quarta-feira, 28 de março de 2012

De volta ao princípio

E pronto, em Alvalade City. Após mais uma experiência que não deveria ter acontecido. Mas aconteceu, pronto, arrisquei, não quis ficar parado.
Agora nova etapa da vida, com novos ensinamentos adquiridos de forma parva. E que sirvam de exemplo para outrém.
Soube bem o regresso, com o primeiro dia passado em amena cavaqueira pelas esplanadas da Linha (sim, não se desiludam, também houve caralhadas, vou ser sempre o Nuno).
E agora olha, tratar do subsídio de desemprego, para ser mais um a viver à conta de um Estado, que com a ânsia de satisfazer os amigos, acaba ele próprio por se enterrar. E provavelmente esperar mais uns meses para receber o subsídio, por os vendedores de feira/traficantes de droga encardidos têm prioridade.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Aos saltinhos pela Ásia


Pois é como eu ando, aos saltinhos de um lado para o outro. Dois voos já foram, faltam outros tantos. As coisas que um gajo faz para poupar uns cobres. Mas podia gastar menos não fosse algum filho da puta abarbatar-se ao meu MP4. E agora tive de comprar outro. Mas vá lá, ficou por 99 Euros, mais coisa menos coisa. Em Singapura, claro! E ainda uma lente bué manhosa, que faz macro, infravermelhos (que me vai ser extremamente útil) e grande angular. Por 280 Dólares de Singapura. E mais, passei o controlo do cartão de embarque, sento-me confortavelmente numa cadeira (ler "sentei-me à patrão") e então lembro-me: "onde é que está o caralho do saco do free shop?" Fosga-se para a puta da minha cabeça que entrou antes de mim no avião. Pois então após o habitual strip tease a que me sujeito nos controlos de raio-x, deixo o saco do free shop para lá esquecido. E com o MP4 lá dentro. Porra, que a praga que me rogaram envolve MP4's. Mas pronto, fui com uma rapariga da Qatar Airways de volta ao raio-x para recuperar o saco e lá estava ele sozinho e abandonado. Porque nenhum filho da puta se lembrou de o roubar.
E em Singapura comi muito bem, que nem um animal. Mas também pudera, aquela comida não puxa carroças. Daí ter sido a obrigado, em média, a almoçar duas vezes e a jantar três. E mais umas coisas pelos entremeios. Bom, tudo bem que a comida de facto não puxa carroças, mas gosto daquilo. É boa chafurdeira e além disso comer naqueles pardieiros dá um certo gozo, com lagartixas a baratas a passear por todo o lado. E para aumentar a adrenalina imaginar como será a cozinha. Aliás, basta apenas um ligeiro olhar para os utensílios utilizados e o resto deixa-se à imaginação.
E o estupor da mala que está pesadíssima. Mas vá lá, o rapazinho da Qatar Airways em Singapura foi simpático e fechou os olhos aos 5 quilos a mais. Com o recado "para a próxima tenha atenção ao peso". E pensei "que queres caralho? Sou migra, e migra que se preze enche as malas com tudo o que se lembra". E não pesou o rapaz a minha mala de mão. Se o fizesse até me dava um tiro. E mesmo assim trouxe um casaco na mão (que aliás é uma coisa muito bonita de se fazer em Singapura, arrastar malas pela rua com um casaco pendurado na mão, a avaliar pelo calorão). Mas o casaco tinha um motivo. Chegado ao aeroporto toca a meter as lentes que trouxe comigo e o carregador de pilhas, por si só grandes contribuintes do peso da mala de mão, tudo nos bolsos do casaco. Assim, se me pesassem a bagagem de mão talvez esta não pesasse tanto. Passou tudo. Agora de certeza que não escapo é em Madrid, que os gajos adoram foder tugas.
E estou para aqui enfiado no aeroporto de Doha, capital do Qatar. E que bela merda de aeroporto, fosga-se! Valeu pelo momento de boa disposição ao observar a sala de fumo, que de facto faz juz ao nome. Cheguei a ter dúvidas se se tratava da sala de fumadores ou se era alguma recreação da batalha de Alcácer Quibir, com El Rei D. "Bastas" a reaparecer no denso nevoeiro. E porque não, isto aqui não é terra de mouros?
Quanto à Qatar Airways, nota bastante positiva. Os únicos aspectos negativos foram mesmo a lentidão no check in e o entretenimento a bordo que é uma bela bosta, mas de resto tudo excelente. Até o facto de terem atirado com o avião para um poço de ar, momento esse que adorei. E a avaliar pelos gritos, a coisa deve ter sido boa, só tenho pena de estar quase a adormecer quando tal sucedeu, mas fosga-se, esta gente grita logo por um poçozinho de ar tão inofensivo. Gostei da tripulação, não têm nem aquele ar de quem tem um pau banhado em picante enfiado pelo cú acima, que lhes dá aqueles ares presos (como na Etihad e afins) e nem o rei na barriga como em muitas outras. Ou quase todas. Porque como esta só conheço a Air New Zealand. Pessoal natural e solto. Quando fui à casa de banho até se meteram comigo. Pensei ainda em contar a piada da tri-sacudidela da pila, mas talvez fosse ir longe de mais e não entenderem. Eh pá, mas até agora gostei.

sábado, 24 de março de 2012

Singapore Sling

Sim, eu sei, é uma analogia parva, mas cansado como estou não me apetece fugir a clichés. Cheguei ontem a Singapura, voado na merdice da Jetstar. Bela merda! Ainda por cima atrasado. Valeu ter vindo na fila de emergência e assim voar com os presuntos esticados.
Que dizer de Singapura? Que putaria! Isto é que gosto, gente aos magotes, prédios altos, muito calor, poluição, comida "desigiénica", enfim, um maranhal. E barato. Só por causa disso ontem jantei 3 vezes! E nos piores pardieiros que consegui encontrar, mas daqueles bem nojentos em que higiene nem sequer figura de estilo é. Dessa merda é que eu gosto. O que esses paneleiros da ASAE iriam facturar aqui! Sim, a esses gajos apenas lhes interessa o lucro.
Hoje andei como a porra! Como há muito tempo não andava. O pardieiro onde estou instalado fica junto à Little India. Fui a pé por aí abaixo, passei (claro!) pelo Hotel Raffles, fui ao Esplanade e ainda a uma das maiores aberrações que alguma vez vi na vida: Sands Towers. São três torres gigantes, unidas no topo por uma coisa que se quer parecer com um barco. Naturalmente que a primeira impressão que tive ao ver semelhante coisa foi um "foooooooooooda-se". E com sotaque à Porto, com toda aquela musicalidade tão característica de um bom "fuoda-se" nortenho. Acho até que devia ser elevado a uma das sete maravilhas de qualquer coisa de Portugal.
E por ali deambulei, atravessa o rio para lá, atravessa o rio para cá, fui ao Civic Center, a Chinatown, Orchard Road. Basicamente andei feito besta cavalar, os pés a assar e os estupores das boxers a roçarem-me nas coxas, que vou ter de dormir de perna aberta para refrescar, que amanhã vai ser outra caminhada. Para quem conhece Singapura, tem consciência do que andei a pé, mas para quem não conhece, andei para caralho.

quinta-feira, 22 de março de 2012

E acabou!

