica: para onde quer que se vá, que seja já com trabalhinho na mão. E deixem-se de coisas "e já experimentaste o Brasil, Angola, Dubai, Canadá?" e o raio que parta A4. É acordar para a vida, isto não é só porque uns dizem que se está muito bem nesses locais, que é caso para experimentar como se estivessemos a experimentar roupa na Zara (há aqui uma!). Os "uns" que dizem essas coisas, metade sonha e a outra metade foi para lá mas com emprego garantido, orientado em casa. Vamos acordar para a realidade, se vamos para outro país à aventura, o mais certo é o regresso para breve. Haja dinheiro para isso. E por isso volto tão cedo.
A mágoa é grande, porque abandonei muita coisa e muita gente, à procura de novo projecto. Quanto mais não seja por esta ter sido a única oportunidade que tive em 10 anos que ando à procura de mudança. E a lutar por ela. E essa única oportunidade esvaneceu-se. E volto a perder. As coisas vão ser diferentes, muita coisa ficou para trás. E abandonei o que abandonei para nada.
Outra realidade é que por muito que pensemos, 50% das probabilidades são de o resultado dar para o torto, por isso desengane-se quem pensa que tem tudo controlado. A vida é um jogo e há que arriscar. Ganhamos somos os maiores; perdemos, não temos necessariamente que ser considerados fracos, tentámos, lutámos. Muitos outros ficam à espera, ou têm medo. Não me considero nenhum herói, fiz o que muita gente por esse mundo fora faz. Com uns resulta, com outros não. Comigo não resultou, mas tentei.
Há quem me censure. "Foda-se, tanta coisa com jantares e emigrares e já estás de volta?" Fale quem souber das coisas, porque quem viver num mundo de fadas, o melhor mesmo é abster-se de comentar, pois a coisa mais certa de sair da boca é disparate. Fale quem tem sensibilidade para perceber os pontos de vista de terceiros. Chego a um ponto da minha vida, em que ao invés de consolidar a dita, ainda a destruo mais. Arrisquei, e demasiado. Falhei. Siga para a frente. Não faço a mínima ideia do que vai ser a minha vida daqui para a frente, mas por favor não me digam que melhores dias virão, porque isso não ajuda. Esses dias só virão se continuar a lutar, mas por uma vez na vida gostava de ver os frutos dessa luta, porque já começa a cansar lutar e ter cada vez menos.
Pelo menos que conseguisse ir para caixa de supermercado, afinal de contas nestes também aceitam muitos licenciados. E ao menos exercitava a cabeça com a matemática. E não fazia como a chinesa do mini-mercado aqui perto, que no outro dia dei 30,10 para pagar uma conta de 20,10, e teve a rapariga de recorrer à calculadora para saber o troco a dar.
E volto para o nosso país, sempre em ebulição. E com as eternas greves. E com gente que pragueja aos quatro ventos contra greves e grevistas, mas quando são entrevistados pela comunicação social dizem que sim, que concordam com a greve, qual "vira-casaquismo". Queixam-se e choram-se, mas mudam o discurso com soberba facilidade. Quando deviam aproveitar esses momentos para manifestar todo o seu desagrado. Só tenho pena é que não me entrevistem a mim que dizia logo o que penso das greves e grevistas.
Blá blá blá, sim, já sei que a greve é um direito que assiste. O caralho! Só faz greve quem mais mama. E quem tem o seu poleiro bem seguro. Cambada de filhos da puta chupistas e anarquistas. Trabalhar à paulada é o que muita gente precisava. Por diversas vezes na vida trabalhei mais de 30 horas seguidas. E pouco ganhava. Mas tenho brio. E tenho consciência que se não der o meu melhor a empresa vai com os porcos, e por arrasto vou eu. Anda é por aí muito filho da puta que se está perfeitamente a marimbar, porque o seu poleiro está seguro, e com chorudo ordenado. Porque se esses filhos da mais reles puta ganhassem 500 euros a recibos verdes, com o credo na boca, cagavam para a greve. E anda muita gente na mesma situação que eu, a penar, a rogar por um trabalho, e ficamos a chuchar no dedo porque anda por aí muito filho da puta a chular o Estado. Estão descontentes? Vão para o caralho! Troquem comigo, que não me importo nada de ganhar uns milhares para andar a brincar aos combóios.
Alguém que tenha enfiado a carapuça e não goste do que escrevi? Temos pena. Pode ser que aprendam uma lição de civismo e de como enfrentar a vida. Metam a greve no cú e ponham-se mas é a justificar o que ganham.
Para acabar, o meu muito obrigado aos diversos leitores, dos mais diversos cantos. Portugal, Espanha, Reino Unido, Alemanha, Malásia, Austrália, Noruega, Rússia, Estados Unidos e Brasil. Há gente que não tem mesmo o que fazer. ihihih

