quinta-feira, 22 de março de 2012

E acabou!

Pois é, e cá estamos na minha última noite de pernas para o ar. As próximas três serão com as pernas de lado, sim, que Singapura ainda não está bem direitinha. E depois de volta.
Tenho pena de deixar Melbourne. Esquecendo a parte de nada ter corrido bem, confirmou-se que ia gostar muito da cidade. Hum! Se calhar até sou um gajo positivista. Mas enfim, continuando. Vou ter saudades do movimento da Swanston e da Elizabeth, sempre cheias de gente, de dia e de noite, todos os dias. Sentir-me parte da multidão, totalmente anónimo. Deste ermo onde estive enfiado este tempo todo é que nicles, saudades nada.
Não fosse o facto de não ter experiência como trolha, daria para arriscar pedir o visto de trabalho, isto porque o boss ofereceu o sponsorship. E há aqui gente que matava por ter uma coisa dessas. Mas sem experiência não há visto. E a Imigração confere mesmo se há ou não experiência. Outras formas existem, mas não há tempo nem dinheiro.
Se valeu pela experiência? Sei lá! Mas deu para aprender uma lição muito, mas mesmo muito básica: para onde quer que se vá, que seja já com trabalhinho na mão. E deixem-se de coisas "e já experimentaste o Brasil, Angola, Dubai, Canadá?" e o raio que parta A4. É acordar para a vida, isto não é só porque uns dizem que se está muito bem nesses locais, que é caso para experimentar como se estivessemos a experimentar roupa na Zara (há aqui uma!). Os "uns" que dizem essas coisas, metade sonha e a outra metade foi para lá mas com emprego garantido, orientado em casa. Vamos acordar para a realidade, se vamos para outro país à aventura, o mais certo é o regresso para breve. Haja dinheiro para isso. E por isso volto tão cedo.
A mágoa é grande, porque abandonei muita coisa e muita gente, à procura de novo projecto. Quanto mais não seja por esta ter sido a única oportunidade que tive em 10 anos que ando à procura de mudança. E a lutar por ela. E essa única oportunidade esvaneceu-se. E volto a perder. As coisas vão ser diferentes, muita coisa ficou para trás. E abandonei o que abandonei para nada.
Outra realidade é que por muito que pensemos, 50% das probabilidades são de o resultado dar para o torto, por isso desengane-se quem pensa que tem tudo controlado. A vida é um jogo e há que arriscar. Ganhamos somos os maiores; perdemos, não temos necessariamente que ser considerados fracos, tentámos, lutámos. Muitos outros ficam à espera, ou têm medo. Não me considero nenhum herói, fiz o que muita gente por esse mundo fora faz. Com uns resulta, com outros não. Comigo não resultou, mas tentei.
Há quem me censure. "Foda-se, tanta coisa com jantares e emigrares e já estás de volta?" Fale quem souber das coisas, porque quem viver num mundo de fadas, o melhor mesmo é abster-se de comentar, pois a coisa mais certa de sair da boca é disparate. Fale quem tem sensibilidade para perceber os pontos de vista de terceiros. Chego a um ponto da minha vida, em que ao invés de consolidar a dita, ainda a destruo mais. Arrisquei, e demasiado. Falhei. Siga para a frente. Não faço a mínima ideia do que vai ser a minha vida daqui para a frente, mas por favor não me digam que melhores dias virão, porque isso não ajuda. Esses dias só virão se continuar a lutar, mas por uma vez na vida gostava de ver os frutos dessa luta, porque já começa a cansar lutar e ter cada vez menos.
Pelo menos que conseguisse ir para caixa de supermercado, afinal de contas nestes também aceitam muitos licenciados. E ao menos exercitava a cabeça com a matemática. E não fazia como a chinesa do mini-mercado aqui perto, que no outro dia dei 30,10 para pagar uma conta de 20,10, e teve a rapariga de recorrer à calculadora para saber o troco a dar.
E volto para o nosso país, sempre em ebulição. E com as eternas greves. E com gente que pragueja aos quatro ventos contra greves e grevistas, mas quando são entrevistados pela comunicação social dizem que sim, que concordam com a greve, qual "vira-casaquismo". Queixam-se e choram-se, mas mudam o discurso com soberba facilidade. Quando deviam aproveitar esses momentos para manifestar todo o seu desagrado. Só tenho pena é que não me entrevistem a mim que dizia logo o que penso das greves e grevistas.
Blá blá blá, sim, já sei que a greve é um direito que assiste. O caralho! Só faz greve quem mais mama. E quem tem o seu poleiro bem seguro. Cambada de filhos da puta chupistas e anarquistas. Trabalhar à paulada é o que muita gente precisava. Por diversas vezes na vida trabalhei mais de 30 horas seguidas. E pouco ganhava. Mas tenho brio. E tenho consciência que se não der o meu melhor a empresa vai com os porcos, e por arrasto vou eu. Anda é por aí muito filho da puta que se está perfeitamente a marimbar, porque o seu poleiro está seguro, e com chorudo ordenado. Porque se esses filhos da mais reles puta ganhassem 500 euros a recibos verdes, com o credo na boca, cagavam para a greve. E anda muita gente na mesma situação que eu, a penar, a rogar por um trabalho, e ficamos a chuchar no dedo porque anda por aí muito filho da puta a chular o Estado. Estão descontentes? Vão para o caralho! Troquem comigo, que não me importo nada de ganhar uns milhares para andar a brincar aos combóios.
Alguém que tenha enfiado a carapuça e não goste do que escrevi? Temos pena. Pode ser que aprendam uma lição de civismo e de como enfrentar a vida. Metam a greve no cú e ponham-se mas é a justificar o que ganham.
Para acabar, o meu muito obrigado aos diversos leitores, dos mais diversos cantos. Portugal, Espanha, Reino Unido, Alemanha, Malásia, Austrália, Noruega, Rússia, Estados Unidos e Brasil. Há gente que não tem mesmo o que fazer. ihihih

1 comentário:

  1. Ter, temos... mas há sempre um bocadinho de tempo fazermos o que gostamos, que neste caso, foi acompanhar-te nesta viagem :-) Bom regresso! Bjo

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