Pois é, e cá estamos na minha última noite de pernas para o ar. As próximas três serão com as pernas de lado, sim, que Singapura ainda não está bem direitinha. E depois de volta.
Tenho pena de deixar Melbourne. Esquecendo a parte de nada ter corrido bem, confirmou-se que ia gostar muito da cidade. Hum! Se calhar até sou um gajo positivista. Mas enfim, continuando. Vou ter saudades do movimento da Swanston e da Elizabeth, sempre cheias de gente, de dia e de noite, todos os dias. Sentir-me parte da multidão, totalmente anónimo. Deste ermo onde estive enfiado este tempo todo é que nicles, saudades nada.
Não fosse o facto de não ter experiência como trolha, daria para arriscar pedir o visto de trabalho, isto porque o boss ofereceu o sponsorship. E há aqui gente que matava por ter uma coisa dessas. Mas sem experiência não há visto. E a Imigração confere mesmo se há ou não experiência. Outras formas existem, mas não há tempo nem dinheiro.
Se valeu pela experiência? Sei lá! Mas deu para aprender uma lição muito, mas mesmo muito básica: para onde quer que se vá, que seja já com trabalhinho na mão. E deixem-se de coisas "e já experimentaste o Brasil, Angola, Dubai, Canadá?" e o raio que parta A4. É acordar para a vida, isto não é só porque uns dizem que se está muito bem nesses locais, que é caso para experimentar como se estivessemos a experimentar roupa na Zara (há aqui uma!). Os "uns" que dizem essas coisas, metade sonha e a outra metade foi para lá mas com emprego garantido, orientado em casa. Vamos acordar para a realidade, se vamos para outro país à aventura, o mais certo é o regresso para breve. Haja dinheiro para isso. E por isso volto tão cedo.
A mágoa é grande, porque abandonei muita coisa e muita gente, à procura de novo projecto. Quanto mais não seja por esta ter sido a única oportunidade que tive em 10 anos que ando à procura de mudança. E a lutar por ela. E essa única oportunidade esvaneceu-se. E volto a perder. As coisas vão ser diferentes, muita coisa ficou para trás. E abandonei o que abandonei para nada.
Outra realidade é que por muito que pensemos, 50% das probabilidades são de o resultado dar para o torto, por isso desengane-se quem pensa que tem tudo controlado. A vida é um jogo e há que arriscar. Ganhamos somos os maiores; perdemos, não temos necessariamente que ser considerados fracos, tentámos, lutámos. Muitos outros ficam à espera, ou têm medo. Não me considero nenhum herói, fiz o que muita gente por esse mundo fora faz. Com uns resulta, com outros não. Comigo não resultou, mas tentei.
Há quem me censure. "Foda-se, tanta coisa com jantares e emigrares e já estás de volta?" Fale quem souber das coisas, porque quem viver num mundo de fadas, o melhor mesmo é abster-se de comentar, pois a coisa mais certa de sair da boca é disparate. Fale quem tem sensibilidade para perceber os pontos de vista de terceiros. Chego a um ponto da minha vida, em que ao invés de consolidar a dita, ainda a destruo mais. Arrisquei, e demasiado. Falhei. Siga para a frente. Não faço a mínima ideia do que vai ser a minha vida daqui para a frente, mas por favor não me digam que melhores dias virão, porque isso não ajuda. Esses dias só virão se continuar a lutar, mas por uma vez na vida gostava de ver os frutos dessa luta, porque já começa a cansar lutar e ter cada vez menos.
Pelo menos que conseguisse ir para caixa de supermercado, afinal de contas nestes também aceitam muitos licenciados. E ao menos exercitava a cabeça com a matemática. E não fazia como a chinesa do mini-mercado aqui perto, que no outro dia dei 30,10 para pagar uma conta de 20,10, e teve a rapariga de recorrer à calculadora para saber o troco a dar.
E volto para o nosso país, sempre em ebulição. E com as eternas greves. E com gente que pragueja aos quatro ventos contra greves e grevistas, mas quando são entrevistados pela comunicação social dizem que sim, que concordam com a greve, qual "vira-casaquismo". Queixam-se e choram-se, mas mudam o discurso com soberba facilidade. Quando deviam aproveitar esses momentos para manifestar todo o seu desagrado. Só tenho pena é que não me entrevistem a mim que dizia logo o que penso das greves e grevistas.
Blá blá blá, sim, já sei que a greve é um direito que assiste. O caralho! Só faz greve quem mais mama. E quem tem o seu poleiro bem seguro. Cambada de filhos da puta chupistas e anarquistas. Trabalhar à paulada é o que muita gente precisava. Por diversas vezes na vida trabalhei mais de 30 horas seguidas. E pouco ganhava. Mas tenho brio. E tenho consciência que se não der o meu melhor a empresa vai com os porcos, e por arrasto vou eu. Anda é por aí muito filho da puta que se está perfeitamente a marimbar, porque o seu poleiro está seguro, e com chorudo ordenado. Porque se esses filhos da mais reles puta ganhassem 500 euros a recibos verdes, com o credo na boca, cagavam para a greve. E anda muita gente na mesma situação que eu, a penar, a rogar por um trabalho, e ficamos a chuchar no dedo porque anda por aí muito filho da puta a chular o Estado. Estão descontentes? Vão para o caralho! Troquem comigo, que não me importo nada de ganhar uns milhares para andar a brincar aos combóios.
Alguém que tenha enfiado a carapuça e não goste do que escrevi? Temos pena. Pode ser que aprendam uma lição de civismo e de como enfrentar a vida. Metam a greve no cú e ponham-se mas é a justificar o que ganham.
Para acabar, o meu muito obrigado aos diversos leitores, dos mais diversos cantos. Portugal, Espanha, Reino Unido, Alemanha, Malásia, Austrália, Noruega, Rússia, Estados Unidos e Brasil. Há gente que não tem mesmo o que fazer. ihihih

quarta-feira, 21 de março de 2012

As iludências aparudem

Veio-me este "títalo" à mona por causa do que se passou hoje no banco, quando lá fui fechar a conta. Quem me atendeu foi o mesmo senhor que me atendeu quando lá fui levantar o cartão multibanco. Homem simpático e conversador, com uma cultura futebolística portuguesa de meter inveja, sabendo até quem é o Nuno Gomes. E vá lá, sabe bem mais coisas de Portugal para lá do pontapé na bola.
E lembrou-se de mim. E estivemos um bocadinho à conversa enquanto ele tratava do fecho da minha conta. E disse-me então para o seguir para a caixa. Pensava eu que o rapaz estava sentado numa cadeira baixinha, pois era mesmo baixo para o balcão. Fosga-se, o homem sai-me do balcão e não, não saiu da cadeira, ele é mesmo bué baixinho. Felizmente sustive o riso. Sei bem que não se deve rir destas coisas, eh pá, mas dá vontade, porra!
Mas já fiz pior há uns anos.  Gosto muito de crianças, e em belo dia vi uma tão engraçada na rua. E ia fazer um carinho. E a boa ou má hora verifiquei que a criança não era petiz, mas sim anão. Enfim, coisas desta tragédia com um par de pernas. Sempre a dar barraca!
E o caraças do MP4 que não me sai da cabeça. Olha, pode ser que o filho da puta que me roubou o dito seja um produtor musical e que goste tanto da música portuguesa que, lá está, agende uns concertos aos nossos músicos. Por isso, Rui Veloso, Jorge Palma, GNR, Balla, Mundo Cão, Ban (sim, ainda há quem ouça estes gajos!), Sétima Legião, Expensive Soul e Pop Dell'Arte preparem-se para dar grandes concertos na Austrália. E hoje a ir para a cidade, e por lá a deambular, sem música nos ouvidos. Que raiva!

segunda-feira, 19 de março de 2012

Mau carma

Pois de facto é o que este país me dá: mau carma! Desde que meti aqui os cotos, desde o primeiro momento, tudo correu mal. E há-de correr até me ir embora.
Pois hoje lá fui eu carregar com a merda da mala "made in China", toda lixada, até à estação de correios em Preston, a terreola ao lado, que sempre tem mais vida que esta merda onde estou enfiado. Digo à senhora que é para despachar aquilo, a rapariga vai de medidas e foda-se! Em altura estava bem, mas mediu o volume e tinha 20 cm a mais. Raios me partam! Nem me quis chatear e voltei aos estafermos dos chineses.
Chegado à loja, meto os óculos escuros e o MP4 numa cadeirinha de plástico para tirar medidas a uma mala. A mala do equipamento fotográfico estava à porta da loja, pelo que a fui buscar para ver se cabia na nova mala a comprar. E entretanto lembrei-me dos meus óculos e do MP4. E foda-se, puta que pariu a minha sorte! Foram-se! Alguém levou. Algum filho da puta! É da maneira que fica a conhecer a boa música portuguesa. Mas aqueles auriculares haviam de ter carradas de cera que lhe entrassem pelos ouvidos dentro e lhe infectassem os tímpanos. E havia de infectar a merda de computador que tiver. E os óculos há-de parti-los na tromba. Bom, esses já tinham mau carma desde que os comprei.
Em dado casamento que fui em Agosto, um verdadeiro espectáculo do princípio ao fim, pois que finda a festa me sentei em cima dos óculos. E lá foram a arranjar. Uns dias mais tarde salta uma lente. E lá foram a arranjar.
Agora ter ficado sem o MP4 é que me desgosta. Inconcebível andar na rua sem ter música para ouvir, dou em doido. O dinheirão que aquilo custou, tinha 16 Gb e estava cheio. Tinha música para dar e vender. O filho da puta que se abarbatou das minhas posses há-de ficar surdo e pior, há-de tornar-se sócio do Sporting.
Cabeça de merda a minha! Ter-me esquecido do MP4 e tê-lo deixado à mercê de meliantes merdosos merecia o pior dos castigos. Oxalá que avarie, mas oxalá mesmo. De facto, este país só me dá mau carma.