quarta-feira, 21 de março de 2012

As iludências aparudem

Veio-me este "títalo" à mona por causa do que se passou hoje no banco, quando lá fui fechar a conta. Quem me atendeu foi o mesmo senhor que me atendeu quando lá fui levantar o cartão multibanco. Homem simpático e conversador, com uma cultura futebolística portuguesa de meter inveja, sabendo até quem é o Nuno Gomes. E vá lá, sabe bem mais coisas de Portugal para lá do pontapé na bola.
E lembrou-se de mim. E estivemos um bocadinho à conversa enquanto ele tratava do fecho da minha conta. E disse-me então para o seguir para a caixa. Pensava eu que o rapaz estava sentado numa cadeira baixinha, pois era mesmo baixo para o balcão. Fosga-se, o homem sai-me do balcão e não, não saiu da cadeira, ele é mesmo bué baixinho. Felizmente sustive o riso. Sei bem que não se deve rir destas coisas, eh pá, mas dá vontade, porra!
Mas já fiz pior há uns anos.  Gosto muito de crianças, e em belo dia vi uma tão engraçada na rua. E ia fazer um carinho. E a boa ou má hora verifiquei que a criança não era petiz, mas sim anão. Enfim, coisas desta tragédia com um par de pernas. Sempre a dar barraca!
E o caraças do MP4 que não me sai da cabeça. Olha, pode ser que o filho da puta que me roubou o dito seja um produtor musical e que goste tanto da música portuguesa que, lá está, agende uns concertos aos nossos músicos. Por isso, Rui Veloso, Jorge Palma, GNR, Balla, Mundo Cão, Ban (sim, ainda há quem ouça estes gajos!), Sétima Legião, Expensive Soul e Pop Dell'Arte preparem-se para dar grandes concertos na Austrália. E hoje a ir para a cidade, e por lá a deambular, sem música nos ouvidos. Que raiva!

segunda-feira, 19 de março de 2012

Mau carma

Pois de facto é o que este país me dá: mau carma! Desde que meti aqui os cotos, desde o primeiro momento, tudo correu mal. E há-de correr até me ir embora.
Pois hoje lá fui eu carregar com a merda da mala "made in China", toda lixada, até à estação de correios em Preston, a terreola ao lado, que sempre tem mais vida que esta merda onde estou enfiado. Digo à senhora que é para despachar aquilo, a rapariga vai de medidas e foda-se! Em altura estava bem, mas mediu o volume e tinha 20 cm a mais. Raios me partam! Nem me quis chatear e voltei aos estafermos dos chineses.
Chegado à loja, meto os óculos escuros e o MP4 numa cadeirinha de plástico para tirar medidas a uma mala. A mala do equipamento fotográfico estava à porta da loja, pelo que a fui buscar para ver se cabia na nova mala a comprar. E entretanto lembrei-me dos meus óculos e do MP4. E foda-se, puta que pariu a minha sorte! Foram-se! Alguém levou. Algum filho da puta! É da maneira que fica a conhecer a boa música portuguesa. Mas aqueles auriculares haviam de ter carradas de cera que lhe entrassem pelos ouvidos dentro e lhe infectassem os tímpanos. E havia de infectar a merda de computador que tiver. E os óculos há-de parti-los na tromba. Bom, esses já tinham mau carma desde que os comprei.
Em dado casamento que fui em Agosto, um verdadeiro espectáculo do princípio ao fim, pois que finda a festa me sentei em cima dos óculos. E lá foram a arranjar. Uns dias mais tarde salta uma lente. E lá foram a arranjar.
Agora ter ficado sem o MP4 é que me desgosta. Inconcebível andar na rua sem ter música para ouvir, dou em doido. O dinheirão que aquilo custou, tinha 16 Gb e estava cheio. Tinha música para dar e vender. O filho da puta que se abarbatou das minhas posses há-de ficar surdo e pior, há-de tornar-se sócio do Sporting.
Cabeça de merda a minha! Ter-me esquecido do MP4 e tê-lo deixado à mercê de meliantes merdosos merecia o pior dos castigos. Oxalá que avarie, mas oxalá mesmo. De facto, este país só me dá mau carma.

Chineses vs. Zara

Fosga-se! Os chineses são de facto um povo que admiro pela sua enorme capacidade de trabalho e de união. Daí os gajos dominarem onde quer que metam os cotos. Mas porra, os gajos têm tanto de trabalhadores como de batoteiros. Mas estúpido é quem lhes compra alguma coisa. Imensamente estúpido é quem insiste, vez após vez, comprar a estes gajos. E eu faço parte deste grupo.
Pois então que para evitar pagar uma milena em excesso de bagagem, convém então enviar o equipamento fotográfico, e mais umas merdices que contam para o peso, por correio. E porra! Lá voltou o inferno de andar à procura de uma caixa metálica para enviar as minhas meninas. Mas andava eu a deambular por uma loja de produtos chineses, quando me veio à cabeça a brilhante ideia de comprar uma mala onde coubessem todas as merdices que quero enviar por correio.
Contente fiquei por comprar uma mala grande o suficiente por pouco menos de 60 Dólares De Pernas Para O Ar. Mas puta que pariu. Pior que estes gajos serem aldrabões é eu ser mesmo burro e estúpido! Comprei a mala de manhã e à tarde fui à estação de correios para despachar a dita. À ida sentia uma enorme resistência por parte da mala. Olho para baixo e... puta da roda! Desfez-se! Filhos da puta! Trabalham como se não houvesse amanhã, mas aldrabam ainda mais. E aproveitam-se à grande de otários como eu!
E pior! Chego eu à estação de correios e pimba! Fechada. Há uma coisa que já reparei aqui: nos sites das empresas aparece uma coisa, mas na realidade fazem outra. Pois então que o site da Australia Post diz que as lojas fecham às 18.00 e eu cheguei às 17.30 e os cabrões já se tinham posto a andar. Fecharam às 17.00. Fonix! Arrastei a puta da mala até à estação de combóios para ir à estação vizinha. Arrastei a puta da mala mais uns 200 metros até à estação de correios. E aqueles coirões já se tinham posto a andar. Porra pá, quero viver num país em que se trabalhe pouco e se ganhe muito. Mas infelizmente Portugal é um feudo, onde andam algumas cavalgaduras a trabalhar que nem mouros para sustento de alguns barões.
Vá, toca a arrastar a puta da mala de volta para casa, que amanhã se vai repetir o mesmo. E oxalá que os gajos aceitem a mala. Mais perto existe uma papelaria que trabalha para a Australia Post, onde realmente até posso despachar a mala. Mas a quem pertence o estabelecimento? A chineses! Puta que pariu! Prefiro arrastar quase 20 quilos, qual via sacra, a meter a minha "vida" nas mãos destes gajos.
E qual o porquê da comparação patente no título? É óbvio caraças! Chineses e Zara é tudo barato, mas porra, as coisas da Zara duram mais que uma hora.

