Que sorte a minha ter limites tão elevados. Farto desta merda, farto de estar aqui. Não falo praticamente com ninguém, não há nada para fazer, isto é pior que o fim do Mundo. Mais uma vez experimentei a sensação que uma criança tem quando se lhe tira um doce. Tinha uma vida boa, não me queixava e nunca exigi demais. Mas parece que me rogaram uma puta de uma praga, pois quando finalmente estou bem, o bom acaba.
Vim enfiar-me num buraco. Sorte ter muita paciência. Vejo gente de papo para o ar e as coisas acontecem. Farto-me de lutar para conseguir alguma coisa de jeito na minha vida e nunca consigo nada. E falta-me aquele carisma! Muita gente pensa que não faço nada, dão-me conselhos e mais conselhos, como se estivesse parado à espera que as coisas aconteçam. O carisma que falta é as pessoas perceberem que luto, e que tenho o caralho de uma falta de sorte!
Sei muito bem que um curso superior não é o garante de uma profissão condizente, não preciso que me expliquem certas e determinadas coisas como se fosse muito burro. Só gostava de ter as hipóteses pelas quais luto, mas falta qualquer coisa para me vender a mim próprio.
Esta merda está a dar comigo em doido. Passo o dia calado, não se faz nada, vivo enfiado no quarto estupidamente quente. E o calor que tem estado! A temperatura mais baixa hoje foram 28 graus. Em plena noite.
E assim também vai a minha cabeça, quente, muito quente. E ninguém me diga para ter calma, porque se não a tivesse já me tinha pirado. E vontade não me falta. Ao menos que aqui consiga fazer o guito suficiente para pagar o bilhete para me ir embora.
De facto gostava que a vida voltasse para trás. E só pedia uma vez. Corrigia algumas coisas, sim. Quem nunca se enganou? Não sou minimamente apologista de que nunca nos devemos arrepender do que fazemos. Devemos fazê-lo, devemos assumir os erros, para não os repetirmos. Muita coisa que fazemos na vida, bem ou mal, mais tarde iremos desfrutar ou pagar.
Irrita-me que eu não tenha hipótese de desfrutar da correcção de alguns erros que fiz na vida. Não somos perfeitos, erramos, todos erramos. Tenho feito o máximo para compensar algumas coisas que não fiz, ou fiz do modo errado. Se serviu de alguma coisa? Népia! Dou comigo como migra sem qualquer esperança no futuro. "Ah e tal não sabes o dia de amanhã" Isto é o que muita gente pensará, mas essas palavras são um discurso feito, sem qualquer convicção. Sim, é pessimismo. Mas também não posso estar sempre a rir, também tenho direito à tristeza. Bem sei que quem se dá comigo (ou dava, que aqui não me dou com ninguém) está habituado a ver-me sempre rir, assumindo logo que sou sempre bem disposto. Sou, de facto, e considero-me optimista, mas também tenho direito a momentos de tristeza e de angústia.
Lá está, é sempre a merda da imagem que fica e se sobrepõe a tudo o resto. E aplica-se a processos de recrutamento, pelo menos aqueles que vão para além da cunha. Olham para o currículo de um gajo (aqueles que vêem mais que a data de nascimento) e traçam logo o perfil. Sem conhecer o candidato. Ainda por cima gente idiota sem qualquer carácter, que têm a mania que sabem muito. E como eu anda por aí muito boa gente aos caídos, sujeitos à primeira merda que lhes aparecer à frente. Isto para os mais novos, que os velhos (leia-se os que têm mais de 27 anos, que em Portugal são considerados idosos) bem podem ficar a chuchar no dedo, que nem num call center conseguem entrar. Fica-lhes pelo menos o poder de opção entre os diversos dedos para chuchar.
E aí é que está uma das minhas grandes falhas, fora do meu controlo: carisma. O carisma não se mede pela quantidade e qualidade de piadas, mede-se por uma certa aura existente à volta de uma pessoa, e ou se nasce com ela ou se nasce sem ela. Não é erro não ter carisma, é defeito. E impossível de corrigir. Resta lutar com outras armas. Mas para isso é preciso mais tempo de antena, e é preciso que quem esteja à nossa frente dê alguma hipótese, que acredite nas pessoas e tenha a coragem de ir além do "conheces alguém para aqui?" Prova disso é a primeira impressão que muita gente tem de mim, geralmente não gostam. Mas aprendem a gostar com o tempo.