Chineses vs. Zara

Fosga-se! Os chineses são de facto um povo que admiro pela sua enorme capacidade de trabalho e de união. Daí os gajos dominarem onde quer que metam os cotos. Mas porra, os gajos têm tanto de trabalhadores como de batoteiros. Mas estúpido é quem lhes compra alguma coisa. Imensamente estúpido é quem insiste, vez após vez, comprar a estes gajos. E eu faço parte deste grupo.
Pois então que para evitar pagar uma milena em excesso de bagagem, convém então enviar o equipamento fotográfico, e mais umas merdices que contam para o peso, por correio. E porra! Lá voltou o inferno de andar à procura de uma caixa metálica para enviar as minhas meninas. Mas andava eu a deambular por uma loja de produtos chineses, quando me veio à cabeça a brilhante ideia de comprar uma mala onde coubessem todas as merdices que quero enviar por correio.
Contente fiquei por comprar uma mala grande o suficiente por pouco menos de 60 Dólares De Pernas Para O Ar. Mas puta que pariu. Pior que estes gajos serem aldrabões é eu ser mesmo burro e estúpido! Comprei a mala de manhã e à tarde fui à estação de correios para despachar a dita. À ida sentia uma enorme resistência por parte da mala. Olho para baixo e... puta da roda! Desfez-se! Filhos da puta! Trabalham como se não houvesse amanhã, mas aldrabam ainda mais. E aproveitam-se à grande de otários como eu!
E pior! Chego eu à estação de correios e pimba! Fechada. Há uma coisa que já reparei aqui: nos sites das empresas aparece uma coisa, mas na realidade fazem outra. Pois então que o site da Australia Post diz que as lojas fecham às 18.00 e eu cheguei às 17.30 e os cabrões já se tinham posto a andar. Fecharam às 17.00. Fonix! Arrastei a puta da mala até à estação de combóios para ir à estação vizinha. Arrastei a puta da mala mais uns 200 metros até à estação de correios. E aqueles coirões já se tinham posto a andar. Porra pá, quero viver num país em que se trabalhe pouco e se ganhe muito. Mas infelizmente Portugal é um feudo, onde andam algumas cavalgaduras a trabalhar que nem mouros para sustento de alguns barões.
Vá, toca a arrastar a puta da mala de volta para casa, que amanhã se vai repetir o mesmo. E oxalá que os gajos aceitem a mala. Mais perto existe uma papelaria que trabalha para a Australia Post, onde realmente até posso despachar a mala. Mas a quem pertence o estabelecimento? A chineses! Puta que pariu! Prefiro arrastar quase 20 quilos, qual via sacra, a meter a minha "vida" nas mãos destes gajos.
E qual o porquê da comparação patente no título? É óbvio caraças! Chineses e Zara é tudo barato, mas porra, as coisas da Zara duram mais que uma hora.

quinta-feira, 15 de março de 2012

O esquema

Só foi pena não ter orientado aqui um esquema manhoso como aqueles que uso para orientar bilhetes baratos. Mas enfim! Prossiga para bingo. Pois hoje foi o dia em que marquei o meu bilhete para a terra que me viu os chifres pela primeira vez. A Tugalândia.
O esquema pode ser um pouco manhoso, mas foi o melhor e mais barato que se arranjou. Ou isso ou sair daqui na China Southern Airlines e fazer Melbourne-Guangzhou-Pequim-Amesterdão-Lisboa por quase 1.000 Euros, e agora vão lá ver ao mapa o percurso. Mas como sou um gajo que não me estou para chatear com perdas de tempo (quanto mais não seja que só em Amesterdão a escala era de mais de 10 horas e sim, já conheço Amesterdão de fio a pavão, e sim, chamem-me cagão), vou mas é fazer uma linha de jeito, não de coca, mas uma coisa civilizada. Sim, porque por muita caralhada que diga, sou um gajo civilizado.
Ora então temos: Melbourne para Singapura na Jetstar no dia 23 e aproveito para ficar por aqui 3 dias para fazer umas compritas, coisa pouca. Uma 10-22 dava um jeito do caralho! De preferência barata. Mas barata de preço baixo, que baratas que trepam paredes já eu estou farto. Depois, o único português que ainda não tinha voado na Qatar Airways vai finalmente fazê-lo. Dia 26 Singapura-Qatar-Madrid. E só falta o dia 27, e ainda bem que a puta da Iberia está cara, que faço Madrid-Lisboa na Air Europa. E se calhar é melhor não dizer que o alojamento por 3 noites em Singapura ficou por 45 Euros, para não me chamarem filho da puta.
Agora não me chateiem com o "foda-se pá, só de ler esse itinerário fiquei com canseiras! Não havia nada mais directo? Ainda por cima Singapura, que seca!" Quero que se lixe, foi o mais barato que encontrei. Por 881 Euros um gajo faz o sacrifício. E sim, inclui os 45 Euros do hotel em Singapura. E sim, faço o desenho, os 45 Euros são as 3 noites, não é por noite.
E agora é foder o resto do dinheiro e é que é já no sábado. Se não sabem, deviam saber. O menino é maluco por aviões e até gosta de os fotografar (atenção que gostar não é sinónimo de ter jeito). Tentei há tempos ir para um dos locais de spotting, mas fonix, esquece lá isso, tudo longe e é mesmo necessário ter carro. Pois já que me vou embora vou cagar 90 Dólares e vou de taxi para uma das zonas de spotting. E volto pela mesma via. Não saio daqui sem fotografar as coisas que voam.
E quando chegar não me moam o juízo com "não viste canguruuuuuuuuus?" Pá, que se fodam os cangurus e os coalas. Para os ver em cativeiro, mais vale ficar quieto. Se há coisa que não me apetece é enfiar-me no meio de turistas a verem e a fazerem o mesmo. Muito menos aquela cena de Philip Island, para ver os pinguins. Vi na televisão há tempos o que se passa por lá. Fonix, montaram uma bancada para os turistas verem os pinguins. Depois de os ter visto em total liberdade na Nova Zelândia, eu e os pinguins, a um palmo de mim, ia mesmo agora enfiar-me numa bancada à beira-mar plantada para os ver.

quarta-feira, 14 de março de 2012

As pequenas curiosidades

Vamos a uma pequena lição de cultura geral. Já que aqui estou desterrado, nada como espalhar a minha vasta cultura aprendida e apreendida aqui.
E comecemos pelo princípio, por quem fundou a cidade. Foi o Batman! Isso mesmo, leram bem. Mas desenganem-se, que não foi o morcego, embora eles andem aí. Foi um tal de John Batman quem fundou esta cidade e aqui têm orgulho nele. Confesso que a primeira vez que vi aqui uma avenida com o nome de Batman, achei estes gajos um pouco loucos. Mas depois de ver quem de facto era o Batman, então pronto, tudo ficou esclarecido e voltei a considerar esta gente como sendo normal.
E os cruzamentos! Completamente surreal. Imaginem-se numa larga avenida e precisam de virar. O sinal fica verde, mas para seguir em frente. O que se faz então por aqui? Avança-se um pouco e encosta-se à esquerda no meio do cruzamento. Quando o sinal fica verde para a via transversal então é arrancar o mais rapidamente possível. Confesso que achei muito estranho e sempre achei o mesmo por a polícia não dizer nem fazer nada. E muito me ri. Mas após um cuidado levantamento de cabeça verifiquei a existência de um sinal de trânsito a permitir essa mesma manobra. Bom, afinal são um bocado estranhos.
A fruta. Há por aí muita, mas toda sabe ao mesmo. A nada. Pelo menos a carne é boa, tenho comido muita e da boa. As notas têm uma parte feita em plástico. Estranho! De entre os diversos clubes existentes na Universidade, um deles é o do Cubo Mágico. Nós estamos mais à frente, já temos a Xbox.
Mas são estas cenas que dão salero ao Mundo, cada canto tem as suas pancadas e as suas curiosidades. Os australianos são um povo que tem a pancada de atirar com tudo. Ele é concursos de atirar boomerangs, ele é concursos de atirar pedras, ele é concursos de atirar gigantes colheres de pau, enfim, um enorme manancial de atiramentos. Por oposição aos vizinhos neo-zelandeses que têm a mania de se atirar de todo o lado. Ou não fossem eles os inventores do bungee jumping e afins. E quando algo é suficiente baixo, atiram-se de baixo para cima. Lá está, como prova do seu dinamismo, os Kiwis inventaram o bungee jumping negativo.
Ah! E a grande atracção existente aqui perto, a Great Ocean Road, em que um dos seus pontos altos são umas formações rochosas no meio do mar, chamadas de Twelve Apostoles. Mas de facto são 13. Ao que tudo indica quem baptizou parece que marrou com os cornos e barco numa delas e deixou-a de fora do título. Parece que amuou.
Às vezes é tão saudável ter um pouco de insanidade.