quinta-feira, 15 de março de 2012

O esquema

Só foi pena não ter orientado aqui um esquema manhoso como aqueles que uso para orientar bilhetes baratos. Mas enfim! Prossiga para bingo. Pois hoje foi o dia em que marquei o meu bilhete para a terra que me viu os chifres pela primeira vez. A Tugalândia.
O esquema pode ser um pouco manhoso, mas foi o melhor e mais barato que se arranjou. Ou isso ou sair daqui na China Southern Airlines e fazer Melbourne-Guangzhou-Pequim-Amesterdão-Lisboa por quase 1.000 Euros, e agora vão lá ver ao mapa o percurso. Mas como sou um gajo que não me estou para chatear com perdas de tempo (quanto mais não seja que só em Amesterdão a escala era de mais de 10 horas e sim, já conheço Amesterdão de fio a pavão, e sim, chamem-me cagão), vou mas é fazer uma linha de jeito, não de coca, mas uma coisa civilizada. Sim, porque por muita caralhada que diga, sou um gajo civilizado.
Ora então temos: Melbourne para Singapura na Jetstar no dia 23 e aproveito para ficar por aqui 3 dias para fazer umas compritas, coisa pouca. Uma 10-22 dava um jeito do caralho! De preferência barata. Mas barata de preço baixo, que baratas que trepam paredes já eu estou farto. Depois, o único português que ainda não tinha voado na Qatar Airways vai finalmente fazê-lo. Dia 26 Singapura-Qatar-Madrid. E só falta o dia 27, e ainda bem que a puta da Iberia está cara, que faço Madrid-Lisboa na Air Europa. E se calhar é melhor não dizer que o alojamento por 3 noites em Singapura ficou por 45 Euros, para não me chamarem filho da puta.
Agora não me chateiem com o "foda-se pá, só de ler esse itinerário fiquei com canseiras! Não havia nada mais directo? Ainda por cima Singapura, que seca!" Quero que se lixe, foi o mais barato que encontrei. Por 881 Euros um gajo faz o sacrifício. E sim, inclui os 45 Euros do hotel em Singapura. E sim, faço o desenho, os 45 Euros são as 3 noites, não é por noite.
E agora é foder o resto do dinheiro e é que é já no sábado. Se não sabem, deviam saber. O menino é maluco por aviões e até gosta de os fotografar (atenção que gostar não é sinónimo de ter jeito). Tentei há tempos ir para um dos locais de spotting, mas fonix, esquece lá isso, tudo longe e é mesmo necessário ter carro. Pois já que me vou embora vou cagar 90 Dólares e vou de taxi para uma das zonas de spotting. E volto pela mesma via. Não saio daqui sem fotografar as coisas que voam.
E quando chegar não me moam o juízo com "não viste canguruuuuuuuuus?" Pá, que se fodam os cangurus e os coalas. Para os ver em cativeiro, mais vale ficar quieto. Se há coisa que não me apetece é enfiar-me no meio de turistas a verem e a fazerem o mesmo. Muito menos aquela cena de Philip Island, para ver os pinguins. Vi na televisão há tempos o que se passa por lá. Fonix, montaram uma bancada para os turistas verem os pinguins. Depois de os ter visto em total liberdade na Nova Zelândia, eu e os pinguins, a um palmo de mim, ia mesmo agora enfiar-me numa bancada à beira-mar plantada para os ver.

quarta-feira, 14 de março de 2012

As pequenas curiosidades

Vamos a uma pequena lição de cultura geral. Já que aqui estou desterrado, nada como espalhar a minha vasta cultura aprendida e apreendida aqui.
E comecemos pelo princípio, por quem fundou a cidade. Foi o Batman! Isso mesmo, leram bem. Mas desenganem-se, que não foi o morcego, embora eles andem aí. Foi um tal de John Batman quem fundou esta cidade e aqui têm orgulho nele. Confesso que a primeira vez que vi aqui uma avenida com o nome de Batman, achei estes gajos um pouco loucos. Mas depois de ver quem de facto era o Batman, então pronto, tudo ficou esclarecido e voltei a considerar esta gente como sendo normal.
E os cruzamentos! Completamente surreal. Imaginem-se numa larga avenida e precisam de virar. O sinal fica verde, mas para seguir em frente. O que se faz então por aqui? Avança-se um pouco e encosta-se à esquerda no meio do cruzamento. Quando o sinal fica verde para a via transversal então é arrancar o mais rapidamente possível. Confesso que achei muito estranho e sempre achei o mesmo por a polícia não dizer nem fazer nada. E muito me ri. Mas após um cuidado levantamento de cabeça verifiquei a existência de um sinal de trânsito a permitir essa mesma manobra. Bom, afinal são um bocado estranhos.
A fruta. Há por aí muita, mas toda sabe ao mesmo. A nada. Pelo menos a carne é boa, tenho comido muita e da boa. As notas têm uma parte feita em plástico. Estranho! De entre os diversos clubes existentes na Universidade, um deles é o do Cubo Mágico. Nós estamos mais à frente, já temos a Xbox.
Mas são estas cenas que dão salero ao Mundo, cada canto tem as suas pancadas e as suas curiosidades. Os australianos são um povo que tem a pancada de atirar com tudo. Ele é concursos de atirar boomerangs, ele é concursos de atirar pedras, ele é concursos de atirar gigantes colheres de pau, enfim, um enorme manancial de atiramentos. Por oposição aos vizinhos neo-zelandeses que têm a mania de se atirar de todo o lado. Ou não fossem eles os inventores do bungee jumping e afins. E quando algo é suficiente baixo, atiram-se de baixo para cima. Lá está, como prova do seu dinamismo, os Kiwis inventaram o bungee jumping negativo.
Ah! E a grande atracção existente aqui perto, a Great Ocean Road, em que um dos seus pontos altos são umas formações rochosas no meio do mar, chamadas de Twelve Apostoles. Mas de facto são 13. Ao que tudo indica quem baptizou parece que marrou com os cornos e barco numa delas e deixou-a de fora do título. Parece que amuou.
Às vezes é tão saudável ter um pouco de insanidade.

