E a história começa com um gajo qualificado, num país desqualificado, com a crise e tal, é preciso sair. E bla bla bla. Mais um entre muitos e antes que o outro me chame de piegas (invejoso!) é melhor avançar.
E nem sequer vou começar pelo princípio, ou seja, pelo tão tradicional choro da despedida e afins. Comecemos antes pelo que me traz aqui.
A coisa em Portugal ficou difícil, o emprego foi-se. Ora como sou um cota do caraças, na altura em que a empresa se finou estava eu com 38 anos, não há cá de contratar este velho que há-de vir cheio de vícios e pedir mundos e fundos. Mas senhores recrutadores, longe de mim querer incomodá-los, na vossa douta e superior sapiência, que cunhas para vocês só mesmo as dos sapatos.
Ou seja, a utilidade para os meus diplomas e certificados de habilitações é a mesma do papel higiénico, com a diferença que este último arranha menos.
Ora após anos de envio de candidaturas a empregos (sim, em diversas áreas, não sou assim tão chapadinho) e sem receber respostas (lá está, as minhas sinceras desculpas aos senhores recrutadores pelo tempo que vos fiz perder a procurar a minha idade nos currículos), presumo então ser uma persona non grata no mercado de trabalho do nosso Rectângulo. Solução? Ala para fora.
E eis-me na Austrália. Lá está, percebem agora a minha prova de inteligência ao dar o nome que dei ao blogue? Fantástico!
Mas como a Austrália é muito grande, há que localizar melhor a coisa. E a coisa é Melbourne. Cidade cosmopolita e beca beca beca, que não sou pago para fazer publicidade à cidade. Sim, centro muito bonito, mas os subúrbios... parece que estou numa qualquer cidade americana.
Aos pontos ganha este povo pela simpatia. Há 2 dias fui comprar o passe para os transportes, o homem tinha ar de mal encarado. "Hi! How are you today?" Uff! Que simpático! Fui brindado com o tradicional cumprimento Wallabie. Antipáticos aqui? Aos magotes! Mas não falam inglês.
Agora a p... da saudade é que me mata. Em Setembro, quando iniciei o processo para ser migra, era só raiva, e que bazava de Portugal e não voltava e o diabo à quatro! Agora? Tenho saudades, claro! No Rectângulo era feliz. Muito feliz! Muito mesmo. E não precisava de viver num palácio, ter criados, vários carros, aviões, barcos, meninas de programa apaixonadas pelo meu dinheiro. Tinha o dinheiro necessário para viver a vida, e nunca pedi mais que isso. A minha família, os meus amigos, a minha vida, tudo isso me fazia feliz. E o coração (apesar do tabaco que lhe atirava às trombas!)
Mas como não tenho perfil de subsídio-mamão (nota-se, por isso é que levei 4 meses para receber o subsídio de desemprego, nas vésperas de sair. Se fosse vendedor de feira e traficante encardido era logo), tive de me virar. A Austrália é um grande país, em muita coisa, mas não vale a pena ficar cegamente apaixonado. Tem defeitos como os outros.
Esta gente tem um modus vivendi muito deles, são descomplexados (fonix, metade das figurinhas que aqui vi em 3 dias davam para parar o Rectângulo, ficava tudo a olhar), são felizes, levam tudo na desportiva. Ah! E educados. Que bom estar numa fila e ninguém passar à frente, que bom ver o respeito que se tem pelos velhos e pelos animais. Eh pá, essas merdas! A sério que dá gosto.
Contudo, e por muito que goste e respeite este país, não é propriamente a minha praia. Sim, já sei, sou um "ganda" estúpido! Mal agradecido é que não porque para estar aqui a viver arrotei o belo do guito, por isso se for mal agradecido é a mim mesmo (e aí teria de amuar com o meu Eu). Sim, também sei que é muito cedo. Mas já vim para aqui sem grande moral. "Ouve lá ò palhaço, se foste (e não "fostes") para aí sem moral, para quê que foste?" Ora carago, porque foi a única solução que tive.
Agora o que me f... o juízo é ter de começar tudo de novo. Diziam-me ontem "ah que disparate, então e começas, qual é o problema? Isto aqui é a terra das oportunidades" Ai santíssimo sexo que faz tanta falta a tanta gente! Excesso de falta de sexo leva a dizer baboseiras cinderelescas, como se este país fosse um maná de empregos e oportunidades. Que há muitas oportunidades sei eu, se fosse para ir para uma cópia do nosso país, tinha aí ficado ora porra! Agora acho que um gajo tem direito a desabafar e a sentir-se fornicado por à porta dos 40 anos voltar tudo atrás na carreira, depois de ter estudado para trabalhar e não para limpar o rêgo a diplomas de Direito. Resta apenas mencionar que quem teve esta tirada veio para aqui com trabalho na mão e não teve nenhum downgrade na carreira. Pois, com a vida facilitada é fácil falar.
A esta hora estão os pseudo-positivistas a chamar-me de negativista e o car...! Olhem, é mesmo esse que podem enfiar num sítio que cá sei. Sou eu mais positivista que muitos cretinos que por aí andam a ofender tudo e todos, com a mania que são intelectuais. Se fosse negativista ficava com o rabo em casa. E não, o povo tuga não é todo negativista, e sim, negativistas há por todo o lado. O que faz falta a muita gente é andarem por esse mundo fora, aquele mundo para além da República Dominicana, Cancún e Varadero.
Bom, o que interessa é que já aqui estou, e pontapé para a frente. Mas hei-de voltar. Sim, ao blogue também.