terça-feira, 13 de março de 2012

O meu é melhor que o teu

Veio-me à ideia este título devido a discussão mantida ontem em chat internesco. A discussão que determinado local é melhor que outro, e se não gostas fica aí.
Ora acho que se pode criticar negativamente, mas entretanto gostar. Mas esclarecendo. Portugal tem coisas boas e coisas más. É melhor que a Austrália numas coisas, pior noutras. E vice versa, para não voltar a escrever aquela lenga lenga toda do lado australiano.
Então se digo que a Austrália tem coisas melhores que Portugal, será isso razão suficiente para ser traidor à Pátria e ter de ficar por aqui? Há que ter sentido crítico e saber comer com críticas. O facto de afirmar que a Austrália tem coisas melhores não faz de mim traidor do nosso Rectângulo. Amo o meu país mas entristece-me o facto de muita coisa estar mal, pior que economicamente, socialmente.
"Então se isso é melhor, fica aí!" Como quem diz "não precisamos de ti aqui". Pois este espírito é que ajuda na auto-destruição do país. Porque não retirar as melhores lições? Já que se diz amiúde que só se copiam as coisas más, pois então aqui está uma excelente oportunidade de copiar coisas boas. E a primeira coisa a fazer é ver o que de bom se faz para se "importar". E o oposto também se aplica.
De facto não me importaria de ficar aqui, condições houvessem. Mas querer mesmo, com muita força, queria era estar no meu Rectângulo. E foda-se, temos tudo para sermos um grande país, mas fazemos tudo para o encavar.
O espírito auto-destrutivo é abismal e amuamos só porque alguém critica. Alguns, de facto, nasceram com o pacote virado para a lua, enquanto que os outros, por compensação, têm de dar o pacote. Mas aos que nasceram com a peidola virada a Norte, falta-lhes alguma experiência de vida, falta-lhes sair do berço. E diz-vos isto quem também já foi assim. Também me chateava quando criticavam negativamente o país, embora por vezes tivesse de admitir a verdade. Também durante muitos anos fui menino protegido e acordei para a vida real mais tarde que muita gente. Mas fi-lo, daí que nenhum inexperiente na vida me venha dizer para mudar de mentalidade, porque já o fiz, acordei para a vida.
Para alguns a vida não custa, vivem à conta. Se eu assim o fosse, andava aí a esfregar a peida na praia à espera do subsídio. Mas ao menos tive-os no sítio para não sobrecarregar o Estado. Sim, sei muito bem que apenas um não faz a diferença, mas quantos também não se podiam pôr com rodinhas e viver à sua própria conta?
Tenho plena consciência de que tenho direito ao subsídio de desemprego, mas que tal fazermos por evitar? Todos querem tudo do Estado mas ninguém quer dar nada ao Estado. Preferia muito mais uma mentalidade nacional aberta e um país com oportunidades. A bem dizer, preocupa-me a minha casa e os outros que se fodam. Interessa-me é o meu país e os outros que se orientem. Naturalmente que não desejo nenhum mal aos outros país, mas para mim, em primeiro estará sempre o meu país, que os outros países têm quem deles cuide.
E muito menos admito que me venham com histórias de que se aqui é melhor, então o melhor é ficar por aqui. E muito menos o admito vindo de... bom, é melhor calar-me.
Meus amigos, isto é assim: ouvem uma comparação que país X é melhor, ao invés de amuarem, façam por mudar. Mas às vezes o facto de dizer que determinada coisa noutro país é assim, não quer dizer necessariamente que é melhor, uns fazem de uma maneira, outros fazem de outra, e a isso se chama de diversidade de ideias e de vivências. Às vezes ser diferente, significa isso mesmo, ser diferente.
Amo o nosso Rectângulo, mas não tenho qualquer problema em afirmar que aqui há coisas melhores. É um facto. E é uma grande verdade. E a primeira coisa que podíamos fazer para sermos tão bons como estes gajos era ganharmos sentido de comunidade e de entre-ajuda, porque esta merda de cada um querer saber apenas do seu quintal não nos leva a lado nenhum a não ser a um poço cheio de merda.
É chavão, mas é verdade, somos um povo de contradições. Ora num momento temos as melhores coisas do Mundo, como de repente temos as piores. Pá, temos coisas. Boas e más! Há tempos ouvi uma senhora a dizer que a sardinha portuguesa é melhor que a espanhola. Fonix, querem-me ver que a sardinha assim que passa a fronteira embeleza? É que pelo que sei grande parte das sardinhas que mamamos em Portugal vem de Espanha. E muitas outras de Marrocos e da Mauritânia. E os espanhóis também lá vão. Hum! Se calhar deve ter a ver com o tipo de redes, as nossas devem ser perfumadas.
São estas cenas que temos que perder a mania. É questão de se aplicarem pequenas regras que se aprendem em Gestão e Marketing, a puta da análise SWOT (para quem não sabe é a análise dos pontos fortes, pontos fracos, oportunidades e ameaças - strenghts; weaknesses; opportunities; threats. Mais uma para a vossa cultural geral!). Basta analisar os nossos pontos fortes e explorá-los, fazer por corrigir os pontos fracos, aproveitar as oportunidades e evitar as ameaças. É básico! E exequível (ou como disse uma vez um professor, "fazível").
Mas pronto, as nossas nectarinas são infinitamente melhores que as de cá, que estas não sabem à ponta de um corno.

domingo, 11 de março de 2012

O "sub-alterne"