terça-feira, 13 de março de 2012

O meu é melhor que o teu

Veio-me à ideia este título devido a discussão mantida ontem em chat internesco. A discussão que determinado local é melhor que outro, e se não gostas fica aí.
Ora acho que se pode criticar negativamente, mas entretanto gostar. Mas esclarecendo. Portugal tem coisas boas e coisas más. É melhor que a Austrália numas coisas, pior noutras. E vice versa, para não voltar a escrever aquela lenga lenga toda do lado australiano.
Então se digo que a Austrália tem coisas melhores que Portugal, será isso razão suficiente para ser traidor à Pátria e ter de ficar por aqui? Há que ter sentido crítico e saber comer com críticas. O facto de afirmar que a Austrália tem coisas melhores não faz de mim traidor do nosso Rectângulo. Amo o meu país mas entristece-me o facto de muita coisa estar mal, pior que economicamente, socialmente.
"Então se isso é melhor, fica aí!" Como quem diz "não precisamos de ti aqui". Pois este espírito é que ajuda na auto-destruição do país. Porque não retirar as melhores lições? Já que se diz amiúde que só se copiam as coisas más, pois então aqui está uma excelente oportunidade de copiar coisas boas. E a primeira coisa a fazer é ver o que de bom se faz para se "importar". E o oposto também se aplica.
De facto não me importaria de ficar aqui, condições houvessem. Mas querer mesmo, com muita força, queria era estar no meu Rectângulo. E foda-se, temos tudo para sermos um grande país, mas fazemos tudo para o encavar.
O espírito auto-destrutivo é abismal e amuamos só porque alguém critica. Alguns, de facto, nasceram com o pacote virado para a lua, enquanto que os outros, por compensação, têm de dar o pacote. Mas aos que nasceram com a peidola virada a Norte, falta-lhes alguma experiência de vida, falta-lhes sair do berço. E diz-vos isto quem também já foi assim. Também me chateava quando criticavam negativamente o país, embora por vezes tivesse de admitir a verdade. Também durante muitos anos fui menino protegido e acordei para a vida real mais tarde que muita gente. Mas fi-lo, daí que nenhum inexperiente na vida me venha dizer para mudar de mentalidade, porque já o fiz, acordei para a vida.
Para alguns a vida não custa, vivem à conta. Se eu assim o fosse, andava aí a esfregar a peida na praia à espera do subsídio. Mas ao menos tive-os no sítio para não sobrecarregar o Estado. Sim, sei muito bem que apenas um não faz a diferença, mas quantos também não se podiam pôr com rodinhas e viver à sua própria conta?
Tenho plena consciência de que tenho direito ao subsídio de desemprego, mas que tal fazermos por evitar? Todos querem tudo do Estado mas ninguém quer dar nada ao Estado. Preferia muito mais uma mentalidade nacional aberta e um país com oportunidades. A bem dizer, preocupa-me a minha casa e os outros que se fodam. Interessa-me é o meu país e os outros que se orientem. Naturalmente que não desejo nenhum mal aos outros país, mas para mim, em primeiro estará sempre o meu país, que os outros países têm quem deles cuide.
E muito menos admito que me venham com histórias de que se aqui é melhor, então o melhor é ficar por aqui. E muito menos o admito vindo de... bom, é melhor calar-me.
Meus amigos, isto é assim: ouvem uma comparação que país X é melhor, ao invés de amuarem, façam por mudar. Mas às vezes o facto de dizer que determinada coisa noutro país é assim, não quer dizer necessariamente que é melhor, uns fazem de uma maneira, outros fazem de outra, e a isso se chama de diversidade de ideias e de vivências. Às vezes ser diferente, significa isso mesmo, ser diferente.
Amo o nosso Rectângulo, mas não tenho qualquer problema em afirmar que aqui há coisas melhores. É um facto. E é uma grande verdade. E a primeira coisa que podíamos fazer para sermos tão bons como estes gajos era ganharmos sentido de comunidade e de entre-ajuda, porque esta merda de cada um querer saber apenas do seu quintal não nos leva a lado nenhum a não ser a um poço cheio de merda.
É chavão, mas é verdade, somos um povo de contradições. Ora num momento temos as melhores coisas do Mundo, como de repente temos as piores. Pá, temos coisas. Boas e más! Há tempos ouvi uma senhora a dizer que a sardinha portuguesa é melhor que a espanhola. Fonix, querem-me ver que a sardinha assim que passa a fronteira embeleza? É que pelo que sei grande parte das sardinhas que mamamos em Portugal vem de Espanha. E muitas outras de Marrocos e da Mauritânia. E os espanhóis também lá vão. Hum! Se calhar deve ter a ver com o tipo de redes, as nossas devem ser perfumadas.
São estas cenas que temos que perder a mania. É questão de se aplicarem pequenas regras que se aprendem em Gestão e Marketing, a puta da análise SWOT (para quem não sabe é a análise dos pontos fortes, pontos fracos, oportunidades e ameaças - strenghts; weaknesses; opportunities; threats. Mais uma para a vossa cultural geral!). Basta analisar os nossos pontos fortes e explorá-los, fazer por corrigir os pontos fracos, aproveitar as oportunidades e evitar as ameaças. É básico! E exequível (ou como disse uma vez um professor, "fazível").
Mas pronto, as nossas nectarinas são infinitamente melhores que as de cá, que estas não sabem à ponta de um corno.

