quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Da crise e outras histórias

Desengane-se quem pense que o Brasil, Canadá, Angola, Dubai e Austrália são mananciais de felicidade, dinheiro e prosperidade. Uma das primeiras notícias com que fui brindado após a minha chegada foi a do Banco ANZ (o segundo maior banco aqui do bairro) despedir cerca de 1.000 funcionários. Fiquei a pensar na rapariga que me trocou Euros por Dólares Australianos, coitada, tão simpática e prestável.
Hoje, notícia do dia, a Qantas (por favor ler "cantas" e não "cuantas") vai despedir cerca de 1.200 funcionários, 600 dos quais já este mês. E a seguir uma lista das empresas que vão despedir em breve. Sim, já sei, a taxa de desemprego é baixa, 5,1%. Mas nem este, nem os países acima mencionados são propriamente paraísos.
Existe o velho hábito de pensar que estes países não conhecem a palavra crise e que as pessoas se devem mudar para os respectivos. Sinceramente, é um sentimento um pouco redutor que leva a crer num certo facilitismo. Não acreditem em tudo o que vêm por aí, aqui a vida também custa e já vi muito boa loja fechada.
Agora o que não compreendo (ou finjo não compreender) é por que raio estes gajos trabalham das 09.00 às 17.00, centros comerciais a fechar às 18.00, trabalhar ao sábado só se forem os otários, já para não falar dos que trabalham das 11.00 às 17.00, entre outras preciosidades, e produzem e o raio do país tem guito. No nosso Rectângulo o Governo, ansioso por satisfazer os caprichos dos seus amantes, põe tudo a trabalhar debaixo de porrada. E será que resulta? Sim, aquela meia hora a mais deve resultar à brava. E o corte dos feriados. Ah! E por falar em feriados, desenganem-se os incautos, Portugal tem menos feriados que muitos países e, pior, se um feriado calha num fim-de-semana, o mesmo não passa para segunda-feira. Por isso, antes de se criticar seja o que for, que se cultive primeiro.
Mas como se não bastasse a trampa de cobardes que temos na nossa política, o Zé também não ajuda. Uns só querem saber do fim do mês, outros só querem saber de greves. E falando por mim, que visto sempre a camisola, fico sempre a chuchar no dedo, ou porque sou velho, ou porque sou novo, ou porque tenho muita experiência, ou porque tenho pouca experiência, ou porque tenho muita formação académica, ou porque tenho pouca formação académica. No fundo, o que não tenho mesmo é a cunha certa. Posso mencionar o caso de Outubro de 2010, altura da minha última entrevista de emprego, mas anterior à continuação de envio de diversos currículos, entrevista essa para uma daquelas empresas de aviões, uns que são muito branquinhos. A entrevista foi apenas para fazer vista. E a gaja era, de facto, uma cabra armada em boa. Que se foda! Não sabe o que perdeu! Só tenho pena que os patrões não vejam (e nem se interessem) a merda que têm a contratar.
E antes que me moam o juízo por causa das candidaturas e tal, para que saibam já tentei vender-me de 1001 maneiras. Mas não vale a pena, a cobardia no recrutamento é tanta que nem que se conheça o patrão se consegue a posição. E não me venham com a história daquele marmelo de Braga, que tem aquela pronúncia fajuta e nojenta, armado em gajo com piada. O gajo é um fanfarrão que não sabe de nada. O gajo é patrão e aposto com quem quiser como ele nunca teve uma abordagem daquelas fosse com quem fosse. Mas se for preciso fazer de palhaço, lá por isso faço.

1 comentário:

  1. Tava difícil... é o que dá ser a última leitura do dia... mas agora já sei como é! Bjo e tem um bom dia :-)

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