quarta-feira, 25 de abril de 2012

A revolução

Nada mais apropriado do que falar de revolução, em dia de revolução. E esta tem de começar dentro de nós, e temos de acreditar nela, mas depois de acreditarmos em nós. Não vou por-me para aqui com as lamúrias do costume acerca da revolução de Abril do Século XX, que dessa se fala muito e pouco se sabe.
Podemos é aproveitar o momento para pensar na revolução que temos de fazer dentro de nós. E muito haverá a fazer, sendo por isso uma revolução permanente. Mas como em muita coisa na vida, há que ponderar bem as consequências. Essa revolução diz respeito ao nosso modo de pensar, de viver, de fazer as coisas. E descobrir onde podemos (e devemos) melhorar.
Muita merda fazemos na vida, mas por muitos pontapés que levemos, insistimos em repetir alguns erros. E assim será daí por diante, mas sempre a justificar terceiras causas ou pessoas e que da próxima será melhor ou diferente. Bom, se de facto fizemos merda, então da próxima tem mesmo de ser melhor. Mas talvez o que nos destrua (e ainda fico aqui a pensar porque escrevi a palavra "talvez") seja um orgulho estúpido que nos teima destruir por dentro e destruir os outros.
Mas então por que raio esse orgulho se sobrepõe sempre? Serão sinais dos tempos? O Ser Humano evolui, mas acredito que evolui na mesma medida em inteligência e estupidez. O Mundo avança e a mesquinhez vai ao seu lado. Mas a revolução fica. Os outros que revolucionem, mas de preferência em nosso proveito.
No fundo são estas merdas que nos deixam sempre de pernas para o ar. E não precisamos estar no Hemisfério Sul para que isso aconteça, basta teimarmos contra nós próprios. Mas muitas vezes não queremos dar o braço a torcer, por muito que isso nos doa, parece que temos medo que nos caia algum bocado do corpo.
A teimosia e o orgulho são perfeitos aliados na destruição e desconstrução do nosso Eu, e dos nossos. E a auto-desculpabilização a isso está inerente. Qualquer merda que façamos, tem sempre uma desculpa associada, nunca é inteiramente a nossa culpa. Mas que ficam a roer, lá isso ficam.
E fica o pensamento que num futuro breve isso será passado. E ficamos à espera a pensar nos "ses". E a vida continua. Mas ficam marcas, ficam sempre. E o eterno pensamento "e SE eu tivesse agido de outra forma?"
Mas e coragem para fazer a revolução? Seja ela para corrigir eventuais erros, seja ela para seguir em frente. Precisamos constantemente uns dos outros, mas acabamos sempre por nos agredir mutuamente. E a coisa tende a piorar, o egoísmo sobrepõe-se cada vez mais. E é preciso atentar que não é apenas um que erra, todos erram. Uns por ataque, outros por defesa. E aí pode residir um dos problemas, aumentarmos as nossas auto-defesas, não só por medo de nos magoarmos, mas principalmente porque não queremos ficar por baixo.
A mim está a apetecer-me fazer a puta de uma revolução, pese embora a minha vida esteja a passar por uma, e felizmente que das boas. Mas gostava de limar umas arestas, eliminar alguns fantasmas. E esses temos nós sempre muitos, o que vem a seguir vive sempre com a sombra dos fantasmas do passado. E ainda bem recentemente vivi uma dessas experiências, pese embora de baixo grau, devendo-se essa experiência quando andei a ver casas e a anterior casa onde fui tremendamente feliz vivia os fantasmas dentro de mim.
Mas claro que esta é um bocado fútil, afinal de contas tenho casa. A revolução que quero fazer é outra, e sei o que fazer, mas tenho de pensar nas consequências, com algumas a serem óbvias, outras logo se verão, pois por muito que pensemos, por muitas previsões que se prevejam, muita merda inesperada acontece.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