E tudo relacionado com a imagem, com o que está por fora, sem se conhecer como a pessoa é verdadeiramente. Eu sei como sou, posso ser preguiçoso, mas quando é para se trabalhar, sou de arregaçar logo as mangas. Mas se me cortam constantemente as pernas, não consigo ficar à superfície. Olhar para mim e assumir que não sei fazer nada não me parece que seja uma atitude inteligente. Sou de vestir a camisola a 100% ou mais, se for preciso. E ver esses palhaços que andam por aí a recrutar, pejados de arrogância quando lidam com candidatos, mas a lamber cús à grande quando vão cantar músicas aos empregadores, mete dó. Tenho pena dessa gente. Mas quem se fode é o migra.
Vim enfiar-me num buraco. Sorte ter muita paciência. Vejo gente de papo para o ar e as coisas acontecem. Farto-me de lutar para conseguir alguma coisa de jeito na minha vida e nunca consigo nada. E falta-me aquele carisma! Muita gente pensa que não faço nada, dão-me conselhos e mais conselhos, como se estivesse parado à espera que as coisas aconteçam. O carisma que falta é as pessoas perceberem que luto, e que tenho o caralho de uma falta de sorte!
Sei muito bem que um curso superior não é o garante de uma profissão condizente, não preciso que me expliquem certas e determinadas coisas como se fosse muito burro. Só gostava de ter as hipóteses pelas quais luto, mas falta qualquer coisa para me vender a mim próprio.
Esta merda está a dar comigo em doido. Passo o dia calado, não se faz nada, vivo enfiado no quarto estupidamente quente. E o calor que tem estado! A temperatura mais baixa hoje foram 28 graus. Em plena noite.
E assim também vai a minha cabeça, quente, muito quente. E ninguém me diga para ter calma, porque se não a tivesse já me tinha pirado. E vontade não me falta. Ao menos que aqui consiga fazer o guito suficiente para pagar o bilhete para me ir embora.
De facto gostava que a vida voltasse para trás. E só pedia uma vez. Corrigia algumas coisas, sim. Quem nunca se enganou? Não sou minimamente apologista de que nunca nos devemos arrepender do que fazemos. Devemos fazê-lo, devemos assumir os erros, para não os repetirmos. Muita coisa que fazemos na vida, bem ou mal, mais tarde iremos desfrutar ou pagar.
Irrita-me que eu não tenha hipótese de desfrutar da correcção de alguns erros que fiz na vida. Não somos perfeitos, erramos, todos erramos. Tenho feito o máximo para compensar algumas coisas que não fiz, ou fiz do modo errado. Se serviu de alguma coisa? Népia! Dou comigo como migra sem qualquer esperança no futuro. "Ah e tal não sabes o dia de amanhã" Isto é o que muita gente pensará, mas essas palavras são um discurso feito, sem qualquer convicção. Sim, é pessimismo. Mas também não posso estar sempre a rir, também tenho direito à tristeza. Bem sei que quem se dá comigo (ou dava, que aqui não me dou com ninguém) está habituado a ver-me sempre rir, assumindo logo que sou sempre bem disposto. Sou, de facto, e considero-me optimista, mas também tenho direito a momentos de tristeza e de angústia.
Lá está, é sempre a merda da imagem que fica e se sobrepõe a tudo o resto. E aplica-se a processos de recrutamento, pelo menos aqueles que vão para além da cunha. Olham para o currículo de um gajo (aqueles que vêem mais que a data de nascimento) e traçam logo o perfil. Sem conhecer o candidato. Ainda por cima gente idiota sem qualquer carácter, que têm a mania que sabem muito. E como eu anda por aí muito boa gente aos caídos, sujeitos à primeira merda que lhes aparecer à frente. Isto para os mais novos, que os velhos (leia-se os que têm mais de 27 anos, que em Portugal são considerados idosos) bem podem ficar a chuchar no dedo, que nem num call center conseguem entrar. Fica-lhes pelo menos o poder de opção entre os diversos dedos para chuchar.
E aí é que está uma das minhas grandes falhas, fora do meu controlo: carisma. O carisma não se mede pela quantidade e qualidade de piadas, mede-se por uma certa aura existente à volta de uma pessoa, e ou se nasce com ela ou se nasce sem ela. Não é erro não ter carisma, é defeito. E impossível de corrigir. Resta lutar com outras armas. Mas para isso é preciso mais tempo de antena, e é preciso que quem esteja à nossa frente dê alguma hipótese, que acredite nas pessoas e tenha a coragem de ir além do "conheces alguém para aqui?" Prova disso é a primeira impressão que muita gente tem de mim, geralmente não gostam. Mas aprendem a gostar com o tempo.