Em conversa mantida esta noite, acerca do que se diz por aí em termos de emigração, fiquei a par de mais uma pérola do jornalismo que se vai praticando por terras do Rectângulo. Parece que agora andam fixados nos emigrantes que vêem os seus projectos falhados. Como que em tons de requintada malvadez e desdém parece que agora interessa de sobremaneira os migras que bazam e acabam por voltar porque não conseguiram nada. Incluo-me nesse pacote e não tenho qualquer problema em admiti-lo, uns conseguem, outros não, é uma questão de sorte. Mas pelo menos tentei e isso ninguém pode negar.
Mais uma vez verificamos o subalternismo dos pseudo-jornalistas da nossa praça, que tal como os sindicalistas, são outro bando de "lambecuzistas", sempre ao dispor dos políticos, não da política. Cantam constantemente a isenção do jornalismo face ao poder. Mas desafinam como tudo! Porque cantam uma coisa, mas tocam outra. E é bem patente a promiscuidade entre estes dois poderes.
Muito teriam de aprender acerca de isenção. Em vez de gozarem com a situação de gente que tenta uma vida melhor noutros países, sim, porque no nosso próprio país não temos qualquer oportunidade, porque os mentecaptos é que conseguem do melhor, daí muitos serem jornalistas, deviam era preocupar-se com a situação destes.
Não saí de Portugal só porque sim, saí por não ter direito a uma única oportunidade, não saí para andar a passear. A coisa não correu bem, mas sinto-me gozado pela nossa escroque comunicação social, que é um dos maiores cancros da sociedade lusa. Aos meus amigos e conhecidos que trabalham no meio não devo qualquer pedido de desculpas pela generalização, deverão antes tentar compreender a situação. Tanto falam de isenção e fazem tudo menos isso.
Não são capazes de se limitar ao seu serviço básico, que é informar. Procuram o "veneno" em prol da defesa dos seus amigos políticos. A promiscuidade existente não é oficial, mas ela existe. "Vamos ali almoçar, preciso de um favor", isto é o que existe, esta promiscuidade é a de mesa de restaurante ou quarto de motel. O jornalismo no Rectângulo é pura e simplesmente um veículo de comunicação totalmente ao serviço dos políticos, do poleiro, do protagonismo.
Senão vejamos as coberturas vergonhosas que fazem das manifestações, isto quando estas não calham em dia de praia. O que é que preocupa os doutos jornalistas nas suas coberturas? O chouriço assado, a porrada, os índios. É só isso que lhes preocupa ao invés de transmitirem a verdadeira mensagem. Ficou bem patente na manifestação de 12 de Março de 2011 o que os jornalistas foram fazer às manifestações, foram procurar sangue, não foram procurar motivações. Sabendo de antemão que iam haver agentes provocadores que pretendiam desestabilizar. Cambada de otários, pois nem um nem outro bando conseguiram os seus intentos. Tiveram azar, houve alguns políticos, que na ânsia de conseguirem protagonismo, se colaram à grande. Alguns até estão no poleiro agora e até já não gostam nada destas coisas de manifestações.
Parece então que é motivo de chacota a malta que se vai embora e pouco tempo depois está de volta, porque andou a dormir em baixo de pontes. Se isso é motivo de chacota, então mais me parece que estes ditos jornalistas são uma cambada de perfeitos anormais. Nada mais fazem do que serventia aos poderes instaurados.
E o povo não tem voz. Porque não quer. E porque isto está bom é para a praia ou para ver o Benfica. Bom, se calhar seria bom que o Sporting fosse o clube com mais adeptos no país. Esta merda num Inverno bem chuvoso piava de outra forma. E o povo não tem voz não só porque não quer, mas porque também não deixam, e povo deixa que isso aconteça, é amorfo.
Há duas semanas foram as eleições internas do Partido aqui do Governo. A Primeira-Ministro ganhou com 12 votos de diferença. Logo começaram as campanhas de comunicação, uma a dizer que foi uma vitória estrondosa (73 contra 61), outro, o derrotado, a dizer que é um claro sinal que as coisas não estão bem. E a mim quer-me fazer parecer que o derrotado não deixa de ter a sua razão. E porque digo isto? Porque aqui a comunicação social explorou bem o assunto, mas explorou-o como manda o código deontológico. Apesar de algumas bocas, apenas se limitaram a serem veículos de transmissão de informação. Mostraram entrevistas de rua a pessoas a favor do Governo, contra o Governo e ainda os casos mais problemáticos, aqueles que não lhes interessa. Isto sim, é jornalismo, é formação no sentido de formação de opinião. Não é essa merda que esses alarves para aí fazem, que só passam recados do Governo e apenas transmitem as entrevistas feitas a energúmenos que mal conseguem articular duas palavras seguidas.
De facto, entristece-me ver um povo fraco rodeado de um jornalismo do mais rasca, com supostos formadores de opinião que nada mais são que uns cagões mal amados. E aqui falo directamente do meu ódio de estimação, esse alarve que é o Miguel Sousa Tavares, um tal de suposto plagiador. Digo suposto porque não ficou provado, não tendo por isso qualquer direito de o acusar, mas onde há fumo há fogo. Pois então são marmelos destes que ficam encarregues de formar a opinião de um povo, que já de si é completamente desinteressado? Este gajo, de facto, representa uma grande fatia de portugueses, aqueles que têm de ser do contra porque é bem, porque têm de ter sempre uma opinião diferente. Sinceramente, o canal de televisão onde este gajo vomita só tem a perder e já devia ter sido escorraçado há muito, mas mesmo muito tempo. A arrogância e pedância de tal sujeito é de tal ordem, que me dá comichão só de o ver, quanto mais ouvi-lo. Mas lá está, é o espelho do jornalismo português.
Tudo isto acontece por sermos um povo amorfo, e não como na Islândia que mandaram o ex-Primeiro-Ministro para tribunal. Ou como aqui, que a classe política está sob constante escrutínio. E a PM, por muitos tomates e descaramento que a mulher tenha, e que lhe tiro o chapéu por isso, muito me cheira que não chega ao fim do mandato. A pressão pública é de tal ordem que ela não o admite, mas sabe que tem o lugar em risco. A comunicação social faz o quê? Limita-se ao seu serviço básico, informar. Aí anda tudo à procura de poleiro e protagonismo e é ver muitos jornalistas da nossa praça a arcagarem-se como bois com um gigante par de cornos. Tenham coragem, sejam isentos. Se é para fazerem o que fazem, inscrevam-se logo nos partidos políticos. E tu povo, levanta-me esse rabo e mexe-te!
Aqui a opinião pública conta, e muito. E começa desde cedo. E sai já um exemplo bem recente: a minha Universidade lançou uma regra que prevê um aumento considerável do número de horas de aulas, impossível de conciliar para quem trabalha, sendo mais grave para quem lhes dá o verdadeiro sustento, os estudantes internacionais. O Sindicato dos Estudantes (aí mais conhecido por Associação de Estudantes) opôs-se veementemente e exigiram a anulação imediata da nova regra, sob pena total de greve e interrupção de pagamentos. Negociações feitas e a regra avançou mas apenas com mais um dia de aulas. Dá então para ver o que acontece quando o povo se levanta, certo? Outros países há em que as associações de estudantes são boas portas de entrada para partidos políticos e para se baldar às aulas e mesmo assim passar de ano. E é ver gajos de barba feita, a parecer mais velhos que eu, a pavonearem-se por essas Universidades fora.

sábado, 10 de março de 2012

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E pronto, regressei há pouco a este cú que é este subúrbio de Reservoir. De facto este subúrbio dá mesmo a porra de um mau karma, um gajo chega aqui e fica logo em baixo. Esta merda é mesmo triste.
A vantagem é que pelo menos já posso cagar sentado e lavar os dentes num lavatório minimamente asseado. Devo estar com uns músculos do catano nas pernas de ter ficado uma semana a cagar de pé naquele pardieiro cheio de europeidozinhos arrogantezinhos. E poder lavar os dentes sem ser com água Mount Franklin é outra coisa, que isto de lavar os dentes e usar uma garrafa de água ao mesmo tempo é lixado.
Amanhã é feriado aqui, dia do trabalhador. Para mim vai dar ao mesmo, não tenho mesmo nada para fazer. Talvez vá dar uma volta ali ao bilhar grande, que é como quem diz à merda de um jardim que há lá para cima com uns pássaros engraçados. E sacar umas fotos.
E por falar em fotos, esta cidade é bem lixada para fotografar. Ora há cabos por todo o lado, o que nos corta qualquer ângulo (e aumenta o trabalho na edição) ou é esta luz esquisita. Raio de cena, o Sol está sempre de frente, não se consegue nada de jeito.
Também é cagar nisso, já disse aqui que esta cidade não é para "turismar", é mesmo para viver. E aqui faz-se isso. Excepto nos subúrbios onde se morre de tédio. A única vantagem daquele pardieiro onde estive esta semana era o facto de estar no centro, e assim podia ir passear à vontade que via sempre gente. De noite é espectacular, sempre imensa gente na rua, esta multiculturalidade asiática, com um ou outro australiano pela frente. Às vezes dava um certo gozo, pois olhava em volta e ia jurar que o cabrão do piloto enganou-se e trouxe-me para o meio da China. É que não estou rodeado apenas de baixinhos, é tudo escrito em chinês e afins. Esses gajos é que a sabem toda!
Mas isto é bué curtido, ver gente de todo o lado, a quantidade de línguas que se ouve é brutal. Essas cenas.
Vá lá, uma coisa boa daqui é que voltei a ver aviões, se bem que são daqueles merdosos bué pequeninos, e um jacto privado ou outro. Eu cá gosto é de aviões grandes. Mas pronto, estes dão para ir matando a barriga de misérias no que toca à pancada pelas coisas voadoras. Agora de resto, puta que pariu este subúrbio!

