segunda-feira, 5 de março de 2012

No stress

Isso é uma cena característica destes gajos, não há cá stress. Falo daquele stress de irmos no meio da rua e o javardo à nossa frente dá-lhe para parar ou mudar repentinamente de direcção sem se preocupar com os que vêm atrás. E ninguém fica chateado com isso. Eu, por acaso, até fico, porque também não fica nada mal um gajo preocupar-se se vem gente atrás antes de mudar o percurso. Mas enfim, habitua-te que já és grandinho.
Não vejo ninguém a apeixarar no meio da rua com os outros, e isso já me apraz. Alguém erra, pede desculpa. E aqui se faz assim. E não há peixarada nem de meia noite nem de meio dia. Pese embora esta seja uma cultura que não perdoa o erro, há certas coisas para as quais existe uma certa compreensão. E nisso concordo inteiramente, o erro deve ser punido, sem perdão, para evitar abrir precedentes. Erras, já foste e não erras da próxima vez.
Outra cena que estes gajos têm, é a questão do rendimento do trabalho. Já aqui referi que aqui se trabalham menos horas, mas produz-se mais. Era bom que Portugal se tornasse assim. Funcionários porreiros, com gosto em trabalhar, e chefias porreiras com vontade de liderar e dar o exemplo. Mas latino é latino e contra isso pelos vistos nada há a fazer.
O pessoal aqui preza muito o nível de vida que têm, trabalham o número de horas estabelecido e ala curtir a vida. E nas obras é o mesmo, chega a hora de sair, ala que se faz tarde. Por isso que ninguém em Portugal se queixe das obras de Sta. Engrácia, que se aí são dessa santa, então aqui são as obras da mãe da Sta. Engrácia, que nunca ninguém lhes vê o fim. A malta faz 8 horas e nem mais um minuto. E inclui 45 minutos a 1 hora de intervalo de almoço e mais alguns para os cigarrinhos. E outros tantos para coçar os sacos. Mas não invejem a sorte, a entrada é às 7 da matina.
Ainda no sábado foi um homem entregar um candelabro e perguntou-me se as obras ainda demoravam muito, ao que respondi que não, mais uma semana e devia acabar. E responde-me o homem que duvidava muito, visto aos meses andar a malta às voltas na casa, que nunca mais vê o fim às obras.
E é por isso que as obras nesta terra são tão caras, é mais pela eternidade do que pela qualidade. Ainda hoje vi um anúncio de venda de casas, um T1 pela módica quantia de 250.000 Dólares Aussies. Dasse! Essa merda dá uns 200.000 Euros! Chiça!
Agora com esta história de estar a viver numa pocilga, vulgus hostel, comida é no restaurante, e os mais baratinhos são os asiáticos. Uma semana assim e estou mesmo a ver-me a cagar canas de bambu. Mas pelo preço compensa mesmo, um gajo come uma boa dose e paga pouco, que é o que se quer. Mas ia jurar que umas cenas vermelhas que estavam no prato eram asas de barata. Mas eram estaladiças e boas.

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