E tudo relacionado com a imagem, com o que está por fora, sem se conhecer como a pessoa é verdadeiramente. Eu sei como sou, posso ser preguiçoso, mas quando é para se trabalhar, sou de arregaçar logo as mangas. Mas se me cortam constantemente as pernas, não consigo ficar à superfície. Olhar para mim e assumir que não sei fazer nada não me parece que seja uma atitude inteligente. Sou de vestir a camisola a 100% ou mais, se for preciso. E ver esses palhaços que andam por aí a recrutar, pejados de arrogância quando lidam com candidatos, mas a lamber cús à grande quando vão cantar músicas aos empregadores, mete dó. Tenho pena dessa gente. Mas quem se fode é o migra.

Olá Nuno,
ResponderEliminarEstou a ver que isso está complicado!
Não quero usar frases pre-feitas, mas vou usar algo que escreste nesta ultima enrada - "Muita coisa que fazemos na vida, bem ou mal, mais tarde iremos desfrutar ou pagar."
Se calhar ainda não deste o tempo suficiente para disfrutar o teu esforço, sabes que aqui em Portugal é impossível e aí ainda nada começou.
Vou dar-te o exemplo do meu pais, aos 37 anos, em Moçambique, era o responsável máximo do Standart Totta Bank para todo o sudeste africano - Moçambique, Rhodesia, Zambia, Swazilandia... depois chegou 1974.... e em 1975 chegou a Lisboa com uma familia e sem nada.... não perdeu apenas um cargo, perdeu uma vida de trabalho, 37 anos pelo cano abaixo.
Perdeu a cada desenhada por ele, perdeu todas as sua poupanças, perdeu a sua terra e ficou com a responsabilidade de "salvar" uma familia.
Fomos viver para umas águas furtadas em Alfama - Largo de S-ao Miguel, viver às custas de um tio que ele não conhecia.
Lutou, deu a volta por cima e aos 39 já estava em NY com Director Geral do Totta & Açores... venceu, hoje está melhor do que nunca.
Mas a vida reservou-lhe mais uma luta aos 69 anos, um Linfoma, dos mais graves, e sabes, também não baixou os braços... fez o Doutoramento na California e, aparentemente, também venceu o Linfoma, como a médica dele disse - "Francisco, it's a miracle..."
Por isso, meu grande amigo Nuno, luta e quando a vida de dá como derrotado, luta ainda mais, nunca desistas.
E usando o meu pai novamente, ele disse-me recentemente, durante um jantar entre pai e filho:
- Na vida tudo tem solução excepto a morte, e até essa eu, por agora, vencia-a!
Abraço
Luis
Bem, cá estou, cá estou e vim para ficar e do alto dos meus quase 42 anos (a Tuchaaaaaaaaaaa) , para te dar na tóla...!!
ResponderEliminarTanto se faz que regresses ou não quando regressares me deixares de falar, mas eu tive um trabalhão do caraças para acertar na merda das letras para me puder inscrever nesta coisa (que afinal devo estar a ficar pitosga e já nem consigo ler) e portanto vais "levar" comigo (salvo seja LOL) nem que seja aqui do Cu de Judas ou seja deste lado do Mundo...:-).
É engraçado, sendo mais cóta do que tu, revejo-me em ti...
Nessa impetuosidade que te tira o bom senso e que te tolda a mente de vez em quando, nessa falta de paciência, nesses altos e baixo de humor em que aqui achavas que ias conseguir tudo e meia duzia de dias dps de ai teres chegado, achas que não...
Meu querido, aprendemos com os outros, com as vivências dos outros (como o caso do pai do Luís) mas aprendemos acima de tudo com com as consequências dos nossos actos, que num dia nos parecem os melhores de todos e no outro já não.
Não é que estejamos parvos ou baralhados, realmente nesta vida tão inconstante uma decisão que nos parece estupidamente bem feita hoje, já o não é amanha mas isso é normal...
O que não será normal é tomarmos decisões que nos fazem mudar de país, de vida, de amigos, de casa, de tudo sem pensarmos muito bem, durante dias, semanas, meses se essa é a decisão mais correcta, se é isso mesmo que queremos, se vamos conseguir lidar com o que de mau isso nos vai trazer...
o teu probelma não é falta de carisma, nem de inteligência, nem de paciência, o teu problema é o meu e o de muitas pessoas, é ser-se precipitado, ser-se impetuoso, fazer primeiro e pensar depois..!!!