sexta-feira, 9 de março de 2012

Nesta cidade acontece tudo

De facto, é em Melbourne que a vida acontece, pois que aqui acontece mesmo tudo. Hoje teve início um dos maiores eventos nacionais, o L'Oreal Fashion Week, com os respectivos protestos a acompanhar. Na próxima semana o Grande Prémio de Fórmula 1, e por isso anda tudo maluco.
Hoje sei que também houve mais jogos de Footie, mas nem estive para aí virado. Até me lembrei do dia que fui ver, um pouco antes de começarem os jogos, interpelei um amigo barrigudo para que me explicasse em 5 minutos as regras do jogo. No fim da (boa) explicação perguntei: "mas então não há sangue?" Pois que o senhor disse que não. Ora bolas, queria eu ver porrada da grande, altas chapadonas nas fuças, sangue a respingar e essas cenas assim, e nada, parecem um bando de sissis.
Dizem que por aqui, que apesar de tudo o Footie ainda tem alguma emoção, pois um jogador nunca sabe de onde vem o adversário, e que está aí uma grande diferença face ao Râguebi. Fonix, quem diz isso de certeza que nunca na vida viu um jogo de Râguebi. Pois que eu joguei o dito por diversos anos e às vezes caíam-me marmanjos em cima que nem sabia de onde vinham, que às vezes até pensava eu que tinha levado com um camião TIR no cachaço!
Hoje fui finalmente à Torre Eureka e ao Level 88. Creio que não preciso dizer em que andar fica, né? Mas para vossa informação, fica a 300 metros de altitude. E fonix, tive a sorte de estar tempo completamente limpo o que deu para ter uma vista do car...! Depois fui experimentar o Edge, uma casota de vidro que se move até 3 metros do edifício (claro que quem fica na ponta fica a mais de 3 metros). Os meus tomates até estremeciam. Mas a sensação é absolutamente orgásmica, principalmente se pensarmos "foda-se, e se esta merda agora caísse?" Muito louco! Ajuda aos níveis de adrenalina.
E claro, a bela da foto. Está bem ò trolha, ia mesmo pagar 15 Dólares para ver a minha fronha como que suspensa no ar. Para ver este monstro já me chega todos os dias em frente ao espelho.
À hora que vos verborreio com este discurso está para aqui a haver uma festa temática Veraneante no bar do pardieiro. Anda para aí tudo de tronco nu. Olha, o que tenho pena é que não metam água do mar que é para ver se estes marmelos tomavam um banho! Mas o chinfrim é mais que muito. Que guinchadeira que para ali vai.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Dos europeus

Que há a dizer dos europeus? Que respondem à letra à fama que têm de arrogantes? Eu sinto-me excluído desse pote visto que sou um bardajão que gosto de conversar com toda a gente. Aqui no pardieiro dá mesmo para matar as saudades que tinha de uma boa arrogância europeia. Ou europeida, que é onde mandava estes gajos todos levarem.
Já na Nova Zelândia ouvi os comentários suficientes acerca de europeus, que me levaram a crer que o defeito não é meu. Não é apenas o facto de não ir à bola com europeus, é o facto de estes serem, de facto, arrogantes. Foda-se pá! Estou aqui enfiado num pardieiro barato, em que higiene é o mesmo que títulos para o Sporting, e estes marmelos andam aqui todos de peito cheio como se fossem uma grande coisa. A não ser que sejam uma grande merda! Eu ao menos sou um fofo. E eles mais estúpidos e duros que um cagalhão!
E a Universidade a tentar salvar um reembolso e a chagarem-me a cabeça que ajudam na procura de emprego e tal. Ya, querem ver que chegaram aqui os santos milagreiros? Esta merda é mais ou menos mais do menos, em que tem menos quem tem mais idade. E assim fica com menos dinheiro e mais chatices. E com menos paciência e mais vontade de sei lá o quê.
À noite jantar com o ex-patrão. Um belo churrasco e uma bela noite de conversa. E copos! Finalmente comi comida ocidental e bebi mais que um copo. Ah! E onde falei inglês pa car...! O homem a tentar dissuadir-me de voltar, para ficar cá porque gostou de mim e teve óptimas referências dos supervisores. Pelos vistos sou mesmo bom, só as supremas inteligências que recrutam é que acham o oposto. E que afinal a história do "sponsorship" não é o que se canta por aí, que é preciso pagar e tal. Diz o rapaz que já fez 10 "sponsorships" e nunca pagou nada a ninguém.
E sim, explico o que é o "sponsorship". Basicamente é uma empresa virar-se para o Governo e dizer que pessoa x trabalha para eles e que gostavam muito de o preservar. A partir daí é uma questão de ter paciência porque a coisa leva anos, só mesmo para fazer o trabalhador sofrer. O que vale é que a música que me cantaram em Portugal foi outra, bem diferente. Enfim, interesses comerciais.
O que vale é que a espetada estava espectacular e ainda estive a ver fotografias de S. Martinho do Porto, visto que o pai do rapaz, australiano, é um eterno apaixonado pelo nosso Rectângulo, e passa por lá 3 meses por ano, tendo inclusivamente comprado casa.
E pronto, isto é o que tenho para vos contar hoje, só mesmo para segurar esta merda de blogue que mais dia menos dia dá o peido mestre. Mas até se borrar todo podem continuar a vir aqui, que me hei-de sempre lembrar de umas merdas para escrever.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Conselheira

Pois foi para onde me mandaram hoje na Universidade, falar com uma conselheira. Agora gostava de saber se por artes mágicas me vai cair um trabalho que dê para conjugar com os estudos. Expliquei-lhe a situação e essas cenas todas, ela compreende e até chegou à mesma conclusão que eu já tinha chegado, que estou num beco sem saída. E perante tal caso até acho que ela foi pedir acompanhamento psicológico para ela. Isto só para dizer que a Universidade também proporciona serviços gratuitos de psicólogos e advogados para os alunos.

Amanhã lá tenho de ir ter com a mulher outra vez, mas sinceramente nem eu, e nem ela, temos solução para o caso. Este aconselhamento é mais um dos serviços da Universidade, neste caso para apoio à procura de emprego. E apenas serviu para quase confirmar algumas suspeitas, com esta idade estou fod...
Só me fazem é perder tempo, pois quero é despachar depressa a cena do reembolso para comprar o bilhete e pirar-me daqui. Entretanto, e para ocupar o tempo livre, fui dar uma volta pela Elizabeth St., que é como quem diz, a avenida que tem 3 lojas de material fotográfico.
Os preços são mais ou menos a mesma coisa, as câmaras talvez um bocadinho mais caras que em Portugal. Ia fisgado, claro, numa 10-22mm, mas também como na Tugalândia, aqui são caras, mais de 1000 Dólares cá da casa. Agora o que não resisti comprar foi uma 50mm 1.8 por 139 Dólares, que é mais ou menos o mesmo que dizer 100 Euros, custando esta no Rectângulo 150 Euros. Desengane-se quem pensa que apenas as mulheres fazem compras para compensar a tristeza, os homens também.
De seguida fui à Brunswick, um dos "must see" cá do sítio. Já lá tinha ido duas vezes mas agora queria ir à minha conta, até mesmo porque queria passar na Casa Ibérica para ver como param as modas tugo-gastronómicas cá do sítio. De português, pouco ou nada, de resto tudo espanhol, pese embora um dos donos seja tuga. Vinho nem vê-lo, e disse-me a mulher do dono que quando têm é Monte Velho e Casal Garcia. Fonix, podiam vender uma merda melhor a estes gajos. Por isso é que os nossos vinhos não vencem, exportam a merda.
De resto esta pocilga onde estou dá mesmo para matar saudades dos "simpáticos" europeus. É só javardos mal educados e arrogantezinhos, típico do mais mediano europeu. E esta merda mete nojo, de tal ordem que até comprei uma garrafa de água de litro e meio para lavar os dentes, porque naqueles lavatórios nem o meu cú lavava!