domingo, 11 de março de 2012

O "sub-alterne"

Em conversa mantida esta noite, acerca do que se diz por aí em termos de emigração, fiquei a par de mais uma pérola do jornalismo que se vai praticando por terras do Rectângulo. Parece que agora andam fixados nos emigrantes que vêem os seus projectos falhados. Como que em tons de requintada malvadez e desdém parece que agora interessa de sobremaneira os migras que bazam e acabam por voltar porque não conseguiram nada. Incluo-me nesse pacote e não tenho qualquer problema em admiti-lo, uns conseguem, outros não, é uma questão de sorte. Mas pelo menos tentei e isso ninguém pode negar.
Mais uma vez verificamos o subalternismo dos pseudo-jornalistas da nossa praça, que tal como os sindicalistas, são outro bando de "lambecuzistas", sempre ao dispor dos políticos, não da política. Cantam constantemente a isenção do jornalismo face ao poder. Mas desafinam como tudo! Porque cantam uma coisa, mas tocam outra. E é bem patente a promiscuidade entre estes dois poderes.
Muito teriam de aprender acerca de isenção. Em vez de gozarem com a situação de gente que tenta uma vida melhor noutros países, sim, porque no nosso próprio país não temos qualquer oportunidade, porque os mentecaptos é que conseguem do melhor, daí muitos serem jornalistas, deviam era preocupar-se com a situação destes.
Não saí de Portugal só porque sim, saí por não ter direito a uma única oportunidade, não saí para andar a passear. A coisa não correu bem, mas sinto-me gozado pela nossa escroque comunicação social, que é um dos maiores cancros da sociedade lusa. Aos meus amigos e conhecidos que trabalham no meio não devo qualquer pedido de desculpas pela generalização, deverão antes tentar compreender a situação. Tanto falam de isenção e fazem tudo menos isso.
Não são capazes de se limitar ao seu serviço básico, que é informar. Procuram o "veneno" em prol da defesa dos seus amigos políticos. A promiscuidade existente não é oficial, mas ela existe. "Vamos ali almoçar, preciso de um favor", isto é o que existe, esta promiscuidade é a de mesa de restaurante ou quarto de motel. O jornalismo no Rectângulo é pura e simplesmente um veículo de comunicação totalmente ao serviço dos políticos, do poleiro, do protagonismo.
Senão vejamos as coberturas vergonhosas que fazem das manifestações, isto quando estas não calham em dia de praia. O que é que preocupa os doutos jornalistas nas suas coberturas? O chouriço assado, a porrada, os índios. É só isso que lhes preocupa ao invés de transmitirem a verdadeira mensagem. Ficou bem patente na manifestação de 12 de Março de 2011 o que os jornalistas foram fazer às manifestações, foram procurar sangue, não foram procurar motivações. Sabendo de antemão que iam haver agentes provocadores que pretendiam desestabilizar. Cambada de otários, pois nem um nem outro bando conseguiram os seus intentos. Tiveram azar, houve alguns políticos, que na ânsia de conseguirem protagonismo, se colaram à grande. Alguns até estão no poleiro agora e até já não gostam nada destas coisas de manifestações.
Parece então que é motivo de chacota a malta que se vai embora e pouco tempo depois está de volta, porque andou a dormir em baixo de pontes. Se isso é motivo de chacota, então mais me parece que estes ditos jornalistas são uma cambada de perfeitos anormais. Nada mais fazem do que serventia aos poderes instaurados.
E o povo não tem voz. Porque não quer. E porque isto está bom é para a praia ou para ver o Benfica. Bom, se calhar seria bom que o Sporting fosse o clube com mais adeptos no país. Esta merda num Inverno bem chuvoso piava de outra forma. E o povo não tem voz não só porque não quer, mas porque também não deixam, e povo deixa que isso aconteça, é amorfo.
Há duas semanas foram as eleições internas do Partido aqui do Governo. A Primeira-Ministro ganhou com 12 votos de diferença. Logo começaram as campanhas de comunicação, uma a dizer que foi uma vitória estrondosa (73 contra 61), outro, o derrotado, a dizer que é um claro sinal que as coisas não estão bem. E a mim quer-me fazer parecer que o derrotado não deixa de ter a sua razão. E porque digo isto? Porque aqui a comunicação social explorou bem o assunto, mas explorou-o como manda o código deontológico. Apesar de algumas bocas, apenas se limitaram a serem veículos de transmissão de informação. Mostraram entrevistas de rua a pessoas a favor do Governo, contra o Governo e ainda os casos mais problemáticos, aqueles que não lhes interessa. Isto sim, é jornalismo, é formação no sentido de formação de opinião. Não é essa merda que esses alarves para aí fazem, que só passam recados do Governo e apenas transmitem as entrevistas feitas a energúmenos que mal conseguem articular duas palavras seguidas.
De facto, entristece-me ver um povo fraco rodeado de um jornalismo do mais rasca, com supostos formadores de opinião que nada mais são que uns cagões mal amados. E aqui falo directamente do meu ódio de estimação, esse alarve que é o Miguel Sousa Tavares, um tal de suposto plagiador. Digo suposto porque não ficou provado, não tendo por isso qualquer direito de o acusar, mas onde há fumo há fogo. Pois então são marmelos destes que ficam encarregues de formar a opinião de um povo, que já de si é completamente desinteressado? Este gajo, de facto, representa uma grande fatia de portugueses, aqueles que têm de ser do contra porque é bem, porque têm de ter sempre uma opinião diferente. Sinceramente, o canal de televisão onde este gajo vomita só tem a perder e já devia ter sido escorraçado há muito, mas mesmo muito tempo. A arrogância e pedância de tal sujeito é de tal ordem, que me dá comichão só de o ver, quanto mais ouvi-lo. Mas lá está, é o espelho do jornalismo português.
Tudo isto acontece por sermos um povo amorfo, e não como na Islândia que mandaram o ex-Primeiro-Ministro para tribunal. Ou como aqui, que a classe política está sob constante escrutínio. E a PM, por muitos tomates e descaramento que a mulher tenha, e que lhe tiro o chapéu por isso, muito me cheira que não chega ao fim do mandato. A pressão pública é de tal ordem que ela não o admite, mas sabe que tem o lugar em risco. A comunicação social faz o quê? Limita-se ao seu serviço básico, informar. Aí anda tudo à procura de poleiro e protagonismo e é ver muitos jornalistas da nossa praça a arcagarem-se como bois com um gigante par de cornos. Tenham coragem, sejam isentos. Se é para fazerem o que fazem, inscrevam-se logo nos partidos políticos. E tu povo, levanta-me esse rabo e mexe-te!
Aqui a opinião pública conta, e muito. E começa desde cedo. E sai já um exemplo bem recente: a minha Universidade lançou uma regra que prevê um aumento considerável do número de horas de aulas, impossível de conciliar para quem trabalha, sendo mais grave para quem lhes dá o verdadeiro sustento, os estudantes internacionais. O Sindicato dos Estudantes (aí mais conhecido por Associação de Estudantes) opôs-se veementemente e exigiram a anulação imediata da nova regra, sob pena total de greve e interrupção de pagamentos. Negociações feitas e a regra avançou mas apenas com mais um dia de aulas. Dá então para ver o que acontece quando o povo se levanta, certo? Outros países há em que as associações de estudantes são boas portas de entrada para partidos políticos e para se baldar às aulas e mesmo assim passar de ano. E é ver gajos de barba feita, a parecer mais velhos que eu, a pavonearem-se por essas Universidades fora.