E a novela australiana está quase no fim

Pouco falta para a minha novela por Terras Australis acabar. Depois de o mais importante estar, desde hoje, nas minhas mãos, já só falta o reembolso do dinheiro que dei pelo Mestrado, que há-de estar a caminho.Mas o mais importante mesmo para recuperar era o equipamento fotográfico, que já está nas minhas mãos. Nem queria pensar na coisa, só para não me chatear. O equipamento não vinha, cagava de alto para a fotografia, porque de onde aquele veio, já mais nenhum vem. Mas pronto, está cá e é o que interessa.
Recebi ontem uma cartinha dos CTT, e quando estes enviam semelhante coisa, é sinal que a coisa pode dar para o torto. E o dar para o torto é sinal que um gajo tem de arrotar o belo do guito e leva com uma inspecção na alfândega e tal. Pois claro, a cartinha pedia para me dirigir aos serviços alfandegários dos CTT, como se eu (ou seja quem for) tivesse todo o tempo do Mundo para estas coisas.
Nem fui com duas pedras na mão, fui com várias, a imaginar todos os filmes. Aquela gente a mandar vir comigo, eu a mandar vir com eles. A imaginar onde iria eu encontrar um pau para partir aquela merda toda. Mas principalmente partir o meu equipamento, pois se me exigissem uma fortuna para pagar o que é meu, fodia o equipamento todo à paulada, pois se não mo devolvessem, para os leilões deles é que as minhas meninas não iam. Mas lá me ia chorando ao dinheiro que eventualmente me iriam cravar.
Mas pronto, sou um puto excessivamente simpático, e lá fui simpático para a senhora que me atendeu. Explicou o porquê da coisa, sabendo perfeitamente a razão de tal coisa. Blá blá blá, encomendas extra espaço europeu e tal, tem que pagar e blá blá blá. Pois sei muito bem como é que a coisa funciona e muito chouriço mandei tirar das malas dos meus antigos passageiros. Mas esta merda não é nenhum chouriço. Posso ser um chouriço a fotografar, mas o equipamento é meu e gosto muito dele.
A senhora simpaticamente lá pediu para abrir a mala. Livros à vista e parafernália de coisas do sindicato de estudantes e outras papeladas que tal. Ia abrir o mais importante, a mala com as minhas meninas, mas a senhora, mais uma vez simpaticamente, disse que estava tudo bem e que não tinha nada a pagar. E eu a segurar a alegria!
E lá peguei na puta da mala mal amanhada comprada no chinês, o tal de onde me "bifaram" os óculos e o MP4, e saio no preciso momento em que começa a chover. Chuva e uma puta de uma mala, que além de (obviamente) partida, deve ter sido algum mineiro a desenhar, e não um designer, que aquela merda a rolar na porcaria da calçada portuguesa, debaixo de chuva, dá mau resultado e provoca a libertação de um bom rol de palavrões e praguejamentos.
Chegado ao ecritório, hora de testar o material. Vá lá, aparentemente está em condições, excepção feita a uma das caixas de filtro, partida. E o respectivo filtro riscado. Mas pronto, o que interessa é que já tenho o meu equipamento todinho junto de mim, que é onde ele está bem. E assim, faltando chegar o dinheiro, nada mais haverá a recuperar depois da novela. Se bem que a minha antiga casinha ainda está no goto.