terça-feira, 6 de março de 2012

E a aventura chega ao fim

Há alturas na vida em que temos de tomar decisões muito sérias na nossa vida. Foi o que fiz quando vi o desemprego à porta. Achei que seria uma ideia boa mudar de ares e ir para onde (pensava eu) há mais oportunidades. Ao mesmo tempo apostava (mais uma vez) em formação.
Pois que mudei de ares, mas o cheiro continuou o mesmo. Vejo-me no mesmo beco, com portas a fecharem-se. Como sabem, a única coisa que arranjei aqui foi trabalhar nas obras, mas que se torna incomportável conciliar com os estudos. E o resto já sabem, mas se não percebem façam o favor de o tentar fazer, de perceber.
Pois que chegou novo momento de tomar outra grande decisão, e analisando o pouco tempo que aqui estive, em que pouco ou nada correu bem, as opções são poucas, com a mais forte a ser a do regresso. Não dá para esperar mais tempo, pese embora tenha pesquisado activamente emprego, este não apareceu e ainda vou a tempo de pedir reembolso do dinheiro despendido no primeiro semestre, e mesmo que não seja todo, uma boa parte poderá ser recuperado, e assim o prejuízo não será total.
Tenho pena que a coisa não tenha resultado, principalmente depois de tudo o que abdiquei. Esta é uma cidade fabulosa para se viver, a Universidade, apesar da desorganização, tem bastante nível e tenta proporcionar o melhor aos seus alunos, mas lá está, sem dinheiro não há festa. Tentar conciliar o trabalho como trolha com os estudos só iria prejudicar estes e traria como consequência problemas com a Imigração. Em caso de reprovação em alguma disciplina o visto é cancelado e não há direito a qualquer reembolso. E se voltar agora ainda volto com algum no bolso.
Cancelei hoje a minha matrícula e amanhã vou pedir o reembolso, tendo agora 28 dias para sair. Volto para Portugal com mais uma lição de vida. Pelo menos aprendi aqui novas formas de ver a vida, que espero manter ao longo da minha vida, assim esta deixe.
Se desiludi alguém, tenho pena, também eu me sinto desiludido. A vida continua e nunca se devem baixar os braços. O que estou a fazer pode parecer um baixar de braços, mas não é. É precaver-me contra um destino que se obvia, por isso mais vale sair daqui a bem do que arranjar problemas no futuro. E assim se deixam portas abertas.
Por muito que uma pessoa diga que pensa em tudo, acaba mesmo por nunca pensar em tudo. Falharam-me alguns cálculos ao início, talvez levado pela música que cantavam de uma Austrália que não existe. É de facto um país excepcional, que ficará para sempre gravado em mim, mas existem também aqui muitos problemas e a crise toca a todos, com todo o aproveitamento que se possa fazer disso.
O mal está feito, não há volta a dar, a vida não volta atrás, resta-me agora continuar a lutar em Portugal. Porque há uma coisa que toda a gente tem de se mentalizar, com esta idade em lugar algum se consegue alguma coisa, a vida está para quem tem menos de 30 anos e só tenho mesmo pena é de não ter feito isto mais cedo. Aí a conversa teria sido outra.
Perdi demasiado em vir para aqui, mas ganhei plena consciência de que a minha situação aqui não vai melhorar, por isso as contas são fáceis de fazer, continuando aqui ainda vou perder mais. Mesmo que me aguentasse, acabaria o Mestrado no próximo ano, já com 40 anos. Tinha de voltar na mesma. Por isso estender uma coisa que está morta à nascença para quê? Ficar aqui até ao fim implicaria gastar uma fortuna de que não veria qualquer retorno, como até hoje não vi face à minha formação académica. Teria forçosamente de regressar a Portugal na mesma. Estar aqui é mais do mesmo.

segunda-feira, 5 de março de 2012

No stress

Isso é uma cena característica destes gajos, não há cá stress. Falo daquele stress de irmos no meio da rua e o javardo à nossa frente dá-lhe para parar ou mudar repentinamente de direcção sem se preocupar com os que vêm atrás. E ninguém fica chateado com isso. Eu, por acaso, até fico, porque também não fica nada mal um gajo preocupar-se se vem gente atrás antes de mudar o percurso. Mas enfim, habitua-te que já és grandinho.
Não vejo ninguém a apeixarar no meio da rua com os outros, e isso já me apraz. Alguém erra, pede desculpa. E aqui se faz assim. E não há peixarada nem de meia noite nem de meio dia. Pese embora esta seja uma cultura que não perdoa o erro, há certas coisas para as quais existe uma certa compreensão. E nisso concordo inteiramente, o erro deve ser punido, sem perdão, para evitar abrir precedentes. Erras, já foste e não erras da próxima vez.
Outra cena que estes gajos têm, é a questão do rendimento do trabalho. Já aqui referi que aqui se trabalham menos horas, mas produz-se mais. Era bom que Portugal se tornasse assim. Funcionários porreiros, com gosto em trabalhar, e chefias porreiras com vontade de liderar e dar o exemplo. Mas latino é latino e contra isso pelos vistos nada há a fazer.
O pessoal aqui preza muito o nível de vida que têm, trabalham o número de horas estabelecido e ala curtir a vida. E nas obras é o mesmo, chega a hora de sair, ala que se faz tarde. Por isso que ninguém em Portugal se queixe das obras de Sta. Engrácia, que se aí são dessa santa, então aqui são as obras da mãe da Sta. Engrácia, que nunca ninguém lhes vê o fim. A malta faz 8 horas e nem mais um minuto. E inclui 45 minutos a 1 hora de intervalo de almoço e mais alguns para os cigarrinhos. E outros tantos para coçar os sacos. Mas não invejem a sorte, a entrada é às 7 da matina.
Ainda no sábado foi um homem entregar um candelabro e perguntou-me se as obras ainda demoravam muito, ao que respondi que não, mais uma semana e devia acabar. E responde-me o homem que duvidava muito, visto aos meses andar a malta às voltas na casa, que nunca mais vê o fim às obras.
E é por isso que as obras nesta terra são tão caras, é mais pela eternidade do que pela qualidade. Ainda hoje vi um anúncio de venda de casas, um T1 pela módica quantia de 250.000 Dólares Aussies. Dasse! Essa merda dá uns 200.000 Euros! Chiça!
Agora com esta história de estar a viver numa pocilga, vulgus hostel, comida é no restaurante, e os mais baratinhos são os asiáticos. Uma semana assim e estou mesmo a ver-me a cagar canas de bambu. Mas pelo preço compensa mesmo, um gajo come uma boa dose e paga pouco, que é o que se quer. Mas ia jurar que umas cenas vermelhas que estavam no prato eram asas de barata. Mas eram estaladiças e boas.