sábado, 10 de março de 2012

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E pronto, regressei há pouco a este cú que é este subúrbio de Reservoir. De facto este subúrbio dá mesmo a porra de um mau karma, um gajo chega aqui e fica logo em baixo. Esta merda é mesmo triste.
A vantagem é que pelo menos já posso cagar sentado e lavar os dentes num lavatório minimamente asseado. Devo estar com uns músculos do catano nas pernas de ter ficado uma semana a cagar de pé naquele pardieiro cheio de europeidozinhos arrogantezinhos. E poder lavar os dentes sem ser com água Mount Franklin é outra coisa, que isto de lavar os dentes e usar uma garrafa de água ao mesmo tempo é lixado.
Amanhã é feriado aqui, dia do trabalhador. Para mim vai dar ao mesmo, não tenho mesmo nada para fazer. Talvez vá dar uma volta ali ao bilhar grande, que é como quem diz à merda de um jardim que há lá para cima com uns pássaros engraçados. E sacar umas fotos.
E por falar em fotos, esta cidade é bem lixada para fotografar. Ora há cabos por todo o lado, o que nos corta qualquer ângulo (e aumenta o trabalho na edição) ou é esta luz esquisita. Raio de cena, o Sol está sempre de frente, não se consegue nada de jeito.
Também é cagar nisso, já disse aqui que esta cidade não é para "turismar", é mesmo para viver. E aqui faz-se isso. Excepto nos subúrbios onde se morre de tédio. A única vantagem daquele pardieiro onde estive esta semana era o facto de estar no centro, e assim podia ir passear à vontade que via sempre gente. De noite é espectacular, sempre imensa gente na rua, esta multiculturalidade asiática, com um ou outro australiano pela frente. Às vezes dava um certo gozo, pois olhava em volta e ia jurar que o cabrão do piloto enganou-se e trouxe-me para o meio da China. É que não estou rodeado apenas de baixinhos, é tudo escrito em chinês e afins. Esses gajos é que a sabem toda!
Mas isto é bué curtido, ver gente de todo o lado, a quantidade de línguas que se ouve é brutal. Essas cenas.
Vá lá, uma coisa boa daqui é que voltei a ver aviões, se bem que são daqueles merdosos bué pequeninos, e um jacto privado ou outro. Eu cá gosto é de aviões grandes. Mas pronto, estes dão para ir matando a barriga de misérias no que toca à pancada pelas coisas voadoras. Agora de resto, puta que pariu este subúrbio!