Mas agora meu amigo não há "turning back", foste para ai para tentar uma nova vida, uma vida melhor que tinhas esperança de a encontrar e voltas para cá, para o quê???? Para chegares novamente á conclusão que cá não existe nada e dares o salto para outro qualquer país???
Quero te muito cá, acho sinceramente que de certa forma até o V.M., ou pelos menos as confretinações irão morrer de certa foema sem ti, mas quero-te cá a saber que isso mesmo que queres, e que de depois não irás te arrepender novamente, querto te cá não apenas porque o peso da solidão e da falta de esperança começa a pesar, mas sim porque tens a convição absoluta que queres voltar e nunca te irás arrepender (porque não tem mal a malta se arrepender, mas a malta tem que se arrepender com consciência)...
Portanto, calma, mais paciência, mais fé e por favor menos impetuosidade...;-))
E estamos aqui, longe mas sempre a ler-te e se for necessário a dar-te na tóla!!! ;-))
Beijos
Por muito que se reflicta nas opções (por muito poucas que estas sejam) tem sempre uma grande dose de subjectividade. O que fiz não foi um acto impensado, pesei os prós e os contras, mas por muito que pensasse nunca chegaria a nenhuma conclusão.
ResponderEliminarDecidi arriscar, porque de facto em Portugal não dá mesmo, por muito que quisesse. Nunca me chamaram do Centro de Emprego para prestar provas de que andava à procura de trabalho, porque se o fizessem levaria uns bons quilos de papel, dos diversos cv's que enviei. Nunca me limitei a uma ou duas áreas, enviei cv's para as mais diversas empresas, nas mais diversas áreas.
Excluí, como é óbvio, agências de recrutamento, pois essas não querem saber, e enviar cv's para esses pasquins é perder tempo. Eles têm uma listagem de amigos e é com base nessa listagem que trabalham.
Desde que iniciei o processo para vir para a Austrália que fiz tudo para ter outra alternativa, mas tudo se revelou infrutífero e cá estou eu. Este país pode ser muita coisa boa, mas tem tudo a ver com o facto de uma pessoa se identificar ou não. E eu não me identifico. Das poucas alternativas que tinha, uma delas seria ir para assistente de bordo na Ryanair. Uma pessoa paga 1.400,00 pelo curso e pimba. Qualquer um entra na Ryanair, porque estão sempre a precisar de gente. Ao fim de 3 anos voltava de mãos a abanar.
Um dos grandes problemas em Portugal, é a utilização que se faz da crise. E nisso empresários e recrutadores usam e abusam. Tudo serve como desculpa para não contratar, mas basta mostrar disponibilidade para se trabalhar à borla, ofertas não faltarão. O que existe é uma enorme crise de valores, um chupismo exorbitante, em que se considera os trabalhadores como fonte de custos e não como o activo mais importante.
Mas felizmente que existem bons exemplos em Portugal, de empresas que dão boas condições aos seus funcionários e isso reflecte-se nos resultados. O tradicional empresário português quer o lucro fácil e para hoje, não pensa em investimento. E quando pensa em investimento, para ele isso significa despesas.
Não ando para aqui a pensar nos "ses". "Se" tivesse ficado em Portugal, "se" não tivesse vindo para aqui. Se ficasse em Portugal, o mais certo era continuar desempregado. Mas por muito que me sinta desiludido com o país era aí que queria estar. Existem de certo outros locais no Mundo onde gostaria de estar, mas isto não é só dizer "ah e tal, agora vou para ali, e depois para acolá".
Não foi um ímpeto o que me trouxe para aqui, foi antes uma forma de me desenrascar. E não estou, para já, surpreendido com o que se passa, estava perfeitamente à espera destas sensações. Mas é como tudo na vida, sabemos que certas coisas se vão passar, esperamos determinado tipo de reacções, pensamos que estamos preparados, mas quando as coisas acontecem, parece que o nosso mundo ruiu.
Nuno só consigo dizer depois de te ler....que me apetecia dar-te um abraço....força aí...!
ResponderEliminarNinguém poderá se quer supor o que significa começar do zero sozinho, é lógico que tu não estás literalmente sozinho, mas o facto é que aí... estás!!! Entendo perfeitamente o teu desânimo...mas só te poderei dizer aquilo que sinto quando tenho um dia mau....amanhã é outro dia....e em tudo será diferente deste....beijinho!!!