domingo, 4 de março de 2012

A maralha e os índios


Esta semana os colombianos lá de casa precisam do quarto para um familiar qualquer que vem visitá-los, por isso ala dali para fora e eis-me num hostel, no meio da maralha. Isto é só gente esqsuisita, para quem a palavra banho não deve fazer parte do léxico. Ora aqui está uma excelente ideia de negócio, podia falar com a gerência do hostel, estes facilitavam-me uma sala com azulejos e uma mangueira, e por 5 Dólares dava umas valentes mangueiradas (de água, entenda-se) nesta gente. Ficávamos todos contentes, eu cheio de guito, estes gajos descobriam as vantagens de um bom banho e o ambiente, pois as moscas iam bezerrar para outra freguesia.
O hostel está em remodelações, se me pagarem bem ainda dou uma mãozinha, já que já tenho experiência como trolha. Pelo menos a partir paredes dá para um gajo "vingar-se" dos maus olhados. Acreditem, dá uma força do catano um gajo partir paredes a pensar nos que nos dão maus olhados.
Como trolha não se ganha mal, mas o boss não quer cá gajos em part time, ou partes pedra em full time ou vai dar uma curva. Daí ter ficado como casual, trabalho quando se lembram de mim. Pelo menos tenho umas botifarras do catano. E boné! Fonix, o que odeio usar boné. Mas claro, valendo-me do meu bom gosto, o boné até é giro. As t-shirts até metem dó de tão cagadas que estão, a sério, fazem-me sentir mais homem, todas cagadas e mal cheirosas, até sinto a testosterona a sair de mim, o cheiro a macho. E as calças? Olha, boa, acabei de ter uma excelente ideia, vou aproveitar o estado super-hiper-mega macho da minha roupa de trabalho e vou para o centro pedir esmola. Fonix, no estado em que está a minha indumentária devo fazer uma fortuna. O que sei é que em menos de 3 minutos tive duas ideias de negócio. O gajo além de macho é idiota, tem muitas ideias.
A puta da net aqui no hostel é que me põe doido. É tudo na recepção agarrado aos portáteis e é ver a net lenta lentinha. Preciso fazer umas chamadas através do Skype e marcar umas merdas, e pelo andar da carruagem não deve ser esta semana. Um gajo à espera que abra uma página da net aqui ganha barbas brancas. E por falar em penugem branca, nasceu-me mais um cabelo branco. Eu sabia que estes gajos me iam dar cabelos brancos. 
Fonix, isto está mal de imaginação. O quarto é um cú, não tem nada, por isso é de evitar ficar lá, por isso fico-me pela recepção, ao menos vejo gente. Mas o problema é que me está a faltar a imaginação para escrever aqui mais merdas para entreter o estimado leitor. Nem piadas de trolha posso contar, porque os trolhas daqui não dizem nada às mulheres. E lembrei-me agora que no primeiro dia tiveram de me fazer o briefing da OH&S (segurança e higiene do trabalho cá do sítio), onde me fizeram algumas perguntas e me explicaram outras tantas coisas. Num dos pontos mencionaram que o assédio sexual no local de trabalho é punível por lei. Foda-se! Assédio sexual no meio de uma obra deve ser uma cena lixada. Ainda respondi ao gajo que por mim escusam de se preocupar que não lhes dou mangueiradas (das outras, pois claro!), até porque o meu trabalho envolve mais pás e essas merdas. Agora imaginem a cara do gajo a ver-se obrigado a dizer-me que o assédio sexual no local de trabalho é proibido. Cena de macho, um homem a dizer uma coisa destas a outro homem, no meio de uma obra. É daquelas cenas que dá uma credibilidade do caralho!
E outra cena, aqui nas obras a limpeza do local de trabalho tem uma importância do catano, está sempre tudo limpinho. Até dá gosto dar porrada nas paredes e andar pelo meio da obra como se estivesse num centro comercial. De facto, praticamente tudo o que um gajo ouve na certificação para trolha é cumprido. Porque aqui o que é de lei é respeitado. E muito! Se a lei diz isto, então as pessoas fazem isto. Obviamente que não falta quem cometa transgressões, mas só as fazem uma vez, porque as multas aqui são a doer.
No caso particular das obras, estão sempre a levar com inspecções. A primeira merda que estiver mal, é multa sem qualquer complacência e sem querer saber de desculpas. E paga a multa o patrão, a empresa e o trabalhador que cometeu a falta, mesmo que este se tenha fodido todo e ido parar ao hospital. E há multas para empresas que vão ao milhão de Dólares, e dez mil para o trabalhador. Por isso é bom que tudo seja cumprido de acordo com os preceitos, até porque há um prazo de 60 dias para pagar, e aqui não tenho paizinhos que me sustentem, por isso não há guito, há choldra. Por isso é que a taxa de reincidência é de apenas 1%.
Isto agora é que já não há mais imaginação para vos entreter no vosso domingo, que aqui esse dia já vai no fim e finalmente com Sol, filho da puta que andou desaparecido. E fonix que tenho as mãos todas lixadas, parecem o buraco financeiro do país, é só buracos.

sábado, 3 de março de 2012

O tempo

Pois é, o tempo aqui está uma bosta, chove quase ininterruptamente há uma semana, e hoje tem sido demais. Se bem que hoje até posso estar agradecido à chuva, pois que ao fim de 8 horas a alancar nas obras, com as cruzes a doer e as mãos e braços feitos em merda, o supervisor ainda andava a ver o que dar para fazer. Sorte estar a chover, caso contrário ainda lá ficava mais umas horinhas, e o trabalho que era para fazer tem de ser com tempo seco.
Ontem foi deitar paredes abaixo com uma pá! Fonix! Estes gajos não sabem que existe uma coisa chamada marreta? A sorte é que as paredes aqui são uma bosta, pois que as que parti são de contraplacado, com farripas de madeira no interior. Se fosse pedra a sério é que queria ver. E claro, bem que fui parar a um andaime, logo eu que tenho poucas vertigens.
Hoje fui trabalhar para outra casa (e que casa!) e ala para o telhado que é para te tornares homenzinho. Estas putas destas botas ainda me lixam, que escorregam mais do que seguram. São novas, não têm garra. Aliás, ontem, logo no primeiro serviço, graças às botas a estrear, aos degraus pequeninos e às minhas patas de urso, foi trambolhão pelas escadas abaixo.
Quanto à universidade, deixa-a lá estar que não tenho forças nem cabeça para andar com leituras.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Adenda à mensagem em baixo

Só uma coisa que faltou na equação. Até posso fazer algum dinheiro como trolha, mas ao fim de 8 horas estou completamente estoirado, levo hora e meia a chegar a casa e a única coisa que apetece fazer é dormir. Para entrar às 7 da manhã tenho que me levantar às 4, ou seja, tenho que me deitar muito cedo. Nos dias em que as aulas acabam às 18.30, chego a casa às 20.00 e tenho logo de ir para a cama. O resultado é que o rendimento no Mestrado vai ser nulo, e à primeira negativa que tiver o visto é cancelado. Valerá a pena continuar aqui? 

quinta-feira, 1 de março de 2012

Equação

A equação que vos vou apresentar é muito simples: aqui não consigo outro trabalho que não este que tenho nas obras (ainda agora recebi mais um mail a dar nega). Nas obras foi hoje apresentado o meu belo salário de 19 Dólares por hora, e fico como casual, ou seja, trabalho quando for chamado, e se não for chamado não há guito. Fiz hoje 8 horas, amanhã devo fazer outras tantas. Depois... logo se verá quando volta a haver trabalho.
De resto, pelo quarto pago 150 Dólares por semana, e ainda há que contar com a comida, transportes e as despesas inerentes à Universidade. E isto porque ainda não chegou o momento do pagamento da segunda fatia do Mestrado. De comida pago 50 Dólares por semana, e antes que digam para comer menos, comer menos só se não comer. Com os transportes não há nada a fazer, e são caros. Material para o Mestrado? Nem pensar em fotocópias, que aqui ninguém as tira aos livros. E estes em segunda mão são como os títulos do Sporting, nem vê-los. E tal como aí, também aqui os livros são caros.
Já sei o que me vão dizer: "aqui em Portugal a coisa está má". Pois, é um facto, mas aqui já vi que é mais do mesmo, e para ser mais do mesmo, então para isso mais vale ficar em Portugal.
Abdiquei de demasiada coisa para vir para aqui, era mais um projecto em mãos, e foi mais um projecto falhado. E muito do que abdiquei não vou recuperar.
Envios cv's por mail para aquelas empresas que não dão outro contacto e telefono para as que informam algum número. Incrivelmente já tudo está ocupado. Acabam de colocar anúncios e já está tudo ocupado. Ao que começo a dar valor é aos 3 recados que já me deram: "para essa merda, ficavas em Portugal!" E curiosamente as palavras ditas foram "ipsis verbis" umas das outras. Três mensagens iguaizinhas.
E por favor não me voltem a dizer "melhores dias virão", a fé foi-se e todos sabemos que isso não vai acontecer. Não percebo o deslumbramento que este país exerce. Ou percebo, são óptimos a fazer publicidade. Repito para que se desengane quem pensa que aqui está tudo bem. Acreditem, é mais do mesmo.
Fazendo novo rescaldo, se foi impensado vir para aqui? Não, não foi. Se estou arrependido? Acho que não preciso responder.


Arménio era um trolha da Areosa

Lá dizia o Rui Veloso. Mas a nova versão é o trolha de Melbourne. Pois é, eu mesmo. Uma pessoa normal estuda para progredir. Eu ando a estudar para regredir. Já disse várias vezes que tenho vertigens. Não me importo de ir para trolha, mas não me metam em andaimes e nas alturas.
Grande feito que consegui hoje, foi passar na certificação para trolha. Mal seria se não passasse. De facto há qualquer coisa em mim, por mais cv's que envie não me consigo vender. E não invento, sigo as instruções que me foram dadas, com a devida flexibilidade e adaptação necessárias.
Supostamente é por estas merdas que devo ficar contente. Nem vou ter tempo para preparar as aulas. São 20.18 e tenho de me levantar às 04.00, o que quer dizer que tenho de ir para a cama. Nem jantar posso, mas também não me apetece.
Faz hoje 4 anos que me mudei para Carcavelos. As voltas que a puta da vida dá.