sexta-feira, 9 de março de 2012

Nesta cidade acontece tudo

De facto, é em Melbourne que a vida acontece, pois que aqui acontece mesmo tudo. Hoje teve início um dos maiores eventos nacionais, o L'Oreal Fashion Week, com os respectivos protestos a acompanhar. Na próxima semana o Grande Prémio de Fórmula 1, e por isso anda tudo maluco.
Hoje sei que também houve mais jogos de Footie, mas nem estive para aí virado. Até me lembrei do dia que fui ver, um pouco antes de começarem os jogos, interpelei um amigo barrigudo para que me explicasse em 5 minutos as regras do jogo. No fim da (boa) explicação perguntei: "mas então não há sangue?" Pois que o senhor disse que não. Ora bolas, queria eu ver porrada da grande, altas chapadonas nas fuças, sangue a respingar e essas cenas assim, e nada, parecem um bando de sissis.
Dizem que por aqui, que apesar de tudo o Footie ainda tem alguma emoção, pois um jogador nunca sabe de onde vem o adversário, e que está aí uma grande diferença face ao Râguebi. Fonix, quem diz isso de certeza que nunca na vida viu um jogo de Râguebi. Pois que eu joguei o dito por diversos anos e às vezes caíam-me marmanjos em cima que nem sabia de onde vinham, que às vezes até pensava eu que tinha levado com um camião TIR no cachaço!
Hoje fui finalmente à Torre Eureka e ao Level 88. Creio que não preciso dizer em que andar fica, né? Mas para vossa informação, fica a 300 metros de altitude. E fonix, tive a sorte de estar tempo completamente limpo o que deu para ter uma vista do car...! Depois fui experimentar o Edge, uma casota de vidro que se move até 3 metros do edifício (claro que quem fica na ponta fica a mais de 3 metros). Os meus tomates até estremeciam. Mas a sensação é absolutamente orgásmica, principalmente se pensarmos "foda-se, e se esta merda agora caísse?" Muito louco! Ajuda aos níveis de adrenalina.
E claro, a bela da foto. Está bem ò trolha, ia mesmo pagar 15 Dólares para ver a minha fronha como que suspensa no ar. Para ver este monstro já me chega todos os dias em frente ao espelho.
À hora que vos verborreio com este discurso está para aqui a haver uma festa temática Veraneante no bar do pardieiro. Anda para aí tudo de tronco nu. Olha, o que tenho pena é que não metam água do mar que é para ver se estes marmelos tomavam um banho! Mas o chinfrim é mais que muito. Que guinchadeira que para ali vai.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Dos europeus

Que há a dizer dos europeus? Que respondem à letra à fama que têm de arrogantes? Eu sinto-me excluído desse pote visto que sou um bardajão que gosto de conversar com toda a gente. Aqui no pardieiro dá mesmo para matar as saudades que tinha de uma boa arrogância europeia. Ou europeida, que é onde mandava estes gajos todos levarem.
Já na Nova Zelândia ouvi os comentários suficientes acerca de europeus, que me levaram a crer que o defeito não é meu. Não é apenas o facto de não ir à bola com europeus, é o facto de estes serem, de facto, arrogantes. Foda-se pá! Estou aqui enfiado num pardieiro barato, em que higiene é o mesmo que títulos para o Sporting, e estes marmelos andam aqui todos de peito cheio como se fossem uma grande coisa. A não ser que sejam uma grande merda! Eu ao menos sou um fofo. E eles mais estúpidos e duros que um cagalhão!
E a Universidade a tentar salvar um reembolso e a chagarem-me a cabeça que ajudam na procura de emprego e tal. Ya, querem ver que chegaram aqui os santos milagreiros? Esta merda é mais ou menos mais do menos, em que tem menos quem tem mais idade. E assim fica com menos dinheiro e mais chatices. E com menos paciência e mais vontade de sei lá o quê.
À noite jantar com o ex-patrão. Um belo churrasco e uma bela noite de conversa. E copos! Finalmente comi comida ocidental e bebi mais que um copo. Ah! E onde falei inglês pa car...! O homem a tentar dissuadir-me de voltar, para ficar cá porque gostou de mim e teve óptimas referências dos supervisores. Pelos vistos sou mesmo bom, só as supremas inteligências que recrutam é que acham o oposto. E que afinal a história do "sponsorship" não é o que se canta por aí, que é preciso pagar e tal. Diz o rapaz que já fez 10 "sponsorships" e nunca pagou nada a ninguém.
E sim, explico o que é o "sponsorship". Basicamente é uma empresa virar-se para o Governo e dizer que pessoa x trabalha para eles e que gostavam muito de o preservar. A partir daí é uma questão de ter paciência porque a coisa leva anos, só mesmo para fazer o trabalhador sofrer. O que vale é que a música que me cantaram em Portugal foi outra, bem diferente. Enfim, interesses comerciais.
O que vale é que a espetada estava espectacular e ainda estive a ver fotografias de S. Martinho do Porto, visto que o pai do rapaz, australiano, é um eterno apaixonado pelo nosso Rectângulo, e passa por lá 3 meses por ano, tendo inclusivamente comprado casa.
E pronto, isto é o que tenho para vos contar hoje, só mesmo para segurar esta merda de blogue que mais dia menos dia dá o peido mestre. Mas até se borrar todo podem continuar a vir aqui, que me hei-de sempre lembrar de umas merdas para escrever.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Conselheira

Pois foi para onde me mandaram hoje na Universidade, falar com uma conselheira. Agora gostava de saber se por artes mágicas me vai cair um trabalho que dê para conjugar com os estudos. Expliquei-lhe a situação e essas cenas todas, ela compreende e até chegou à mesma conclusão que eu já tinha chegado, que estou num beco sem saída. E perante tal caso até acho que ela foi pedir acompanhamento psicológico para ela. Isto só para dizer que a Universidade também proporciona serviços gratuitos de psicólogos e advogados para os alunos.

