E não é que é mesmo verdade? Fonix! Aqui não se fala noutra coisa. Lojas a fecharem, empresas a despedirem. Ora porra! Querem ver que fui eu que trouxe a crise comigo? É que não me lembro mesmo nada de a ter posto nas minhas malas. A sério, conferi tudo e trouxe roupa e o material fotográfico. E claro, o belo do portátil mais a puta da tecla do "o" que me continua a enervar.
Pois hoje fui jantar ao restaurante Madeira, do simpático casal Luís e Maria. Fui muito bem recebido e ainda insistiram para que ficasse a fazer companhia durante o seu jantar. Mais tempo teria ficado não fosse nesta terra tudo fechar cedo. Nomeadamente os combóios. Não esquecendo o facto de eu estar a morar num desterro, que me dá a sensação de ser por aqui o seu único residente.
Disse-me o Luís que se nota menos gente nos restaurantes, e dos que vão, que gastam menos. Se a SIC descobre isto fica um mês inteiro a falar do mesmo, com direito a intermináveis directos.
Eu até gostaria de visitar a Associação Portuguesa de Victoria (aka Portuguese Association of Victoria) mas aquilo é para lá de onde o maluco do Judas perdeu as botas. Ouvir música pimba hard core seria altamente recompensado com umas Super Bocks e um Delta. Mas fonix, só se me quisesse penitenciar é que iria àquele desterro, que até para lá ir de carro dá para um gajo penar.
Voltando ao casal Luís e Maria, ele madeirense, ela sul-africana de origem tuga. Ele bazou do Rectângulo em 1975. Raízes? Só se for para meter no chá. Foi-se para a Venezuela e depois para a Cidade do Cabo, na África do Sul, mudando-se para aqui há 3 anos e meio. Quando se lembra vai a Portugal, sabe bem utilizar a desculpa da distância para visitar uma terra com a qual perdeu toda e qualquer ligação. Longe vão as lágrimas e a dor da separação. As distâncias criam defesas. No fundo, são lições de vida. Mas não lhe retiram qualquer humanidade. Quando fecharam o restaurante era vê-los encher os pratos dos funcionários, bem atafulhados de comida. E se quiserem levem mais para casa. E vejam se comem. Tratados como filhos.
Mas queixam-se do costume, desta desunião que tanto caracteriza os tugas. Porra, somos 7.000 aqui no Estado de Victoria, mas união "tá quieto"! Cada um por si. E dos poucos com quem se fala, mais valia ficar calado. Nota-se bem no casal o que se nota em mim, um desejo de ter uma comunidade unida, um local de encontro para as conversas e passar o tempo. De que adianta ter grupos e associações se ninguém quer saber? Quanto mais não fosse, fizessem-no pelo negócio, mas nem isso.
Os chineses juntam-se em comunidades fortes, os árabes, turcos, espanhóis, e por aí fora. Nós juntamo-nos em comunidades unitárias, isoladas do Mundo, isoladas de nós próprios. E isto nada mais é do que o espelho do nosso Portugal, estamos de rastos porque união é coisa que não existe, parece mal falar dela e interessa é o meu umbigo e o dos outros que se f...
Pois hoje fui jantar ao restaurante Madeira, do simpático casal Luís e Maria. Fui muito bem recebido e ainda insistiram para que ficasse a fazer companhia durante o seu jantar. Mais tempo teria ficado não fosse nesta terra tudo fechar cedo. Nomeadamente os combóios. Não esquecendo o facto de eu estar a morar num desterro, que me dá a sensação de ser por aqui o seu único residente.
Disse-me o Luís que se nota menos gente nos restaurantes, e dos que vão, que gastam menos. Se a SIC descobre isto fica um mês inteiro a falar do mesmo, com direito a intermináveis directos.
Eu até gostaria de visitar a Associação Portuguesa de Victoria (aka Portuguese Association of Victoria) mas aquilo é para lá de onde o maluco do Judas perdeu as botas. Ouvir música pimba hard core seria altamente recompensado com umas Super Bocks e um Delta. Mas fonix, só se me quisesse penitenciar é que iria àquele desterro, que até para lá ir de carro dá para um gajo penar.
Voltando ao casal Luís e Maria, ele madeirense, ela sul-africana de origem tuga. Ele bazou do Rectângulo em 1975. Raízes? Só se for para meter no chá. Foi-se para a Venezuela e depois para a Cidade do Cabo, na África do Sul, mudando-se para aqui há 3 anos e meio. Quando se lembra vai a Portugal, sabe bem utilizar a desculpa da distância para visitar uma terra com a qual perdeu toda e qualquer ligação. Longe vão as lágrimas e a dor da separação. As distâncias criam defesas. No fundo, são lições de vida. Mas não lhe retiram qualquer humanidade. Quando fecharam o restaurante era vê-los encher os pratos dos funcionários, bem atafulhados de comida. E se quiserem levem mais para casa. E vejam se comem. Tratados como filhos.
Mas queixam-se do costume, desta desunião que tanto caracteriza os tugas. Porra, somos 7.000 aqui no Estado de Victoria, mas união "tá quieto"! Cada um por si. E dos poucos com quem se fala, mais valia ficar calado. Nota-se bem no casal o que se nota em mim, um desejo de ter uma comunidade unida, um local de encontro para as conversas e passar o tempo. De que adianta ter grupos e associações se ninguém quer saber? Quanto mais não fosse, fizessem-no pelo negócio, mas nem isso.
Os chineses juntam-se em comunidades fortes, os árabes, turcos, espanhóis, e por aí fora. Nós juntamo-nos em comunidades unitárias, isoladas do Mundo, isoladas de nós próprios. E isto nada mais é do que o espelho do nosso Portugal, estamos de rastos porque união é coisa que não existe, parece mal falar dela e interessa é o meu umbigo e o dos outros que se f...

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