sábado, 14 de abril de 2012

Nova vida

Ah pois! Nova vida, mas é que ficou mesmo nova. E uma bela confusão. Mas pelos melhores motivos. Mudança de casa num Domingo e começar novo trabalho no dia a seguir. Mas cheguei a um ponto em que pensei "porra, mas estou numa casa ou numa barraca?" É mesmo daquelas cenas, achamos que temos pouca coisa até fazermos uma mudança de casa, então aí achamos que somos uns grandes coleccionadores de merda. A trampa nesta casa era tanta que para ir daqui para ali quase que fazia uns 5 quilómetros.
Mas como agora sou muito ocupado, tempo para arrumar a lixarada é mínimo. E ainda ter de cortar a juba de leão que se tornou o meu cabelo, foi outro pincel, pois tive de esperar por hoje para o fazer. O homem até teve de receber massagem nos braços tal foi o cansaço.
E de facto foi mesmo semana de coisas novas, em que os fatos estão incluídos. E como se não bastassem as despesas que uma casa nova dá, toma lá mais despesa a comprar fatos. Para os foder logo a seguir. Pois que ontem, ao sentar-me na minha cadeira, o bolso das calças encaixou-se no apoio de braços da cadeira e lá se foi a costura das calças e fiquei de pernoca e cuecas à mostra. Depois foi o lindo aspecto de ir no combóio para casa de casaco na mão, debaixo de frio e chuva. Foda-se, é mesmo a tragédia que sou e que me define! E isto já para não falar na gravata que estreei esta semana e levou logo com um risco de caneta em jeito de baptismo.
Voltando à casa, confesso que me estava a deixar deprimido, não só por ser pequena, mas por não ter a porra de arrumação nenhuma. De facto, desta casa só se safa mesmo a senhoria. Mas hoje já lhe dei uma voltita (à casa, que a senhoria é mais difícil), e já consigo fazer algumas linhas rectas. E isto sem televisão? Era lindo! Os meninos das televisões por cabo são muito simplistas e chegam aos prédios e toca de cortar cabos das antenas para instalarem os seus cabos. Mas lá fui eu buscar um bocado de fita-cola e juntar as duas partes do cabo da antena e melhor, acertei em cheio no cabo certo e já tenho televisão. Odeio o silêncio, preciso de som e limitar-me ao som das minhas bufas é muito pouco, pese embora me proporcione diversos e divertidos momentos de bom humor. Mas isto está quase, mais uns 2 anos e tenho a casa toda arrumada.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

História da carochinha

Pois é o que vos vou contar hoje, na falta de melhor ter. À tarde, tempo de matar saudades da Linha de Cascais, que por muitas Linhas que conheça por esse Mundo fora, continua a exercer, ou cada vez mais exerce, uma enorme força de atracção. E levar a tia a matar saudades da mesma. A rapariga já não se lembrava de metade das coisas, e novas coisas viu, tantos foram os anos sem por ali deambular.
E lá fomos para o Monte Estoril assinar o contrato de arrendamento do meu novo poiso. Ela como fiadora, eu como o gajo cheio de sorte. E chega igualmente o momento de conhecer a senhoria. E muito tive eu que me conter quando conheci tal personagem. Conter o desabafo de ao invés de dizer "boa tarde, muito gosto em conhecê-la" (que de facto tive), dizer "foda-se, você é linda!" E de facto é! É uma daquelas senhorias que dá vontade de não pagar a renda só para ela lá ir a casa exigir o pagamento.
Quanto à casa. Nada de especial. Só mesmo a dona. Havendo algumas coisas no recheio, fui perguntando se eram para ficar ou não, às quais aquela beleza com um par de pernas me ia respondendo "isso não é meu, herdei da anterior inquilina". Baril, mamei uma Sony gigante e uma liquidificadora novinha em folha. E mais umas merdices. Incluindo a merda de um sapo (?) em porcelana. Que vai aprender a voar de um 4º andar.
Quanto à anterior vizinha, reza-se que a rapariga "atendia" em casa. E vocês ao lerem isto irão logo pensar: "ai a gaja era puta? Foda-se, agora vai para lá uma puta ainda maior!" Sim, até porque comentários houve de que vou continuar a linha de negócio da casa. Pois deixá-lo ser, mas ao menos eu não cobro nada, sou um fofo. E com sorte ainda ofereço jantar. E um suminho da liquidificadora nova.
De facto sinto-me feliz e o que mais me apetece é afastar os maus olhados, aqueles que não se sentem bem com a minha presença. Mas como estou em altura de mudanças, pois que muita coisa vai mudar. Os conhecimentos também mudam ao longo dos tempos, conhecemos alguém agora, mais para a frente vai-se. E não fica qualquer razão para segurar seja o que for. Gosto muito de me dar com os meus amigos, os meus, os que amo, mas gosto também da minha privacidade. E por isso vai chegar o momento de conservar os meus, de quem eu gosto, com quem me identifico e deixar para trás o que passou.
E continuando esta história da carochinha, apetece-me contar outra. Pois na quinta-feira passada, uma grande amiga minha (atenção que a definição "grande" é meramente uma figura de estilo, considerando que a rapariga poupou na altura, mas é enorme amiga) veio a Alvalade tratar de alguns assuntos, e picou-me para o cafézinho. E eu claro, vamos a isso. E a seguir beber cafézinho com outra amiga (depois admiram-se que sou nervoso, pudera, com tanto café!). E sentamo-nos em agradável esplanada na Avenida de Roma. Mas pelo caminho iam aparecendo amigos e conhecidos, ao que a rapariga me diz "foda-se pá! Conheces bué pessoal!", levando com a resposta "foda-se, ainda se me dessem trabalho!" E bom, sentámo-nos na referida esplanada e nisto outro amigo que passa. "Então Nuno, tudo bem contigo? Já tens emprego?", e pela enésima vez lá respondi que não. E o rapaz relata o que anda a fazer, e confere o meu número de telemóvel. E o rapaz liga ontem para ir ter com ele hoje. E segunda-feira começo a trabalhar.
Toda esta lenga lenga foi só mesmo para dizer que mais feliz... é impossível. Pese embora o final do dia tenha sido preenchido com um assunto triste, foi de facto um dia demasiado feliz e que em tudo altera a minha vida. E como em muita coisa na vida, as coisas demoram a aparecer, mas quando aparecem é a dobrar. Mas a escolha está feita. E sou feliz! Muito!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

