Pois é como eu ando, aos saltinhos de um lado para o outro. Dois voos já foram, faltam outros tantos. As coisas que um gajo faz para poupar uns cobres. Mas podia gastar menos não fosse algum filho da puta abarbatar-se ao meu MP4. E agora tive de comprar outro. Mas vá lá, ficou por 99 Euros, mais coisa menos coisa. Em Singapura, claro! E ainda uma lente bué manhosa, que faz macro, infravermelhos (que me vai ser extremamente útil) e grande angular. Por 280 Dólares de Singapura. E mais, passei o controlo do cartão de embarque, sento-me confortavelmente numa cadeira (ler "sentei-me à patrão") e então lembro-me: "onde é que está o caralho do saco do free shop?" Fosga-se para a puta da minha cabeça que entrou antes de mim no avião. Pois então após o habitual strip tease a que me sujeito nos controlos de raio-x, deixo o saco do free shop para lá esquecido. E com o MP4 lá dentro. Porra, que a praga que me rogaram envolve MP4's. Mas pronto, fui com uma rapariga da Qatar Airways de volta ao raio-x para recuperar o saco e lá estava ele sozinho e abandonado. Porque nenhum filho da puta se lembrou de o roubar.
E em Singapura comi muito bem, que nem um animal. Mas também pudera, aquela comida não puxa carroças. Daí ter sido a obrigado, em média, a almoçar duas vezes e a jantar três. E mais umas coisas pelos entremeios. Bom, tudo bem que a comida de facto não puxa carroças, mas gosto daquilo. É boa chafurdeira e além disso comer naqueles pardieiros dá um certo gozo, com lagartixas a baratas a passear por todo o lado. E para aumentar a adrenalina imaginar como será a cozinha. Aliás, basta apenas um ligeiro olhar para os utensílios utilizados e o resto deixa-se à imaginação.
E o estupor da mala que está pesadíssima. Mas vá lá, o rapazinho da Qatar Airways em Singapura foi simpático e fechou os olhos aos 5 quilos a mais. Com o recado "para a próxima tenha atenção ao peso". E pensei "que queres caralho? Sou migra, e migra que se preze enche as malas com tudo o que se lembra". E não pesou o rapaz a minha mala de mão. Se o fizesse até me dava um tiro. E mesmo assim trouxe um casaco na mão (que aliás é uma coisa muito bonita de se fazer em Singapura, arrastar malas pela rua com um casaco pendurado na mão, a avaliar pelo calorão). Mas o casaco tinha um motivo. Chegado ao aeroporto toca a meter as lentes que trouxe comigo e o carregador de pilhas, por si só grandes contribuintes do peso da mala de mão, tudo nos bolsos do casaco. Assim, se me pesassem a bagagem de mão talvez esta não pesasse tanto. Passou tudo. Agora de certeza que não escapo é em Madrid, que os gajos adoram foder tugas.
E estou para aqui enfiado no aeroporto de Doha, capital do Qatar. E que bela merda de aeroporto, fosga-se! Valeu pelo momento de boa disposição ao observar a sala de fumo, que de facto faz juz ao nome. Cheguei a ter dúvidas se se tratava da sala de fumadores ou se era alguma recreação da batalha de Alcácer Quibir, com El Rei D. "Bastas" a reaparecer no denso nevoeiro. E porque não, isto aqui não é terra de mouros?
Quanto à Qatar Airways, nota bastante positiva. Os únicos aspectos negativos foram mesmo a lentidão no check in e o entretenimento a bordo que é uma bela bosta, mas de resto tudo excelente. Até o facto de terem atirado com o avião para um poço de ar, momento esse que adorei. E a avaliar pelos gritos, a coisa deve ter sido boa, só tenho pena de estar quase a adormecer quando tal sucedeu, mas fosga-se, esta gente grita logo por um poçozinho de ar tão inofensivo. Gostei da tripulação, não têm nem aquele ar de quem tem um pau banhado em picante enfiado pelo cú acima, que lhes dá aqueles ares presos (como na Etihad e afins) e nem o rei na barriga como em muitas outras. Ou quase todas. Porque como esta só conheço a Air New Zealand. Pessoal natural e solto. Quando fui à casa de banho até se meteram comigo. Pensei ainda em contar a piada da tri-sacudidela da pila, mas talvez fosse ir longe de mais e não entenderem. Eh pá, mas até agora gostei.
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