Amanhã lá tenho de ir ter com a mulher outra vez, mas sinceramente nem eu, e nem ela, temos solução para o caso. Este aconselhamento é mais um dos serviços da Universidade, neste caso para apoio à procura de emprego. E apenas serviu para quase confirmar algumas suspeitas, com esta idade estou fod...
Só me fazem é perder tempo, pois quero é despachar depressa a cena do reembolso para comprar o bilhete e pirar-me daqui. Entretanto, e para ocupar o tempo livre, fui dar uma volta pela Elizabeth St., que é como quem diz, a avenida que tem 3 lojas de material fotográfico.
Os preços são mais ou menos a mesma coisa, as câmaras talvez um bocadinho mais caras que em Portugal. Ia fisgado, claro, numa 10-22mm, mas também como na Tugalândia, aqui são caras, mais de 1000 Dólares cá da casa. Agora o que não resisti comprar foi uma 50mm 1.8 por 139 Dólares, que é mais ou menos o mesmo que dizer 100 Euros, custando esta no Rectângulo 150 Euros. Desengane-se quem pensa que apenas as mulheres fazem compras para compensar a tristeza, os homens também.
De seguida fui à Brunswick, um dos "must see" cá do sítio. Já lá tinha ido duas vezes mas agora queria ir à minha conta, até mesmo porque queria passar na Casa Ibérica para ver como param as modas tugo-gastronómicas cá do sítio. De português, pouco ou nada, de resto tudo espanhol, pese embora um dos donos seja tuga. Vinho nem vê-lo, e disse-me a mulher do dono que quando têm é Monte Velho e Casal Garcia. Fonix, podiam vender uma merda melhor a estes gajos. Por isso é que os nossos vinhos não vencem, exportam a merda.
De resto esta pocilga onde estou dá mesmo para matar saudades dos "simpáticos" europeus. É só javardos mal educados e arrogantezinhos, típico do mais mediano europeu. E esta merda mete nojo, de tal ordem que até comprei uma garrafa de água de litro e meio para lavar os dentes, porque naqueles lavatórios nem o meu cú lavava!

terça-feira, 6 de março de 2012

E a aventura chega ao fim

Há alturas na vida em que temos de tomar decisões muito sérias na nossa vida. Foi o que fiz quando vi o desemprego à porta. Achei que seria uma ideia boa mudar de ares e ir para onde (pensava eu) há mais oportunidades. Ao mesmo tempo apostava (mais uma vez) em formação.
Pois que mudei de ares, mas o cheiro continuou o mesmo. Vejo-me no mesmo beco, com portas a fecharem-se. Como sabem, a única coisa que arranjei aqui foi trabalhar nas obras, mas que se torna incomportável conciliar com os estudos. E o resto já sabem, mas se não percebem façam o favor de o tentar fazer, de perceber.
Pois que chegou novo momento de tomar outra grande decisão, e analisando o pouco tempo que aqui estive, em que pouco ou nada correu bem, as opções são poucas, com a mais forte a ser a do regresso. Não dá para esperar mais tempo, pese embora tenha pesquisado activamente emprego, este não apareceu e ainda vou a tempo de pedir reembolso do dinheiro despendido no primeiro semestre, e mesmo que não seja todo, uma boa parte poderá ser recuperado, e assim o prejuízo não será total.
Tenho pena que a coisa não tenha resultado, principalmente depois de tudo o que abdiquei. Esta é uma cidade fabulosa para se viver, a Universidade, apesar da desorganização, tem bastante nível e tenta proporcionar o melhor aos seus alunos, mas lá está, sem dinheiro não há festa. Tentar conciliar o trabalho como trolha com os estudos só iria prejudicar estes e traria como consequência problemas com a Imigração. Em caso de reprovação em alguma disciplina o visto é cancelado e não há direito a qualquer reembolso. E se voltar agora ainda volto com algum no bolso.
Cancelei hoje a minha matrícula e amanhã vou pedir o reembolso, tendo agora 28 dias para sair. Volto para Portugal com mais uma lição de vida. Pelo menos aprendi aqui novas formas de ver a vida, que espero manter ao longo da minha vida, assim esta deixe.
Se desiludi alguém, tenho pena, também eu me sinto desiludido. A vida continua e nunca se devem baixar os braços. O que estou a fazer pode parecer um baixar de braços, mas não é. É precaver-me contra um destino que se obvia, por isso mais vale sair daqui a bem do que arranjar problemas no futuro. E assim se deixam portas abertas.
Por muito que uma pessoa diga que pensa em tudo, acaba mesmo por nunca pensar em tudo. Falharam-me alguns cálculos ao início, talvez levado pela música que cantavam de uma Austrália que não existe. É de facto um país excepcional, que ficará para sempre gravado em mim, mas existem também aqui muitos problemas e a crise toca a todos, com todo o aproveitamento que se possa fazer disso.
O mal está feito, não há volta a dar, a vida não volta atrás, resta-me agora continuar a lutar em Portugal. Porque há uma coisa que toda a gente tem de se mentalizar, com esta idade em lugar algum se consegue alguma coisa, a vida está para quem tem menos de 30 anos e só tenho mesmo pena é de não ter feito isto mais cedo. Aí a conversa teria sido outra.
Perdi demasiado em vir para aqui, mas ganhei plena consciência de que a minha situação aqui não vai melhorar, por isso as contas são fáceis de fazer, continuando aqui ainda vou perder mais. Mesmo que me aguentasse, acabaria o Mestrado no próximo ano, já com 40 anos. Tinha de voltar na mesma. Por isso estender uma coisa que está morta à nascença para quê? Ficar aqui até ao fim implicaria gastar uma fortuna de que não veria qualquer retorno, como até hoje não vi face à minha formação académica. Teria forçosamente de regressar a Portugal na mesma. Estar aqui é mais do mesmo.