A descoberta

Na vida vamos descobrindo muita coisa. Novos mundos, novas coisas, a morte da bezerra e, acima de tudo, a nossa própria parvoíce. Mas lá está, isso faz sempre parte do nosso crescimento intelectual. Mas porra, muitas vezes bem que gostaria de ter nascido inteligente para evitar passar por certas situações. Mas saí burro que nem uma porta!
Ocorre-me este devaneio por uma frase que vi em Singapura, "roubada" a um escritor francês, e segue na fotografia anexa ao dito verborreio (isto se não me esquecer da a colocar).
Mas toda a burrice que leva à descoberta, e como refere André Gidé, é como o necessário afastamento de um barco do seu porto, se quer ir mais além e descobrir o Mundo. E olho para um povo português, que de corajosos aventureiros, se revela ele um caso altamente paradoxal, transcrito no seu fado, malfadando a desgraça, trancando-se na sua pequenez, julgando conhecer o que está lá fora. Por um lado, reza a História que este povo teve de se desenrascar para chegar ao outro lado do Mundo e ganhar uns cobres e ir espalhando uns calhaus pelo caminho, por outro lado, prova-nos a História um povo caguinchas e não poucas vezes invejoso.
Naturalmente que a aventura que me levou a ficar de pernas para o ar, teve de ser um desenrascanço. E, como tal, pus-me a milhas da costa para levar o barco para bem longe. Só que, porra, devo ter levado um bote de borracha que o gajo não aguentou. Mas pronto, fui para além da linha do horizonte. E após ter voltado ao porto de abrigo, recebem-me alguns velhos do Restelo, uns indignados, outros sarcásticos.
Mas quem mais me tocou foram os que, admitindo o seu "egoísmo" (neste caso, positivo), ficaram satisfeitos pelo meu regresso, tendo a necessária sensibilidade que cada um tem o barco da sua vida para levar a bom porto. Os outros, não passam de jangadas rançosas. Estes, gostariam de ir mais além, e vivem e sentem quem gostam. E gosto de quem gostou que eu voltasse, mas acima de tudo receberam-me de braços abertos e com vontade de dar um forte abraço.
Nova vida se avizinha, com aprendizagem feita. Positivismo acima de tudo e rir. Rir muito. É das coisas que mais gosto de fazer. E felizmente tenho bons amigos que me fazem rir. E cago bem de alto de que isso me faz rugas. A vida tem muita coisa boa, e é isso que temos de viver. Há que acabar com o paradoxo de querer partir à descoberta mas ao mesmo tempo não querer tirar o barco da zona de segurança.