PS: nhec! Já sinto saudades de ouvir um bom motor a jacto. Até podia ser da easyJet.
E nem sequer vou começar pelo princípio, ou seja, pelo tão tradicional choro da despedida e afins. Comecemos antes pelo que me traz aqui.
A coisa em Portugal ficou difícil, o emprego foi-se. Ora como sou um cota do caraças, na altura em que a empresa se finou estava eu com 38 anos, não há cá de contratar este velho que há-de vir cheio de vícios e pedir mundos e fundos. Mas senhores recrutadores, longe de mim querer incomodá-los, na vossa douta e superior sapiência, que cunhas para vocês só mesmo as dos sapatos.
Ou seja, a utilidade para os meus diplomas e certificados de habilitações é a mesma do papel higiénico, com a diferença que este último arranha menos.
Ora após anos de envio de candidaturas a empregos (sim, em diversas áreas, não sou assim tão chapadinho) e sem receber respostas (lá está, as minhas sinceras desculpas aos senhores recrutadores pelo tempo que vos fiz perder a procurar a minha idade nos currículos), presumo então ser uma persona non grata no mercado de trabalho do nosso Rectângulo. Solução? Ala para fora.
E eis-me na Austrália. Lá está, percebem agora a minha prova de inteligência ao dar o nome que dei ao blogue? Fantástico!
Mas como a Austrália é muito grande, há que localizar melhor a coisa. E a coisa é Melbourne. Cidade cosmopolita e beca beca beca, que não sou pago para fazer publicidade à cidade. Sim, centro muito bonito, mas os subúrbios... parece que estou numa qualquer cidade americana.
Aos pontos ganha este povo pela simpatia. Há 2 dias fui comprar o passe para os transportes, o homem tinha ar de mal encarado. "Hi! How are you today?" Uff! Que simpático! Fui brindado com o tradicional cumprimento Wallabie. Antipáticos aqui? Aos magotes! Mas não falam inglês.
Agora a p... da saudade é que me mata. Em Setembro, quando iniciei o processo para ser migra, era só raiva, e que bazava de Portugal e não voltava e o diabo à quatro! Agora? Tenho saudades, claro! No Rectângulo era feliz. Muito feliz! Muito mesmo. E não precisava de viver num palácio, ter criados, vários carros, aviões, barcos, meninas de programa apaixonadas pelo meu dinheiro. Tinha o dinheiro necessário para viver a vida, e nunca pedi mais que isso. A minha família, os meus amigos, a minha vida, tudo isso me fazia feliz. E o coração (apesar do tabaco que lhe atirava às trombas!)
Mas como não tenho perfil de subsídio-mamão (nota-se, por isso é que levei 4 meses para receber o subsídio de desemprego, nas vésperas de sair. Se fosse vendedor de feira e traficante encardido era logo), tive de me virar. A Austrália é um grande país, em muita coisa, mas não vale a pena ficar cegamente apaixonado. Tem defeitos como os outros.
Esta gente tem um modus vivendi muito deles, são descomplexados (fonix, metade das figurinhas que aqui vi em 3 dias davam para parar o Rectângulo, ficava tudo a olhar), são felizes, levam tudo na desportiva. Ah! E educados. Que bom estar numa fila e ninguém passar à frente, que bom ver o respeito que se tem pelos velhos e pelos animais. Eh pá, essas merdas! A sério que dá gosto.
Contudo, e por muito que goste e respeite este país, não é propriamente a minha praia. Sim, já sei, sou um "ganda" estúpido! Mal agradecido é que não porque para estar aqui a viver arrotei o belo do guito, por isso se for mal agradecido é a mim mesmo (e aí teria de amuar com o meu Eu). Sim, também sei que é muito cedo. Mas já vim para aqui sem grande moral. "Ouve lá ò palhaço, se foste (e não "fostes") para aí sem moral, para quê que foste?" Ora carago, porque foi a única solução que tive.
Agora o que me f... o juízo é ter de começar tudo de novo. Diziam-me ontem "ah que disparate, então e começas, qual é o problema? Isto aqui é a terra das oportunidades" Ai santíssimo sexo que faz tanta falta a tanta gente! Excesso de falta de sexo leva a dizer baboseiras cinderelescas, como se este país fosse um maná de empregos e oportunidades. Que há muitas oportunidades sei eu, se fosse para ir para uma cópia do nosso país, tinha aí ficado ora porra! Agora acho que um gajo tem direito a desabafar e a sentir-se fornicado por à porta dos 40 anos voltar tudo atrás na carreira, depois de ter estudado para trabalhar e não para limpar o rêgo a diplomas de Direito. Resta apenas mencionar que quem teve esta tirada veio para aqui com trabalho na mão e não teve nenhum downgrade na carreira. Pois, com a vida facilitada é fácil falar.
A esta hora estão os pseudo-positivistas a chamar-me de negativista e o car...! Olhem, é mesmo esse que podem enfiar num sítio que cá sei. Sou eu mais positivista que muitos cretinos que por aí andam a ofender tudo e todos, com a mania que são intelectuais. Se fosse negativista ficava com o rabo em casa. E não, o povo tuga não é todo negativista, e sim, negativistas há por todo o lado. O que faz falta a muita gente é andarem por esse mundo fora, aquele mundo para além da República Dominicana, Cancún e Varadero.
Bom, o que interessa é que já aqui estou, e pontapé para a frente. Mas hei-de voltar. Sim, ao blogue também.
PS: nhec! Já sinto saudades de ouvir um bom motor a jacto. Até podia ser da easyJet.

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